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Jovens criam pequenos negócios no Lubango

Estanislau Costa | Lubango

O número de jovens capazes de materializar projectos úteis ao desenvolvimento da comunidade e diversificação da prestação de serviços aumentou, nos últimos seis meses, nos municípios do Lubango e Humpata, com a entrega de micro-créditos pelo Balcão Único do Empreendedor (BUE).

Iniciativa do Executivo é descrita por dezenas de beneficiários como um incentivo certo e exequível para a actividade dos empreendedores
Fotografia: Arimatéia Baptista

Os primeiros jovens contemplados com fundos que rondaram os 200 a 670 mil kwanzas empregaram os recursos na abertura de casas em condições de prestar serviços de recauchutagem, construção civil, serralharia, pintura, assim como pequenos empreendimentos de revenda de bens diversos.
A iniciativa do Executivo é descrita por dezenas de beneficiários como o incentivo certo e exequível para levar a cabo os programas gizados por gente com muito interesse em fazer algo rentável, que proporcione mais emprego e evolua para grandes empresas de referência.
Rita Sandje, 50 anos, a cuidar de oito filhos, é uma das testemunhas dos resultados dos financiamentos do BUE, na cidade do Lubango. Actualmente, exerce com muita dedicação a actividade comercial no bairro Nambambi, local onde reside há mais de duas décadas.
Dona Rita, como é conhecida, foi uma das contempladas com os fundos do Balcão Único do Empreendedor criado com o objectivo de formalizar a actividade económica informal e estimular a realização de pequenos negócios, necessários ao fomento do auto emprego. Contou que exercia o comércio precário de cerveja e refrigerante em sua casa. Na época, possuía apenas um capital que lhe permitia movimentar cinco grades de cerveja N´gola e três de gasosa. Os rendimentos eram incapazes de assegurar o sustento dos filhos.
Para ampliar o número de grades e revender dependia da boa vontade de certos fornecedores. Apesar disso, já enfrentou vários problemas com pessoas que forneciam as grades de cerveja e refrigerantes por haver clientes que consumiam e não pagavam. Desde que beneficiou do financiamento do BUE, Dona Rita deu passos significativos na sua actividade comercial. Fundou uma pequena empresa e a legalizou. A seguir, disse à nossa reportagem, criou um projecto viável e recebeu em produtos um financiamento de 642.988 kwanzas.
Deixou de depender de terceiros para adquirir os produtos. Estabeleceu um convénio com a empresa nacional de cervejas N´gola e Coca-cola, para revender em vários pontos do seu bairro. “Sou uma cinquentona feliz e me sinto realizada. Foi sempre meu desejo ter um negócio próprio. Isto só foi possível graças ao financiamento que recebi do BUE”, disse.
Os rendimentos são risonhos, mas ela acredita em dias melhores pois, semanalmente, recebe e vende 255 grades de cerveja e refrigerantes. O crescimento do negócio permitiu recrutar mais quatro pessoas, postos de trabalho que vão aumentar à medida que a empresa evoluir.
No pequeno posto de venda de Dona Rita trabalha uma das suas filhas, Helena Santana, de 24 anos, e com duas filhas a criar. A jovem mãe solteira está satisfeita por conseguir o seu primeiro emprego.
Esclareceu que na época em que a mãe não tinha condições para o sustento da família foi viver com a avó e com as duas filhas. Agora, tudo isso não passa de lembranças. Já vive com o ordenado que recebe mensalmente e, além de cuidar as crianças, paga as propinas da escola.
Já João Pedro e quatro amigos abriram uma recauchutagem próxima ao mercado informal João de Almeida, no Lubango. A existência constante de clientes anima os jovens a prosseguir e a pensar na ampliação do negócio, através da aquisição de equipamento sofisticado para tratar dos pneus.

Graças a Paz
 
Ao todo, três mil pessoas, a maioria jovens com programas credíveis e capazes de serem executados, receberam fundos do BUE, implantado há mais de oito meses no Lubango. A maioria dos beneficiários com acções mais visíveis considera a conquista da Paz como “a responsável principal pelo sucesso dos empreendedores”.
Dona Rita, João Pedro, Salete Gomes e tantos outros, renovaram a auto estima por começarem a dar os primeiros passos para a satisfação das necessidades da comunidade e estarem a reorganizar o seu modo de vida. Apelam as pessoas que beneficiarem do micro crédito da instituição a aplicarem-no em acções rentáveis.
O Balcão Único do Empreendedor do Lubango legalizou 1.200 pequenas e médias empresas, com a atribuição de igual número de alvarás comerciais. A satisfação dos beneficiários está no facto de a união dos serviços de constituição e legalização de pequenas empresas ser feita gratuitamente em pouco tempo.

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