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Jovens empreendedores fazem sucesso na Huíla

Estanislau Costa| Lubango

Miguel Francisco e Antónia Tchinosole têm em comum as idades, 26 anos, e o sucesso no desenvolvimento de pequenos negócios de produtos alimentares nas zonas urbanas e suburbanas do Lubango, Humpata e Chibia, graças à aplicação do programa “Microcrédito Amigo”.

Entrega de micro-créditos para a criação de pequenas empresas de prestação de serviços
Fotografia: Estanislau Costa | Lubango

Miguel Francisco e Antónia Tchinosole têm em comum as idades, 26 anos, e o sucesso no desenvolvimento de pequenos negócios de produtos alimentares nas zonas urbanas e suburbanas do Lubango, Humpata e Chibia, graças à aplicação do programa “Microcrédito Amigo”.
As pequenas lojas, construídas na parte frontal do quintal de casa e nos bairros, estão apetrechadas com mercadorias muito procuradas pelas donas de casa e não só. Há legumes, frutas e bens da cesta básica. Também não faltam as bebidas alcoólicas e refrigerantes.
As condições postas à disposição dos clientes tornaram os recintos comerciais pontos muito frequentados e lotados. Estas performances são responsáveis pelo sucesso dos dois jovens empreendedores das terras da Chela, que foram capazes de planificar, aplicar e gerir bem as suas acções.
Miguel Francisco recebeu a crédito, em finais de Fevereiro, 500 dólares, do Banco de Comércio e Indústria (BCI), para fortalecer as suas economias e realizar a sua actividade comercial sem grandes contrariedades. “As minhas economias somavam 35 mil kwanzas e era pouco para ampliar o negócio”, explicou o jovem empreendedor.
O financiamento surgiu em boa altura, porque estava a começar o negócio de batata rena, adquirida na Matala e Humpata, além de mariscos do Namibe. O valor recebido “serviu para duplicar a quantidade de mercadorias, vender e ganhar mais, e projectar a criação de pequenas infra-estruturas”.
O jovem, que elogia o programa de capitalização dos empreendedores, levado a cabo pelos bancos comerciais e pelo Ministério da Administração Publica, Emprego e Segurança Social (MAPESS), já se considera um homem de sucesso: “tenho quatro botequins repartidos pelo Lubango e Humpata”.
Não confirmou o reembolso feito ao banco credor, mas, com algum entusiasmo, confessou estar já no segundo crédito, com um valor acima do anterior. O segredo reside em “saber exactamente o que os clientes procuram mais, praticar preços acessíveis e fazer com que não falte nada”.
Antónia Tchinosole apostou num salão de beleza e já tem dois empreendimentos com estruturas ainda improvisadas. “Tenho dois salões, um aqui no bairro da Nossa Senhora do Monte e outro no mercado paralelo João de Almeida. Todos eles recebem muitos clientes por causa da diversidade de serviços, eficiência e bons preços”.
Tchinosole conseguiu fazer o reembolso antes do prazo e perspectivar já uma segunda tranche. “Agora vou pedir três mil dólares para comprar novas máquinas na Namíbia, alargar o negócio nos mercados paralelos do Lubango e da Chibia, no bairro onde vive a minha mãe”.
Nos seus salões consegue facturar diariamente 15 a 20 mil kwanzas, com excepção para as sextas-feiras e sábados, dias em que afirma ganhar “muito mais”. O facto de o mercado estar a prosperar dia-a-dia anima António Tchinosole a alargar o negócio a outros pontos.
Os dois jovens empreendedores do Lubango empregam 20 pessoas. Mas este número é maior, devido a dezenas de botequins espalhados em vários pontos da província da Huíla, prestando vários serviços que, de facto, encurtam as distâncias e estão ao dispor dos clientes, até noite dentro.   O Executivo está apostado na disponibilização de recursos financeiros para fazer com que os jovens empreendedores da Huíla, e de outros pontos do país, concretizem os seus projectos, com o propósito de os lançar no ramo empresarial, gerar empregos e diversificar a prestação de serviços.
O envolvimento de mais pessoas na constituição de pequenos negócios e fortalecimento da economia familiar, entre outros benefícios, já contemplou, na província da Huíla, 150 empreendedores, empenhados em acções de agropecuária, comércio e artes e ofícios.
O Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social (MAPESS) e o Banco de Comércio e Indústria (BCI) executam a acção ligada ao projecto “Microcrédito Amigo”. Os financiadores almejam que cada contemplado “aplique o fundo inicial nas acções previstas e tenha sucesso”.
O financiador centra o microcrédito no programa de combate à fome e à pobreza no seio das comunidades, criado pelo Executivo, e que garante aos jovens empreendedores a possibilidade de alcançarem sucesso, com empréstimos que têm uma subida gradual até atingirem os 20 mil dólares.  Ao esclarecer os propósitos do projecto “Microcrédito Amigo”, o director nacional de Emprego e Formação Profissional do MAPESS, Leonel Bernardo, afirmou que “a sua execução pretende fazer com que as pessoas com ideias promissoras de desenvolver alguma actividade útil à sociedade o façam sem terem de se preocupar com a busca de pequenos financiamentos”.
A comerciante Ana Florinda defende a continuidade do programa para abranger cada vez mais jovens, haver um ponto de partida para o início de qualquer actividade comercial e fomentar o auto-emprego. “É preciso ter em conta que as coisas grandes partiram do pequeno. Por isso, estamos apostados a não decepcionar os financiadores e chegarmos à grandeza”.

Várias províncias abrangidas no apoio

O apoio financeiro concedido através deste programa pelo Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social e o Banco de Comércio e Indústria (BCI), começou há três anos e reanimou a prática do comércio, agropecuária, artes e ofícios e a criação de pequenas indústrias.
Os dados da incubadora de empresas do Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social atestam que foram contemplados dois mil empreendedores das províncias do Uíge, Luanda, Zaire, Lunda-Sul, Kwanza-Norte, Kwanza-Sul, Bié, Huíla e Namíbe.
Em termos de apoios indirectos, como disse o director da incubadora de empresas do MAPESS, Jacinto Ferreira, na fase de entrega dos financiamentos, realizada no Lubango, em Março, foram beneficiadas mais de cinco mil famílias de dez províncias. O Banco do Comércio e Indústria aplica uma taxa bonificada de 1,67 por cento ao mês.
Os contemplados ficam três meses sem pagar juros nem fazer a restituição do equivalente a 500 dólares que cada um recebeu. O reembolso só é feito a partir do quarto e até ao 12º mês.
O administrador nacional para a área comercial do Banco do Comércio e Indústria, Adriano da Silva, informou que já foram gastos no processo de concessão de microcréditos a jovens empreendedores mais de um milhão de dólares. 

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