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Koisan recebem cesta básica na Huíla

Estanislau Costa | Chibia

A assistência alimentar e medicamentosa a famílias koisan, residentes em zonas localizadas a sul e leste da Huíla, contribui para melhor integração daqueles povos, disse, ao Jornal de Angola, a directora provincial da Assistência e Reinserção Social (MINARS).

Vice-governador da Huíla e directora provincial do MINARS visitaram Nonguelengue
Fotografia: Arimateia Baptista

A assistência alimentar e medicamentosa a famílias koisan, residentes em zonas localizadas a sul e leste da Huíla, contribui para melhor integração daqueles povos, disse, ao Jornal de Angola, a directora provincial da Assistência e Reinserção Social (MINARS).
Os koisan, que têm como actividade fundamental a caça, são apoiados com bens alimentares e cuidados médicos e medicamentosos, no âmbito do programa de assistência social a pessoas carenciadas e mais vulneráveis, criado pelo Executivo.
Catarina Manuel afirmou que a cesta básica, composta por farinha de milho, óleo vegetal, feijão, sabão e roupa usada, é entregue bimensalmente.
As 500 famílias koisan, que habitam nas povoações de Nonguelengue e Taima (Chibia), Derruba, Sendi e Hombo (Quipungo), são também apoiadas com sementes, instrumentos de trabalho, gado para tracção, terrenos para o cultivo e animais para fomentar a criação.
Catarina Manuel, que elogiou o empenho dos técnicos do MINARS e das administrações municipais, referiu que a caça e recolecção (recolha de bens não produtivos) exercida por membros da comunidade  koisan, “na maioria dos casos, não dá resultados positivos e alimentos suficientes para sustento de todo o agregado familiar, para um ou dois meses”.
Para melhorar e facilitar a vida e a localização destes povos, durante o processo de assistência médica, alimentar e de sensibilização para a aposta na produção agrícola, foram construídos na povoação de Nonguelengue, município da Chibia, casas da preferência dos koisan.
“A maioria dos populares aderiu no principio, mas depois de consumir o gado entregue para tracção animal e para criação abandonou as casas, partindo para as montanhas, caçar e proceder à recolecção”, afirmou a directora, que garante estar a ser feito um novo trabalho educativo para a mudança de comportamentos.
A directora do MINARS considerou importante a reintegração dos koisan nas actividades agro-pecuárias, nas localidades onde habitam, para se adaptarem a produzir e diversificar os alimentos, melhorar a dieta e criar as condições básicas para a constituição de riqueza familiar.
“Quando à caça e a recolecção de bens não surte os efeitos desejados, instala-se a fome no seio familiar”, afirmou, acrescentando que o empenho dos técnicos do MINARS e  dos parceiros se centra em incutir hábitos de cultivo e de outras ocupações. O vice-governador para área Política e Social da Huíla confirmou que os elementos da tribo, concentrada em várias povoações, têm água potável, alimentos, roupa e medicamentos, além de beneficiarem dos programas alargados de vacinação.
José Nataniel, que se deslocou a Nonguelengue para verificar os resultados da distribuição da cesta básica disponibilizada pelo Executivo, disse que a preocupação, de momento, é determinar a melhor forma de agrupar os populares que abandonaram as zonas de concentração.
“Deve ser feito um estudo pormenorizado nas zonas onde preferirem as montanhas, a caça e a recolecção para apurarmos o que se passa, como proceder e as novas condições a criar para evitar a dispersão dos koisan”, disse o vice-governador.
 
Beneficiários aplaudem

João Tchinjinga aparenta ter 80 anos e não fala português. Disse que a cesta básica, distribuída pelo MINARS, tem salvo muitas vidas na zona onde habita, onde há insuficiência de animais e de outros alimentos.
“Recebemos fuba, feijão, óleo, arroz, roupa e sabão. O governo também entrega sementes, enxadas, catanas, bois, charruas para cultivarmos nas lavras que nos deram e outros animais para criarmos”, confirmou, frisando que “alguns estão a ter bons resultados, mas outros não”.
Aqui em Nonguelengue, lamentou, uns consumiram, além dos produtos da cesta básica, os animais para criação e tracção, as sementes e, depois voltaram para as montanhas para caçar e recolher frutos selvagens.
Alguns elementos da tribo koinsan, concentrados em Derruba e Hombo, no Quipungo, adiantou, estão a lavrar milho, massango, massambala, feijão e hortícolas, com a ajuda do Programa de Extensão e Desenvolvimento Agrário, coordenado pela direcção da Agricultura e parceiros.
João Tchinjinga, que agradeceu a iniciativa de envolver os koisan em actividades agro-pecuárias, com a distribuição de imputes, disse esperar que o governo prossiga as acções de sensibilização e mobilização das pessoas do grupo para os fazer lavrar a terra, produzirem alimentos e terem excedentes para venda.

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