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Kuvango tem falta de médicos

Domingos Mucuta* |Lubango

A falta de médicos especialistas em clínica geral no centro municipal de Saúde e de técnicos qualificados nos postos médicos do município do Kuvango, na província da Huíla, preocupa a população e as autoridades sanitárias locais.

A falta de médicos especialistas em clínica geral no centro municipal de Saúde e de técnicos qualificados nos postos médicos do município do Kuvango, na província da Huíla, preocupa a população e as autoridades sanitárias locais.
Ao manifestar terça-feira a preocupação ao Jornal de Angola, o responsável interino da repartição da Saúde do Kuvango afirmou que a ausência de médicos especializados e enfermeiros dificulta a prestação de serviços de qualidade à população da localidade. Ângelo Paulo acrescentou que o défice de quadros especialistas está na base da fraca assistência médica e medicamentosa aos pacientes no centro municipal de Saúde e nos 18 postos médicos espalhados nas aldeias e comunas do município.
Descreveu que a principal unidade de Saúde do município, por exemplo, dispõe de 12 enfermeiros com formação média e básica, número e qualificação insuficiente para o diagnóstico de doenças complicadas e consequente tratamento. Ângelo Paulo revelou que, além de recursos humanos, o centro municipal precisa de 50 colchões, equipamentos para análises laboratoriais, materiais gastáveis e outros, para apetrechar quatro enfermarias.
“Este centro carece de um apoio urgente, no sentido de oferecermos um serviço condigno aos cidadãos que acorrem diariamente a instituição. Precisamos sobretudo de recursos humanos qualificados, meios tecnológicos e medicamentos”, declarou.
Disse que os pacientes em estado grave são internados em condições “impróprias”, situação agravada pela falta de medicamento e de ambulância para a transferência dos doentes para o hospital da Matala ou Lubango. “Para garantir conforto aos doentes internados, os familiares são obrigados a trazer os colchões de casa. Esta é uma situação que nos preocupa bastante, pois deve ser ultrapassada nos próximos tempos”, assegurou.

Situação crítica no Idungo

O director clínico do posto de Saúde do sector de Idungo revelou que a unidade sanitária registou, no primeiro semestre deste ano, cinco casos de morte de mulheres após o parto, como consequência da falta de especialistas em maternidade. Célcio Ndala caracterizou os casos de alarmantes, pelo facto de se estar a perder mães e filhos. “Não temos uma ambulância para a transferência de doentes para a sede ou para o Hospital Central do Lubango, disse.
O responsável revelou também que o posto deixou, há seis meses, de ser abastecido com medicamentos essenciais, estando neste momento sem fármacos para combater as doenças mais frequentes como bronquites, malária, mal-nutrição, diarreias agudas, anemia e outras enfermidades.
“O quadro sanitário é bastante grave, porque desde Janeiro registamos mortes por complicações durante os partos. Tem havido casos que exigem transporte, mas só temos carroças e motorizadas”, lamentou Célcio Ndala. O posto médico do sector do Indungo tem dois enfermeiros para uma população estimada em 2.600 habitantes.

* com João Katombela

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