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Lançada estratégia dos biocombustíveis

Arão Martins| Lubango

A cidade do Lubango, na Huíla, acolheu um seminário para a divulgação e recolha de contribuições sobre a estratégia nacional e a lei que regula a produção, comercialização e utilização dos biocombustíveis.

Encontro reuniu responsáveis de vários sectores da província da Huíla para analisar a estratégia nacional dos biocombustíveis
Fotografia: Arimateia Baptista|Lubango

O encontro juntou os vice-governadores, administradores municipais, académicos, estudantes universitários e agricultores da província da Huíla. Foi promovido pelo Ministério do Ambiente, em parceria com a Agricultura e Governo Provincial da Huíla.
A vice-governadora para a área política e social, Maria João Tchipalavela, assegurou que o país tem condições para as diferentes variedades de alimentos e as várias fontes de energia alternativa. Citou a riqueza e variedades dos solos, das muitas horas diárias de sol, dos rios e outros recursos naturais.
O desenvolvimento energético é uma condição indispensável para o desenvolvimento de qualquer país. Por isso, Maria João Tchipalavela justificou que o aumento do consumo de energia eléctrica, de combustíveis para os transportes, funcionamento das indústrias e dos equipamentos agrícolas é uma situação fundamental para melhorar o desenvolvimento humano.
Os problemas ambientais são actualmente uma preocupação de todas as nações, daí a necessidade de repensar o futuro: “sentimos essa responsabilidade quando estamos a fazer com que o desenvolvimento olhe para outras fontes alternativas, estáveis e limpas”, referiu a vice-governadora.
Maria Tchipalavela salientou que os biocombustíveis são produzidos a partir de material vegetal e animal. Sustentou que o biocombustíveis produz volumes muito inferiores de gás de efeito de estufa.
A vice-governadora explicou que quando usadas as melhores práticas de cultura, transporte e fabrico, os gases são absorvidos pelas plantações de que provêem.Os projectos de produção de biocombustíveis podem funcionar como pólos de desenvolvimento ao gerarem rendimento, induzindo a adopção de métodos de plantio mais adequado à cada realidade.

Atrair actividades económicas

A adopção de tecnologias de transformação de topo deve atrair o sector de prestação de serviços e impulsionar outras actividades económicas e a necessidade de investigação científica.
Este desenvolvimento não deve ser seguido por meio da ocupação das terras de forma desenfreada, da reconversão ou introdução de culturas que alterem sistemas de vida das comunidades e muito menos em prejuízo da saúde e equilíbrio dos ecossistemas.
Maria João Tchipalavela assegurou estão reunidas as condições para que haja uma relação perfeita entre a discussão do tema e as questões da segurança alimentar, sem que haja uma sobreposição entre esses assuntos.
O seminário, que serviu para elaborar a estratégia de desenvolvimento dos biocombustíveis em Angola, aprovada pela Assembleia Nacional, no mês de Dezembro de 2009, serviu para discutir uma temática que tem um valor importante na vida sociocultural e científica das comunidades.
A vice-governadora alertou que o Programa Nacional de Biocombustíveis deve ser elaborado com base em práticas que garantam uma produção efectiva, sustentável, duradoira e limpa, esperando que as discussões saídas do encontro sejam tidas em conta.

Zonas especiais


A representante do Ministério do Ambiente na Comissão Nacional sobre os Biocombustíveís, Catarina Dias, esclareceu que o evento surge para auscultar as províncias da Huíla, Kuando-Kubango, Cunene e Namibe sobre as preocupações que cada uma dessas regiões tem, em função da sua especialização para a produção dos biocombustíveis. A bióloga disse igualmente que os biocombustíveis podem ser definidos como todos os combustíveis produzidos a partir de fontes biológicas renováveis, incluindo materiais vegetais, animais e os resíduos biodegradáveis.
Estes produtos diferem dos tradicionais combustíveis fósseis, que embora também sejam derivados de carvão mineral ou animal (petróleo e gás natural), são resultado de várias transformações.
Catarina Dias esclareceu que a biomassa é um recurso natural renovável, enquanto os combustíveis fósseis não se renovam.
Referiu que os biocombustíveis mais comuns são o etanol, que pode ser adicionado ou substituído a partir da cana-de-açúcar, milho, beterraba ou cereais (trigo), e o biodísel, que pode ser produzido a partir de plantas oleaginosas, como dendém, soja, rícino, jinguba ou a partir de gordura animal.

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