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Lubango aposta na organização dos bairros

Estanislau Costa | Lubango

Lubango, a cidade do Cristo Rei, transita para uma nova era ao assinalar, hoje, 31 de Maio, mais uma “risonha Primavera”. São 87 anos, desde que a antiga Sá da Bandeira foi elevada à categoria de cidade, numa altura em que enormes edifícios estavam ainda em construção.

Construções feitas há várias décadas permanecem até hoje na cidade do Lubango
Fotografia: Arimateia Baptista

Lubango, a cidade do Cristo Rei, transita para uma nova era ao assinalar, hoje, 31 de Maio, mais uma “risonha Primavera”. São 87 anos, desde que a antiga Sá da Bandeira foi elevada à categoria de cidade, numa altura em que enormes edifícios estavam ainda em construção.
Em reconhecimento aos passos dados para firmar Sá da Bandeira como zona urbana por excelência, com ruas asfaltadas, saneamento básico, espaços de recreio e lazer, as autoridades de então elevaram o pequeno burgo à categoria de cidade, a 31 de Maio de 1923, por proclamação, na residência do governador do distrito, na Humpata, do Alto Comissário, general Norton de Matos que num mandato anterior esteve em Angola como governador-geral.
 A partir dessa data, as autoridades da época, os velhos colonos madeirenses que abandonaram o Namibe e subiram a serra da Chela, e a população nativa empenharam-se com afinco para fazer crescer e desenvolver cada vez mais a cidade. Em breve nasceu o parque industrial da Huíla, fruto de elevados investimentos privados.
Transcorridos 87 anos, a escultura do Cristo Rei no alto do monte que faz sentinela à cidade, continua a ser a primeira atracção turística. E a ementa servida aos turistas estende-se ao complexo turístico da Nossa Senhora do Monte, a Cascata da Huíla, a serra da Leba e as suas estações de arte rupestre, a fenda da Tundavala e a Praça Dr. Agostinho Neto.
Os espaços verdes da Sé Catedral, o Estádio Nacional Tundavala e o aeroporto internacional da Mukanka figuram também como sítios importantes da urbe e passagem obrigatória para os turistas oriundos de diversos pontos do país e do mundo. Não é por acaso que as estatísticas do Departamento de Turismo e Hotelaria da Huíla, registam cinco mil visitantes nos últimos cinco meses o que dá uma média de mil por mês.
A presença permanente de turistas que querem redescobrir cantos e encantos destas paragens e a visita de cada vez mais homens de negócios levaram o governo local e o Executivo a fazerem avultados investimentos. Os investidores privados também participam no engrandecimento do Lubango ao investirem largas somas no sector de hotelaria.
Nos últimos cinco anos foram investidos milhões de dólares na construção, reparação, ampliação e modernização de hotéis. Estão abertps ao público, o Hotel Serra da Chela, erguido num dos espaços dp complexo turístico de Nossa Senhora. do Monte, o Novo Hotel, o Ivone Lar, o Lodge Vanjul, o Wendaketai e outras novas unidades.
Estão a receber os últimos arranjos o hotel Chick Chick Lubango, Lubango I, Primor, AAA e várias hospedarias. Quando todas as unidades hoteleiras entrarem em funcionamento, são criados mais de dois mil postos de trabalho e o problema da falta de quartos na região do Lubango fica resolvido. Neste momento a cidade tem um milhão e meio de habitantes.
 
Condomínios residenciais
           
Lançado o programa nacional de construção de um milhão de fogos habitacionais, por iniciativa do Presidente da República, para satisfazer a carência habitacional que aflige sobretudo os jovens interessados em constituir família, homens de negócios já reagiram com a construção de condomínios residenciais.
Os condomínios da Mapunda, da Mosart, Victor, Lubamba e outros já têm casas à venda. A mesma situação se verifica nos complexos residenciais da Polícia Nacional e da Savana Construções. Todos estão a construir casas e a mudar a imagem da cidade do Lubango.
O governo da província da Huíla e o “Programa Angola Jovem” do Ministério da Juventude e Desportos realizaram também obras de construção que culminaram no surgimento de mais de 200 casas. As cem casas do “Projecto Angola Jovem” já foram sorteadas aos jovens do Lubango.
Estão em fase de preparação projectos que visam a construção de um número considerável de habitações, pela empresa Cassaforma, que está a instalar no Lubango uma empresa de produção de casas pré-fabricadas. A funcionar com três turnos compostos por 27 técnicos nacionais, a fábrica está a ser instalada na zona da Chanja, para produzir diariamente 18 casas pré-fabricadas com alta tecnologia e elevada qualidade. Cada moradia é erguida em sete semanas e tem capacidade para resistir a incêndios, terramotos e ruídos fora do comum. Elas podem ser do tipo T2 e T3 com vantagem de economizarem o consumo de energia eléctrica.
Na cidade do Lubango, a reserva fundiária para construção de casas e albergar outros projectos ultrapassa os 14 mil hectares, situados na Arimba, Nambambe, Chavola, Eywa, Mutundo e outras áreas. O governo da província está a disponibilizar para construção dirigida de moradias parcelas de 1000 metros quadrados.

Os problemas da cidade
 
Do cimo da serra da Chela vemos a cidade do Lubango engolida por casebres. São os bairros Dack Doi, Comandante Cow Boy, Maringa, Só Frio, Ferrovia, Lalula, Nambambi, Camasingo, Mitcha e tantos outros. É uma mancha de milhares de casas precárias cobertas de capim ou chapas de zinco.
Estes bairros têm mil problemas, desde a falta de urbanização, saneamento básico, drenagem das águas pluviais e residuais. Nesta cidade não há belezas típicas, os arruamentos são becos, a água e luz chegam muitas vezes por via de ligações ilegais. Faltam as condições mínimas para uma vivência familiar condigna.
Há casebres que foram erguidos em zonas consideradas de risco como nas margens dos riachos, nas valas de drenagem, nos terrenos alagados, nas encostas íngremes das montanhas. Na época das chuvas, muitas deles foram levadas pelas enxurradas.
 As populações construíram estas casas precárias e em lugares de risco devido à guerra, que forçou milhares de famílias a abandonar as suas zonas de origem para de aconchegarem em locais com mais segurança político-militar.
Passados oito anos de paz e tranquilidade, reparada a rede de estradas e as infra-estruturas públicas, garantidos melhores serviços de saúde e educação nas comunas mais longínquas, reactivado o parque industrial, chegou o momento de urbanizar os bairros para acomodar melhor os seus habitantes e criar condições favoráveis à reposição da beleza da cidade.
As autoridades do Lubango iniciaram um programa de marcação de todos os casebres erguidos em zonas de risco, como as margens de rios, riachos e valas de drenagem.
Milhares de famílias vão ser realojadas em zonas mais seguras e beneficiam de terrenos para, além da construção da habitação, poderem também implantar uma pequena loja, criar animais domésticos, fazer pequenas lavras ou espaços de lazer.
 
Fundação da cidade
 
Datam dos primeiros anos do século XVII, as primeiras expedições à Chela. As notícias dos viajantes garantiam que a região tinha condições excepcionais de clima e as terras da Huíla erammuito férteis. O governador Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho fez os primeiros planos de ocupação do Sul de Angola.
 A 19 de Janeiro de 1885, chegaram os primeiros madeirenses que se destinavam à colonização do planalto da Huíla, num total de 222 pessoas, entre homens, mulheres e crianças. A cidade do Lubango nasce num local conhecido por “Barracões”.
 Esta região foi deliberadamente escolhida, dentro de uma política de colonização oficial, para instalar uma colónia agrícola, embora já existissem outras no planalto da Chela, como a que se fixou onde é hoje a comuna da Huíla. A mais antiga (1769) foi a Alba Nova e depois a da Humpata (1882). Fora, as primeiras tentativas de fixar europeus nesta zona.
A área já tinha sido reconhecida como propícia para o povoamento europeu, pela amenidade do clima e pela abundância de águas provenientes dos rios Mucúfi, a Sul, Lubango, a Oeste e Mapunda, a Nordeste, todos eles afluentes do Caculuvar.
A construção dos barracões no sítio que hoje tem esta designação, apenas serviu para instalação temporária dos que iam edificar um povoado, o Lubango, num sítio chamado Cacongo, que distava daquele três quilómetros, hoje centro da cidade do Lubango (área da Sé Catedral).
Situadas na margem direita do Caculuvar, as instalações provisórias eram dois barracões de pau a pique e cobertos de capim, um destinado aos homens e outro às mulheres. Só mais tarde começaram os trabalhos para o estabelecimento da colónia.
Com o esforço colectivo foi construída, de imediato, uma levada de três quilómetros de extensão para irrigação dos terrenos que iam ser distribuídos aos colonos e para a rega dos quintais da povoação. De seguida, foram construídas as casas dos colonos, igualmente de pau a pique e barro e cobertas de capim. Nessa altura os colonos começaram a fazer plantações nos terrenos que lhes foram distribuídos.
 Sá da Bandeira foi o nome dado a este povoado. O topónimo Lubango (olu-vango) foi sempre usado e passou a ser o nome do conselho em 1889. De acordo com o padre Carlos Estermann, o termo significa decisão e vem da raiz “vang” (decidir).        

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