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Malária mata centenas de pessoas no primeiro trimestre

Arão Martins|Lubango

As autoridades sanitárias da província da Huíla registaram, no período compreendido entre Janeiro e Março deste ano, 75.010 casos de malária, que causaram 146 óbitos.

As autoridades sanitárias da província da Huíla registaram, no período compreendido entre Janeiro e Março deste ano, 75.010 casos de malária, que causaram 146 óbitos.
O supervisor do programa de luta contra a malária na província da Huíla, Martinho Samanjinga, disse que 6.903 casos foram diagnosticados a mulheres grávidas, dos quais seis terminaram em morte.
Martinho Samanjinga informou que o estado endémico da província da Huíla é estável e os índices de malária deviam ser inferiores, porque a transmissão é baixa.
O supervisor do programa de luta contra a malária na Huíla lembrou que, no ano passado, a província registou, em toda a rede sanitária, 424.230 casos, com 735 óbitos.
O responsável disse que a direcção provincial da Saúde, através do departamento provincial de saúde pública e controlo de endemias, em parceria com Organizações Não-Governamentais e actores sociais, tem desenvolvido acções de educação para a saúde, tornando as pessoas mais informadas.
“O Executivo construiu e reabilitou hospitais, centros e postos de saúde nas sedes municipais, comunais e sectores, no quadro do programa de melhoria e aumento da oferta de bens e serviços sociais básicos à população. A educação para a saúde está a funcionar, as pessoas ficam bem informadas e quando estão doentes procuram os serviços de saúde”, disse Martinho Samanjinga.
“O risco maior de aquisição de malária é no interior das habitações, embora a transmissão também possa ocorrer ao ar livre”, sublinhou Martinho Samanjinga.
Vários programas estão em curso para combater a malária, segundo Martinho Samanjinga.
Citou, por exemplo, o programa de combate ao vector da malária que está a ser desenvolvido pela Direcção Provincial da Saúde, em parceria com médicos cubanos. Estão igualmente envolvidos na campanha a Rede de Jornalistas de Combate à Malária.
A direcção provincial da Saúde e parceiros têm desenvolvido acções de distribuição de mosquiteiros a várias famílias que residem em áreas rurais e não só, para se evitar a propagação da doença.
 
Casos da doença na Lunda-Sul

António Sequeira, 31 anos, recupera paulatinamente de malária, que forçou o seu internamento, há um mês, numa das enfermarias da área de medicina do hospital provincial da Lunda-Sul. 
Na enfermaria, partilhada por oito pacientes, o atendimento é pontual. “Os enfermeiros e médicos cumprem as obrigações”.
A malária ocupa a lista das enfermidades mais notificadas na província da Lunda-Sul. Estatísticas fornecidas pelo chefe do departamento da Saúde Pública, Jorge Alberto Calado, apontam o diagnóstico e tratamento de 6.600 casos, de Janeiro a Abril do ano em curso, contra cerca de 35.000 registados em igual período do ano passado. Este ano, a doença já causou 37 óbitos.
 Na lista das causas da doença, Alberto Calado destaca os incumprimentos às normas de prevenção, automedicação, chegada tardia dos pacientes às unidades sanitárias, crença no feitiço e uso irregular de mosquiteiros tratados com insecticida.
O sector da Saúde, em parceria com médicos cubanos, trabalha na desinfestação de espaços passíveis de favorecer a reprodução de mosquitos e sensibiliza as comunidades para o acatamento das normas de sanidade do meio.
A falta de especialistas nesta vertente e nas áreas de estomatologia e ortopedia constam dos constrangimentos vividos pelas autoridades sanitárias.

(*) Com Camuanga Júlia

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