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Matala produz toneladas de alimentos agrícolas

André Amaro | Lubango

Um total de 70 mil toneladas de produtos agrícolas entre milho, feijão batata, cebola, alho, tomate e hortícolas estão a ser produzidos este ano pelos agricultores, ao longo do perímetro irrigado da Matala, província Huíla.

Equipamentos modernos de irrigação estão a permitir que os produtores atinjam grandes colheitas a nível do perímetro irrigado
Fotografia: André Amaro| Lubango

Um total de 70 mil toneladas de produtos agrícolas entre milho, feijão batata, cebola, alho, tomate e hortícolas estão a ser produzidos este ano pelos agricultores, ao longo do perímetro irrigado da Matala, província Huíla.
A garantia foi dada pelo presidente do Concelho de Administração da Sociedade de Desenvolvimento da Matala, Cipriano Ndulumba, quando falava a propósito das condições criadas para o aumento da produção.
Para a produção de milho foram preparados 4.700 hectares e prevê-se uma colheita de 36 mil toneladas para o presente ano agrícola, enquanto a batata foi semeada em 300 hectares, esperando-se uma colheita de 6.600 toneladas. Para plantar feijão, foram semeados 2.300 hectares e prevê-se uma colheita na ordem das 6.300 toneladas, cebola e alho em 500 hectares e espera-se uma produção de 13.250 toneladas ano. O tomate foi semeado em 200 hectares e prevê-se uma colheita de 12 mil toneladas, que devem aumentar nos próximos tempos, com a entrada em funcionamento da fábrica de concentrado de tomate na comuna de Capelongo, Matala.
Além destes produtos, os agricultores, ao longo do canal de irrigação da Matala, estão a cultivar couves, repolho, cenoura, pimento, além de estarem a apostar na plantação de árvores de frutas para diversificar a produção.
 
Condições de cultivo

Para alcançar estes números e garantir a redução da pobreza,  a Sociedade de Desenvolvimento de Desenvolvimento da Matala (SODEMAT, S.A.), gestora do perímetro irrigado, criou as condições de produção, armazenamento e conservação dos produtos. De acordo com o Presidente do Concelho de Administração da sociedade, Cipriano Ndulumba, o  parque de máquinas agrícolas, que tinha apenas dez tractores, foi reforçado com mais 28, para garantir assistência aos 500 agricultores que trabalham ao longo dos 42,6 quilómetros do canal de irrigação da Matala. Cipriano Ndulumba disse que foi adquirido um sistema moderno de irrigação, com capacidade para regar 60 hectares diariamente, sem depender das chuvas, e garantir a produção agrícola todo ano.
Para a conservação de produtos perecíveis, sobretudo da batata, que constitui o forte dos agricultores, foram instaladas câmaras frigoríficas com capacidade para 1.300 toneladas, e permitir a produção de sementeiras.
Para o tratamento, conservação e armazenamento de cereais, especialmente o milho, que é a principal cultura da região leste da província da Huíla, disse que foram construídos silos com capacidade para 12 mil toneladas.
Os silos, explicou Cipriano Ndulumba, são unidades muito importantes, porque permitem a criação de reservas alimentares para épocas de crise, como as estiagens e pestes que têm ocorrido na região. Nessa perspectiva, foi construída a fábrica de concentrado de tomate na comuna de Capelongo, a 20 quilómetros da sede do município da Matala, cujo arranque está previsto para breve e vai servir para absorver a produção, sublinhou.
 
Criado posto de trabalho
 
Ao todo, foram criados pelos agricultores 20.456 postos de trabalho directos para a juventude, nos últimos cinco anos. Os empregos envolvem técnicos agrónomos e de extensão rural, gestores de stocks, camponeses, motoristas, operadores de máquinas, técnicos de frio, mecânicos, canalizadores, estivadores e administrativos.
O director técnico da sociedade, Carlos Ferreira, disse que existem no perímetro 500 produtores, associados em sete cooperativas, e cada um deles criou os postos de trabalho necessários.
Carlos Ferreira disse que, a nível da sociedade, foram criados 130 postos de trabalho directo nas áreas administrativa, técnica, electricistas, operadores de máquinas, gestores de stocks e noutras áreas.
Vasco José, de 25 anos, está entre os milhares de jovens que conseguiram emprego na área da agricultura na comuna de Capelongo como técnico de gestão agrária, curso que fez no Instituto Agrário do Tchivinguiro e concluiu em 2009. Nesse mesmo ano, o patrão fez-lhe uma proposta para trabalhar no campo e nem hesitou, porque sempre foi esse o seu desejo.
“Estou há três anos a trabalhar como técnico agrónomo em Capelongo e sinto-me feliz, porque estou a pôr em prática os conhecimentos que apreendi e a transmitir a minha experiência a outras pessoas”, explicou.
A camponesa Francisca Domingas e as companheiras todos os dias se dedicam à sementeira, limpeza das ervas daninhas e colheita dos produtos do campo do agricultor Francisco Domingos.
Pelo trabalho que prestam recebem uma remuneração em dinheiro e têm direito a uma parcela de um hectare para a agricultura de subsistência e garantir alimentos para a família.
O referido lavrador, que tem mais de mil funcionários entre camponeses, operadores de máquinas, técnicos agrários e estivadores, disse que o sector da agricultura tem contribuído para a redução do desemprego e da pobreza no município da Matala.
Adiantou que explora uma área com mais de mil hectares para a produção de batata, cebola, alho, feijão e milho.

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