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Maternidade diminui mortalidade

Arão Martins| Lubango

A taxa de mortalidade neo-natal na principal maternidade do Lubango é das mais baixas de sempre, rondando actualmente os 17 por cento, graças ao incremento de vários programas de cuidados primários de saúde, revelou ao Jornal de Angola o seu director, Flávio Hilário.

Grávidas e mulheres em idade fértil continuam a ser aconselhadas a realizarem partos seguros em unidades hospitalares da província
Fotografia: Arimateia Baptista| Lubango

Com estes programas e também de combate à pobreza, a direcção do hospital tomou novas medidas, de modo a evitar a cobrança de luvas, agulhas e seringas às parturientes. Flávio Hilário referiu que, deste modo, se poupa dinheiro aos pacientes e seus familiares, e preserva-se a biossegurança do pessoal de serviço, num acto bastante delicado como é o parto.
As mortes que se registaram na maternidade do Lubango deveram-se à malária e a hemorragias no terceiro trimestre da gravidez. Por isso, o director hospitalar defende que devem ser feitas mais campanhas de educação para a saúde junto das populações, nos bairros, comunas e sedes municipais.
“A impressão que se tem é que as mulheres morrem porque vão ao hospital, mas não é assim”, referiu, ao salientar a importância de as mulheres evitarem fazer os partos em casa e dirigirem-se ao hospital.
Desde segunda-feira, a direcção da Saúde está a desenvolver acções para manter médicos nos bairros periféricos do Lubango.
O director-geral da maternidade considerou multissectorial a situação de abandono dos bebés pelas mães e sublinhou que um dos problemas graves dos países em desenvolvimento é o das gravidezes precoces.  “Temos dois extremos: a gravidez precoce, a partir dos 12 anos, e senhoras acima dos 45 a terem bebés. Um outro caso são as mulheres que têm mais de dez filhos, mas que ainda continuam a procriar, e ainda o das crianças cujo desenvolvimento anatómico não está completo e nem sequer têm estrutura psicológica para ser mães, mas são-no”, sublinhou.
Nos últimos dias registaram-se dois novos casos de abandono de recém-nascidos, um dos quais prematuro, na maternidade do Lubango. Para impedir o registo de mais casos destes, foi incluído no kit do parto seguro uma pulseira que identifica a mãe e o bebé.
Flávio Hilário reconheceu haver uma certa promiscuidade e falta de educação sexual devido, também, à pobreza. “Se nós queremos combater este fenómeno de abandono de bebés, temos de lutar para que as pessoas saiam do limiar da pobreza”, alertou.
As mulheres que mais abandonam bebés na maternidade do Lubango são sobretudo as mães solteiras, informou o médico, que revelou ter sido criado no hospital um departamento de psicologia clínica para atender essas pessoas.
Em resultado do trabalho deste departamento, o número de suicídios de mulheres que se atiravam do edifício da maternidade diminuiu consideravelmente. Além disso, foram reforçadas as medidas de segurança na maternidade, com a terciarização destes serviços.
 “A nova empresa de segurança está a ser informada sobre a abordagem das pessoas que entram e saem do hospital, para evitar a problemática de abandonos de bebés”, referiu Flávio Hilário.
O director-geral da maternidade do Lubango notou, contudo, que a preocupação é com os bebés que nascem fora do hospital e que são abandonados em contentores de lixo e, depois, levados para o berçário da maternidade.

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