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Meios mecanizados apoiam agricultores

Estanislau Costa | Matala

Mais de cinco mil toneladas de batata produzida no perímetro irrigado da Matala, 200 quilómetros a leste da cidade do Lubango, vão ser colhidas pelos pequenos e grandes produtores associados em diversas cooperativas agrícolas.

Aumenta a produção da batata e hortaliças no município da Matala e a maior parte da colheita é escoada para as áreas afectadas pela seca
Fotografia: Arimetaia Baptista | Matala

O agricultor Júlio Domingues disse o perímetro irrigado e o bom estado das estradas para o escoamento da produção para os mercados, favorecem a lavoura. Júlio Domingues espera colher 450 toneladas de batata, 70 de tomate e 40 de repolho, cebola e alho, destinadas aos mercados informais do Lubango e Cunene e alguns estabelecimentos comerciais.
A produção ocupa 100 hectares, 30 dos quais reservados ao cultivo de cereais.
O escoamento da batata, disse, deixou de ser preocupação por estarem a funcionar as câmaras de conservação instaladas nas comunas de Capelongo e Humpata.
Além das condições favoráveis do perímetro irrigado da Matala, Júlio Domingues dispõe de um sistema de rega próprio.
Por sua vez, a safra da cooperativa 1º de Maio ronda as 1.500 toneladas de batata nos 450 hectares cultivados.
O seu responsável, Victor Fernandes, disse que a área de produção foi alargada com quatro tractores, adquiridos pelos 106 agricultores com financiamento do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).
A maior parte da colheita de batata e hortaliças é escoada para as áreas afectadas pela estiagem, com realce para as povoações da província do Kuando-Kubango que fazem fronteira com a Huíla, e os municípios dos Gambos e Quipungo. O presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Desenvolvimento da Matala (SODEMAT), Cipriano Ndulumba, considerou o perímetro irrigado, com um canal de 42,6 quilómetros de extensão, como o maior produtor de batata do país.Cipriano Ndulumba disse que a área bruta cultivada e as colheitas previstas são indicadores que provam o crescimento da produção do perímetro irrigado, podendo atingir este ano 11 mil toneladas. “Queremos atingir esta performance, por não existirem riscos de deterioração da batata, devido à existência das câmaras frigoríficas capazes de armazenar quantidades consideráveis, assim como por ter muita aceitação no mercado”, afirmou.
O responsável admitiu que o sucesso produtivo do perímetro irrigado da Matala é o corolário do bom relacionamento entre a empresa gestora e os agricultores. “Pretendemos que os agricultores tenham mentalidade empresarial e saibam que a produção é a aposta mais certa”, esclareceu.
A área produtiva do perímetro é estimada em 6.831 hectares, onde é possível produzir 12 mil toneladas de cereais. Para atingir esta cifra, o conselho de administração do perímetro irrigado desenvolve acções que visam o aumento da captação de água no rio Cunene com a montagem de bombas no km 5, 19.7 e km 32.
O responsável defende que “o coração do perímetro é o canal de irrigação. Após isso, existem os silos com capacidade de 12 mil toneladas de cerais, o complexo de frio projectado para conservar 2.200 toneladas de batata e a fábrica de processamento e transformação de tomate, ainda inoperante”.
A actividade agrícola é auxiliada por 54 tractores, sendo 30 da SODEMAT e 24 das cooperativas.

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