Províncias

Mil quilómetros de estradas foram já asfaltadas na Huíla

André Amaro| Lubango

As principais vias rodoviárias que ligam a província da Huíla a outros pontos do país, com uma extensão total de mil quilómetros, estão reconstruídas com novo tapete asfáltico, ao abrigo da execução do programa de melhoramento das estradas levado a cabo pelo Executivo, nos últimos oito anos.

Tráfego é feito com maior segurança
Fotografia: André Amaro

As principais vias rodoviárias que ligam a província da Huíla a outros pontos do país, com uma extensão total de mil quilómetros, estão reconstruídas com novo tapete asfáltico, ao abrigo da execução do programa de melhoramento das estradas levado a cabo pelo Executivo, nos últimos oito anos.
As novas estradas permitem a todos os habitantes da província transportar e receber mercadorias, usar os confortáveis transportes públicos ou viajar de carro para todo o país em lazer ou negócios.
Vasco Rogério, 50 anos, motorista, residente no Lubango, percorre, desde a década de 90, o país de lés-a-lés, transportando pessoas e mercadorias. Conta que, há oito anos, para viajar do Lubango a Cacula, num percurso de 90 quilómetros, levava mais de duas horas. Actualmente, faz apenas uma hora.
“As coisas mudaram muito com a execução do programa de recuperação das principais vias, porque agora fazemos o mesmo percurso sem termos de nos preocupar com os elevados danos causados pelos buracos às viaturas”, disse.
O motorista reconhece que a recuperação das estradas “é sinónimo de desenvolvimento, porque permite às pessoas circularem livremente de um lado ao outro, conhecer o país, fazer turismo, comercializar produtos do campo e da cidade, e outras benesses”.
“Além do prazer,  dá uma grande sensação de liberdade viajar por estrada sem recear que algo nos possa acontecer”, disse com um sorriso estampado nos lábios.
A reparação das vias rodoviárias está a propiciar enormes vantagens às populações, e a ideia dos seus benefícios é partilhada pela jovem Tainha Conceição, estudante do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED).
Tainha Conceição é também professora de Biologia numa escola do ensino médio do município da Matala, 180 quilómetros a Leste da cidade do Lubango, onde reside com os pais. Todos os dias faz a viagem de ida e volta entre a Matala e o Lubango, de forma segura e confortável.
O comerciante Job Samuel diz que os negócios melhoraram desde que as estradas foram asfaltadas: “sem a necessidade de muita velocidade, fazemos em pouco tempo qualquer trajecto. As obras feitas nas estradas devolveram a paz ao coração das pessoas e tornaram mais próximas as comunidades”, defendeu.
  
Estradas recuperadas

O director provincial da Huíla do Instituto de Estradas de Angola (INEA), Florêncio Teófilo, assegurou que 40 por cento da rede rodoviária da província está recuperada e os restantes 60 por cento começam a ser reparados a curto e médio prazo, incluindo as vias terciárias.
A província, além dos 1.100 quilómetros de estradas recuperadas, tem ainda 1.500 quilómetros onde os técnicos vão intervir brevemente. O Governo Provincial convidou, para o efeito, as empresas de construção civil a apresentarem projectos.
Florêncio Teófilo frisou que em oito anos foram reabilitadas as estradas que ligam a sede do município do Lubango aos municípios da Humpata (22 km), Chibia (45 km), Quipungo (90 km), Matala (180 km) e Cacula (90 km).
Estão em reabilitação os troços Cacula/Quilengues, Kuvango/Jamba, Caconda/Caluquembe e Chibia/Gambos, e os que ligam às províncias de Benguela, Kuando-Kubango, Huambo e Cunene.
Referiu que a estrada entre as províncias da Huíla e do Namibe, numa extensão de 180 quilómetros, passando pelo município da Humpata e pela serra da Leba, está completamente asfaltada.
Florêncio Teófilo explicou que as estradas que ligam o município de Chicomba e Chipindo são as únicas que estão por recuperar. 
 
Novas pontes
 
Três estruturas metálicas vão substituir as antigas pontes de troncos, no troço de 105 quilómetros entre os municípios do Kuvango e Chipindo. As pontes são instaladas pelo Instituto de Estradas de Angola (INEA) e  têm capacidade para suportar até 40 toneladas e têm uma extensão entre 20 e 40 metros de comprimento.
O director provincial do Instituto de Estradas de Angola, Florêncio Teófilo, assegurou que estão a ser mobilizadas as gruas, camiões basculantes, retro-escavadoras e outros meios logísticos para execução do trabalho.
Explicou que para instalação das pontes metálicas é necessário movimentar solos e construir bases de betão armado, uma vez que Kuvango e Chipindo estão há décadas sem pontes.
O director Florêncio Teófilo esclareceu que a província da Huíla precisa, ainda, de muito mais pontes e pontões para melhorar a circulação rodoviária nas vias secundárias e terciárias.
 
Postos de trabalho
             
A realização das obras está a permitir criar um número considerável de postos de trabalho directos e indirectos, sobretudo para a camada da faixa etária entre os 19 e os 35 anos.
As empresas estão a admitir operadores de máquinas, motoristas de veículos pesados e pedreiros, numa proporção de 90 por cento para nacionais e os restantes para expatriados. A maioria dos jovens empregados beneficiou de formação profissional.
No quadro da recuperação de estradas e pontes, as autoridades governamentais da província da Huíla desafiaram as empreiteiras nacionais e estrangeiras a apresentarem projectos para os 1.500 quilómetros que falta asfaltar.
O desafio foi lançado durante um encontro entre os membros do governo huilano e a classe empresarial angolana e portuguesa, no âmbito da visita do Presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, à província da Huíla.
 Ao lançar o repto, o director provincial das Obras Públicas, Rosário Ima Panzo, disse que a recuperação de estradas necessita de parcerias entre os empresários locais e estrangeiros.
“Nos próximos tempos, o Governo Provincial vai lançar o concurso público para a reabilitação de novas estradas provinciais, municipais, comunais, secundárias e terciárias, mas é preciso que as empresas apresentem projectos”, frisou.
Sublinhou, igualmente, que existe um projecto para manutenção das vias rodoviárias reabilitadas ou construídas de raiz: “para isso é necessário que as empresas estejam preparadas para enfrentar o desafio”, disse Rosário Ima Panzo.

Tempo

Multimédia