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Milhares de cabeças de gado procuram pasto no Mulondo

Arão Martins | Lubango

Pelo menos, 30 mil cabeças de gado bovino, provenientes da província do Cunene, imigraram desde Abril para a comuna do Mulondo, município da Matala, província da Huíla, à procura de pasto e de água para beber.

Devido ao aumento do número de animais o pasto está a escassear no município da Matala
Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro

O administrador comunal do Mulondo, Zeca Mupinga, disse ao Jornal de Angola que, com a vinda do gado bovino do Cunene, o capim que se encontra à margem do rio Cunene está a escassear e há necessidade de transferir-se estes animais para locais com maior pastagem.
Acrescentou que, além do capim, muitas cabeças de gado bovino que vêm do Cunene têm doenças e carecem de tratamento. Zeca Mupinga informou que existem áreas com capim onde o gado pode ir, mas a dificuldade é a falta de água.
“Em função do número do gado bovino oriundo do Cunene e o período de seca que vai se alastrar mais ou menos até Novembro próximo, é imperioso construir e criar furos de água e instalar bebedouros para o gado bovino”, defendeu.
Zeca Mupinga desmentiu as informações segundo as quais os criadores de gado que levaram os seus animais ao Mulondo estão a pagar 100 kwanzas por cabeça, para terem acesso ao capim da região.
Segundo Zeca Mupinga, o que ocorre é o facto de que o gado que vem do Cunene tem carraças e outras doenças, como o carbúnculo hemático e sintomático, que carecem de tratamento.
“Com vista a tratar o gado, é preciso comprar fármacos para o banho e a sua vacinação”, esclareceu, acrescentando que, com o objectivo de cuidar dos animais em termos sanitários, a administração comunal, através da sua fiscalização, está, de forma voluntária, a solicitar algum valor módico aos criadores, para que se possa tratar os animais nos tanques banheiros construídos no Mulondo.
Explicou que outra preocupação da população é o facto de o gado bovino vindo do Cunene, por ser em manadas elevadas, estar a destruir as culturas das comunidades locais, cuja população carece da devida indemnização.
A questão da seca na região, reconheceu Zeca Mupinga, é séria e carece de estudos e projectos sustentáveis, como a construção de chimpacas e pontos de água para o gado. Proteger também as zonas de pastagem, com a proibição de queima do capim e não só, é outra questão que deve merecer uma atenção especial, com vista a salvaguardar a vida dos animais.
Zeca Mupinga disse que existem áreas de pastagem insuficientes para atender o número elevado de gado que continua a afluir àquela região. “De modo a não prejudicar os animais do Cunene, a Administração Comunal do Mulondo está a indicar aos pastores e criadores outras localidades distantes da sede comunal, com reserva de pastagem.”

Destruição de lavras

O administrador comunal do Mulondo, Zeca Mupinga, informou que os elefantes continuam a tirar o sono da população local, destruindo lavras.
Segundo Zeca Mupinda, a destruição de lavras ocorre nas localidades de Tchikuakusse, Mantuntu, Kamunhandi, Tchipeio e Longili.
“Além da seca que está a prejudicar as culturas, a destruição de alimentos pelos elefantes e gado vai obrigar as autoridades competentes a prestarem apoio às famílias afectadas”, concluiu.

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