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Milhares de árvores foram plantadas na Huíla

Estanislau Costa| Lubango

Um total de 50 mil árvores de diversas espécies foram plantadas, em Fevereiro e Março, nos municípios do Lubango, Humpata, Gambos e Matala, pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), disse, ontem, Fernando Cassanga,  do IDF nos  Gambos.

A campanha de plantação de árvores em vários municípios da província da Huíla conta com o apoio da sociedade civil
Fotografia: Estanislau Costa | Huíla

Fernando Cassanga explicou  ao Jornal de Angola que a  plantação de árvores é permanente, com vista a favorecer o repovoamento de plantas nas zonas com risco elevado de desertificação e regular as constantes variações climáticas.
“A sociedade  deve estar sensibilizada e mobilizada a participar na plantação de árvores, uma vez que este gesto fortalece as antigas florestas e favorece o surgimento de novas áreas arborizadas”, disse Fernando Cassanga, que condena o comportamento de certos munícipes que destratam as novas plantas. Considerou o município dos Gambos como a zona mais seca da província da Huíla, dai a seca e a escassez de água potável para a população e gado.
Em função disso, o coordenador da Acção de Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), Cecílio Elindo, disse que “só a aposta forte na plantação de árvores pode inverter o actual quadro”.
Cecílio Elindo especificou que, no mês passado, foram plantadas em vários pontos dos Gambos cerca de duas mil árvores de fácil adaptação às condições climáticas da zona, uma vez que se trata de plantas resistentes à ausência de água, enquanto estiverem no processo de crescimento.
Cecílio Elindo afirmou que as plantas indicadas para estas zonas são os eucaliptos, jacarandás, pinheiros, acácias, mulembeiras e cedros.   Já na Matala, um município que regista um  abate indiscriminado de várias espécies para a produção de carvão de cozinha e lenha, o IDF plantou acima de dez mil árvores, para reflorestar as áreas descampadas. O responsável do IDF local, Henriques Suquina, informou que são realizadas acções de acompanhamentos da evolução das plantações, numa altura em que a instituição dispõe ali um viveiro projectado para produzir 50 mil mudas. O IDF, referiu, está a capacitar fiscais florestais, para dotá-los de conhecimentos que visam controlar melhor as florestas da região.

Frutas na desertificação

O combate à desertificação no município da Humpata, além da plantação de eucaliptos, cedros, acácias, é feito com a criação de milhares de árvores de frutas diversas. O Projecto Agro-industrial Laranjinha e outros levados a cabo por vários empresários agrícolas já conseguiu criar inúmeros hectares de espaços verdes.
Neste momento, estes projectos permitiram plantar mais de 400 mil laranjeiras, 450 mil goiabeiras, 120 mil tangerineiras, além de centenas de mangueiras, pereiras e macieiras na Humpata.
João Kalange, um dos maiores fruticultores do município da Humpata, disse que o clima apropriado e o facto de haver muita água na circunscrição favorecem o desenvolvimento das plantas.
“É necessário incrementar as plantas de frutas diversas no combate à desertificação em vários pontos do país”. Neste momento, as plantações de frutas são estendidas aos municípios da Chibia, Quipungo e Cacula e outras províncias.
O fruticultor João Kalange acredita que a árvore de fruta oferece vantagens na variação e melhoramento da dieta  e ajuda no combate à desertificação.
“O município da Humpata possui muitas árvores que ajudam a conter o aumento do deserto da vizinha província do Namibe”, acrescentou João Kalange, que aconselha a população da região a participar nas campanhas de plantação de ávores e a evitar o seu abate indiscriminado, bem como as queimadas em áreas protegidas da província da Huíla.

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