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Missão do Jau empenhada na alfabetização

Estanislau Costa | Lubango

O “Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar”, em curso na província da Huíla, prevê abranger este ano 55 mil adultos iletrados, tendo em conta os resultados de 2010, afirmou na semana passada o director provincial da Educação, Américo Chicoty.

As salas de alfabetização da Missão do Jau foram recentemente visitadas pelo administrador municipal da Chibia
Fotografia: Arimateia Baptista

O “Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar”, em curso na província da Huíla, prevê abranger este ano 55 mil adultos iletrados, tendo em conta os resultados de 2010, afirmou na semana passada o director provincial da Educação, Américo Chicoty.
As aulas, iniciadas em Fevereiro, animam os alunos, ansiosos por aprender a ler e a escrever. A leitura individual e colectiva, numa das salas da capela da Missão do Jau, circunscrição do município da Chibia, é agora uma rotina matinal, que envolve no processo de aprender a ler e a escrever correctamente mais de 40 camponeses, a maioria adultos e idosos.
Com a duração de 35 minutos, as aulas são orientadas pacientemente pela madre Teresa Cassinda, começando o primeiro grupo às 6 horas, o segundo às 11h30 e o terceiro às 16h30.
Madre Teresa explicou ao Jornal de Angola que o processo de inscrição, realizado no início de Fevereiro, ultrapassou as expectativas, por causa da maior afluência de candidatos, que “estão muito interessados em, pelo menos, saber escrever o seu nome”.
A preferência das pessoas pelas salas da capela tem a ver, segundo a madre, com o facto de muitos frequentarem as missas matinais e vespertinas, num horário que facilita aos camponeses serem alfabetizados e desenvolverem normalmente a lavoura e outras actividades. “Os camponeses que não foram admitidos na capela da Missão do Jau foram encaminhados para outras salas da comuna, criadas exclusivamente para ministrar aulas de alfabetização.
A madre, envolvida no processo de alfabetização há mais de 10 anos, afirmou que “a maioria das pessoas iletradas da comuna do Jau está enquadrada no processo de ensino e aprendizagem. “Aqueles que não conseguiram vaga, devem aguardar apenas quatro meses, para serem inseridos”.
Transcorridas três semanas de aulas na capela da Missão do Jau, afecta à Igreja Católica, a evolução e assimilação dos conteúdos é notável.  A avó Ana Jongola, 71 anos, em três semanas de aulas já sabe escrever e ler o seu nome. “Meu filho, hoje consigo ler e escrever o meu nome. É tudo o que mais queria aprender na vida. Agradeço ao governo e à irmã Teresa por criar o programa de alfabetização e ensinar as pessoas idosas, que não sabem ler nem escrever”, disse a avó.
Ana Jongola, actualmente incapaz de se deslocar ao campo de cultivo, pwdiu aos demais habitantes da comuna do Jau, que não sabem ler nem escrever, para se inscreverem na capela ou noutros locais onde se desenvolvem aulas de alfabetização. O programa de alfabetização abrangeu, no presente ano, mais de 150 pessoas, principalmente adultos e idosos. As aulas são ministradas por 15 alfabetizadores, que receberam cursos de actualização, promovidos pela direcção da Alfabetização da Huíla.
 
Mais pessoas a ler  e escrever
 
O “Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar” do Ministério da Educação contemplou, no ano passado, mais de 46 mil pessoas adultas, concentradas em vários pontos da província da Huíla.
O director provincial da Educação, Américo Chicoty, afirmou que o programa, criado com o propósito de abranger um número considerável de pessoas iletradas, para a redução do índice de analfabetismo, está a ser desenvolvido em colaboração com várias igrejas e organizações da sociedade civil.
O processo foi reforçado com a distribuição de manuais diversos e material de apoio aos alfabetizadores e a 28 mil alunos da primeira e segunda classes, 18.440 da terceira e quarta classes.
O director provincial da Educação considerou positivo o empenho dos docentes e nível de aproveitamento dos alunos.
As aulas são ministradas em português e em línguas nacionais, tais como Nhaneka e Umbundo. O alfabetizador Carlos Mariano contou que também são ensinadas aos adultos questões relacionadas com os símbolos nacionais e normas para prevenir doenças, como a cólera e a sida.
O apoio prestado pelas autoridades tradicionais, alguns empresários, igreja Católica e Evangélica e da Organização da Mulher Angolana (OMA) permitiu aumentar as salas de alfabetização e atingir as zonas mais recônditas da Huíla, segundo o director provincial da Educação.
“Está prevista, para o presente ano, a construção de centros de alfabetização nos municípios do Lubango, Humpata, Chibia e Quipungo”, disse o director provincial da Educação, acrescentando que “o Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar, iniciado em 2007, já contemplou 75 mil adultos na Huíla, que hoje sabem ler e escrever”.

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