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Município de Chipindo apaga marcas da guerra

Domingos Mucuta | Chipindo

O município de Chipindo está a registar uma nova imagem nos últimos tempos, fruto da aposta que a administração local tem desenvolvido na recuperação e edificação de novos empreendimentos sociais.

O município de Chipindo está a registar uma nova imagem nos últimos tempos, fruto da aposta que a administração local tem desenvolvido na recuperação e edificação de novos empreendimentos sociais.
Fotografia: Domingos Mucuta | Chipindo

O município de Chipindo está a registar uma nova imagem nos últimos tempos, fruto da aposta que a administração local tem desenvolvido na recuperação e edificação de novos empreendimentos sociais.
Com o propósito de apagar as consequências do conflito armado, a administração municipal do Chipindo está a criar mais serviços para melhor atendimento das preocupações da população, com destaque para os sectores da educação, saúde e habitação.
Os serviços da administração começam a ser prestados em novas infra-estruturas, construídas de raiz, com vários compartimentos administrativos.
O administrador Miguel Salupassa avançou que, além destas infra-estruturas, o município vai assistir à construção de 200 fogos habitacionais, numa área de 25 hectares, a partir dos próximos dias.
Esta semana assistiu-se a cerimónia de adjudicação das obras para a construção de 20 casas evolutivas em Mboloteque, localidade fronteiriça com a província do Huambo.
O responsável disse que os principais beneficiários destes projectos habitacionais são os funcionários públicos e jovens, acções que visam motivar estas pessoas a continuar a trabalhar na localidade.
Na sede municipal, salientou o responsável, está em fase de conclusão a casa de passagem da administração, que foi projectada para acolher delegações governamentais e outros visitantes.
O administrador lamentou o mau estado das vias secundárias e terciárias, sobretudo, do troço Chipindo-Cuvango, numa distância de 100 quilómetros. Por causa do péssimo estado do citado troço, situação que se agrava no tempo chuvoso, a distância é percorrida em mais de três horas.
A circulação de pessoas e bens é um facto, principalmente o tráfego de autocarros provenientes do Huambo e Lubango, facilitando as trocas comerciais.
As obras de construção das estradas de Caconda e Chipindo, com a colocação do asfalto e a recuperação de pontes, estão avançadas.

Avanços na energia e água

O sistema de abastecimento de energia eléctrica e água potável, na sede municipaldo Chipindo , está a ser ampliado, no âmbito do programa “Água para todos”.
Miguel Salupassa referiu que a primeira fase do projecto de captação e distribuição de água beneficia, neste momento, 25 famílias. As obras da fase seguinte incluem a extensão das canalizações até às novas urbanizações.
Em termos de energia, a população da sede é alimentada por uma fonte alternativa, que garante também a iluminação pública das principais ruas da vila.
O responsável acredita na possibilidade do município beneficiar do aproveitamento hidroeléctrico do Ngove, situado entre as províncias do Huambo e Huíla, a cerca de 105 quilómetros da sede do município do Chipindo.
O administrador municipal do Chipindo argumentou que Chipindo, com uma população estimada em 80 mil habitantes, já não é o mesmo, o qual apresentava um grau de destruição acentuado em infra-estruturas.

Prospecção de ouro

O processo de prospecção de ouro, nas minas da comuna do Bambi, no Chipindo, pode começar ainda este mês, com a criação de condições para o desenvolvimento dos trabalhos, assegurou o administrador municipal.
Miguel Salupassa disse que o projecto já foi autorizado por despacho presidencial, que encarregou a empresa Ferrangol e consórcios de dinamizar as acções de pesquisa nas reservas de ouro, na localidade de Caromoroi. O administrador municipal disse que a exploração de ouro aumenta as receitas daquela parcela da Huíla, atraindo investidores, assim como cria mais postos de trabalho e contribui para a redução dos índices de pobreza.
O dirigente convidou os empresários nacionais e estrangeiros a investirem no município, uma vez que todos os sectores da actividade produtiva oferecem muitas possibilidades aos agentes económicos.
“Convidamos os grandes investidores a  direccionarem as suas acções a  esta localidade. Vamos continuar apelar o bom senso dos empresários”,  disse.

Agropecuária

Os efeitos da estiagem estão a ser sentidos pelos agricultores dos municípios da província da Huíla. Em Chipindo, a seca destruiu as culturas do milho e feijão.
 Por este facto, o administrador disse que os camponeses estão convencidos de que a campanha agrícola não vai ser muito boa. Após fracassarem no cultivo do milho, os camponeses optaram pela plantação do feijão, mas esta opção também não teve resultados, por causa da seca. “Não vamos morrer à fome, mas a situação é crítica”, frisou o administrador. No âmbito dos esforços para evitar a fome no seio da população, a administração distribuiu mais de 360 cabeças de gado.
 E a empresa contratada para a compra das alfaias agrícolas está a mobilizar e a entregar mais 160 cabeças e charruas aos camponeses das cooperativas dos municípios.O sector pecuário ainda é tímido, estando controladas 2.500 cabeças de gado bovino, disse o administrador municipal, que afirmou que as autoridades estão a trabalhar com os criadores tradicionais na definição de políticas para o repovoamento animal.

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