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Novas infra-estruturas em construção na Quilemba

Estanislau Costa e André Amar|Lubango

O pequeno edifício onde funciona a administração comunal da Quilemba, 40 quilómetros a norte da cidade do Lubango, está caduco e incapaz de satisfazer a dinâmica que se regista na vila.

Na comuna estão a ser construídas residências para alojar professores e um campo polivalente para o fomento da prática desportiva
Fotografia: Arimateia Baptista|Lubango

O pequeno edifício onde funciona a administração comunal da Quilemba, 40 quilómetros a norte da cidade do Lubango, está caduco e incapaz de satisfazer a dinâmica que se regista na vila. A casa possui um cenário desolador: tecto ruído, paredes com vestígios de infiltração de água, vidros quebrados, portas danificadas e mobiliário gasto.
 Dezenas de funcionários ligados às repartições da educação, saúde, energia e água, serviços comunitários e outras instituições públicas, partilham no dia-a-dia tais condições.  A comuna herdou da administração colonial parcas infra-estruturas públicas, a saber: pequeno edifício da administração, duas lojas, uma casa do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, posto de saúde e uma escola primária.
 Com o lançamento do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento e Combate à Pobreza (PMIDRCP), a comuna da Quilemba começa a mudar de imagem com a construção e reabilitação de infra-estruturas de impacto socioeconómico, com destaque dos sectores da Saúde, Educação, Transportes e Energia e Águas.
 A circunscrição conta também com um edifício novo para albergar todos os serviços administrativos cujo apetrecho com mobiliário e equipamento diverso vai proporcionar melhorias às actividades dos funcionários do Estado. O governo tenciona, com isso, dotar de capacidade humana e técnica o centro para facilitar a vida da população.
 O Jornal de Angola apurou que estão em execução na vila obras de construção de uma residência para hospedar os professores e um campo polivalente para o fomento da prática desportiva.
 O administrador da comuna da Quilemba, Simão Manuel, satisfeito com o arranque de quatro empreendimentos dos 11 previstos, disse que as empreitadas, já executadas em 60 por cento, são concluídas e entregues no mês de Agosto do corrente ano.
 O administrador informou que com a materialização do Programa de Investimentos Públicos (PIP), foi erguido, no princípio do primeiro semestre, na sede da vila uma escola com seis salas, com capacidade para 420 alunos nos dois turnos.
 O troço Lubango-Quilemba, com uma extensão de 40 quilómetros, foi terraplenado. A via alargada e melhorada tornou neste momento o trânsito mais fluido, assim como está a estimular o aumento da circulação de veículos, com ênfase para a corrida de táxis da cidade à comuna e vice-versa.
 
Empreiteira cumpre prazos

A empresa de construção civil local, Calive-Construções, que prima pelo respeito à qualidade na execução das obras, promete cumprir com o prazo de entrega das infra-estruturas, estipulado para Agosto próximo. “Estamos muito empenhados em entregar ao dono da obra a administração, o centro de saúde, residência e campo polivalente no mês previsto”, disse Nelson Nobrio, encarregado de obra.
 Os trabalhos executados até ao momento, disse, estão entre os 60 a 65 por cento, referindo que a nova estrutura da administração comunal, com mobiliário e equipamento diverso está orçada em 33 milhões de kwanzas.  A implantação do edifício ocupou uma área aproximada de 400 metros quadrados e é duas vezes maior em relação ao primeiro, herdado da época colonial. Os compartimentos da nova estrutura são dois gabinetes, sala da secretaria-geral, de reuniões, espaço para quatro repartições, duas casas de banho e outros.
 O centro comunal de saúde está projectado numa área de 600 metros quadrados e custou aos cofres do Executivo 20 milhões de kwanzas, incluindo o apetrecho. O imóvel vai contar com enfermarias para ambos os sexos, sala de parto, farmácia, consultório, área para os cuidados primários de saúde e outros serviços.
 Nelson Nobrio esclareceu que a residência dos professores, orçada em dez milhões de kwanzas, está a ser construída numa zona com 140 metros quadrados e possui três quartos, duas casas de banho, sala comum, cozinha, varanda e uma quinta para o cultivo de produtos hortofrutícolas.
 Para incentivar a prática do desporto e evitar que os jovens percorram longas distâncias para atingir o centro da cidade do Lubango, com o objectivo de usufruir dos sítios de lazer e recreação, está também em curso a construção de um campo polivalente, próximo da escola do I e II ciclo.
 
Comboio passa na vila
 
No trajecto para as cidades do Lubango e Namibe e vice-versa, o comboio do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes passa na vila, transportando passageiros e mercadorias diversas. O ancião João Capendae, ex-fiscal do CFM, disse que ao norte da Quilemba existe uma pequena área para a manobra do comboio.
 Com o processo de construção e reabilitação da via-férrea do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes paralisado há dois anos, o apito do comboio deixou de despertar a gente da pequena vila. Apesar disso, João Capendae diz que a paralisação do comboio não lhe entristece, já que se pretende fazer-se algo melhor. 
“Filho, o comboio parou, mas a situação vai melhorar com as obras que estão a ser feitas. Vamos ter uma nova linha-férrea, pois estamos a acompanhar os trabalhos dia e noite dos técnicos angolanos e chineses. Eles não dormem, só trabalham”, lembrou.
  A nova plataforma para implantação da nova linha-férrea está praticamente concluída. Agora iniciaram as obras de construção da nova estação do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes. Tão logo termine, os habitantes da comuna vão também usar o comboio na linha urbana a ser instalada.
A boa nova deixa feliz João Capendae, de 82 anos, que faz largos elogios ao trabalho que está a ser feito pelo Executivo para devolver o potencial do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, que vai ligar a Menongue (Kuando-Kubango), transportando pessoas e mercadorias.   
 “Se Deus me chamar já não vou assistir ao início da circulação do novo comboio na nova linha férrea, mas parto tranquilo, confiante e satisfeito com o trabalho feito pelo Executivo e o trabalho sério que todos os angolanos estão a fazer nesta terra abençoada com a paz”.
 
Nova vida em Agosto

Quando as empreitadas estiverem disponível para os 30.387 habitantes da comuna, a partir de finais de Agosto, a actual forma de convivência já não vai ser a mesma no seio das crianças, jovens e adultos. As condições vão estar criadas para uma vida condigna das famílias da circunscrição.
A jovem Lídia Cambangula, professora, vive na cidade do Lubango. Lecciona o ensino primário na vila da Quilemba e para lá chegar percorre diariamente 40 quilómetros. Contou que quando foi enquadrada, há três anos, fazia o trajecto de mota por não haver táxis.
 Disse que com obras de terraplenagem e alargamento da via e reabilitação do caminho-de-ferro as coisas vão melhorar muito.
 Os professores reagiram com agrado à construção da casa dos professores na vila. “Vamos ter possibilidade de pernoitar num local digno e com todas as condições quando houver muito trabalho”.
 Para o administrador da comuna da Quilemba, Manuel Simão, as novas infra-estruturas vão dar outra dinâmica à vila, com a possibilidade de funcionar já as repartições comunais da Educação, Saúde, Assistência e Reinserção Social, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria e outras.

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