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Novas infra-estruturas sociais estendem serviços às aldeias

Estanislau Costa | Lubango

Um número considerável de pacientes e respectivas famílias, assim como crianças em idade escolar deixaram de percorrer longas distâncias para atingir os centros médicos e escolas, na sequência dos avanços registados, na província da Huíla, no ano findo, nos sectores da Saúde e da Educação.

Sector da Saúde é um dos que mais cresceu nas zonas rurais da província da Huíla o que permite baixar os índices de mortalidade nas comunidades
Fotografia: Estanislau Costa | Edições Novembro | Huíla

Estão à disposição da população, principalmente nas zonas rurais, 27 centros municipais de referência e 37 postos médicos apetrechados com diversos equipamentos hospitalares e ambulâncias com condições de evacuar os pa­cientes às unidades com todos os serviços.
A assistência médica e medicamentosa foi reforçada com mais 93 médicos formados em diversas especialidades, com realce para a medicina geral, pediatria, ginecologia, obstetrícia, ortopedia, sendo alguns formados nas faculdades do país e outros no exterior.
Dados da Direcção da Sa­ú­de a que o Jornal de An­gola teve acesso atestam que os médicos foram distribuídos nos 14 municípios da Huíla de acordo com o número de habitantes, ficando o Lubango com 20, Matala com 10, seis para Caluquembe, Chibia, Gambos, Humpata, Jamba, Quilengues e Quipungo.
Os municípios de Ca­con­da, Cuvango e Chipindo foram contemplados com cinco médicos e dois para Cacula. Esta “performance” gerou um aumento de especialistas de 35, em 2014, para 164, em 2017, reduzindo o rácio de 71 mil, em 2014, para 15 mil pacientes por cada médico, no ano findo.
O sector da Educação, dis­se o governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyi­pin­ge, registou igualmente avanços por a maioria das infra-­estruturas serem implantadas próximo das comunidades rurais, facto que encurtou as distâncias e aumentou o fluxo de alunos nas salas de aulas.
Foram erguidas 11 escolas nos municípios da Chibia, Caluquembe, Cacula, Cuvan­go, Matala e Lubango que beneficiam cerca de 400.000 alunos do ensino primário e secundário do I e II ciclos. No ano lectivo findo frequentaram aulas acima de 870 mil alunos, sendo que algumas crianças estão inseridas em 1.962 salas provisórias.
O processo de ensino e aprendizagem é assegurado por sete mil e 176 professores, uma cifra considerada insuficiente para corresponder com a demanda. O facto de a maioria dos docentes serem bacharéis e licenciados em vários cursos contribui para uma formação de qualidade.

Reconhecimento


A construção de alguns estabelecimentos de ensino na periferia dos municípios e comunas mereceu o reconhecimento de crianças e jovens, que, apesar de ajudarem os pais na agro-pecuária, apostam nos estudos. Francisco Calengue, 16 anos, retomou os estudos no ano lectivo passado, devido à distância de casa ao local onde está a escola.
“Quando passei para a sexta classe deixei de ir à escola por estar longe e não tinha mais forças porque ficava muito cansado ao voltar do pasto.”
O jovem, que agora consegue conciliar o pasto e as aulas, encorajou o Executivo a construir escolas próximo dos bairros, para dar a oportunidade às pessoas das zonas isoladas se formarem, sem arcar com nenhum cus­to. Nambalo, que frequenta a 11.ª classe, está ansioso por faltar apenas um ano para ser professor do ensino pré-escolar.
“Estou a aprender as técnicas básicas de como lidar com as crianças do ensino primário, algo importante para a minha vida, por poder ser um bom professor”.

Professores ausentes

/>Autoridades tradicionais das áreas longínquas da província da Huíla estão insatisfeitas com as constantes ausências dos professores durante o curso das aulas, por residirem nos centros urbanos, prejudicando deste modo os alunos da região.
O soba António Pampala, do município de Chicomba, explicou que há professores que têm ficado muitos dias sem dar aulas por se ausentarem da localidade por motivos desconhecidos. “Já reclamamos às autoridades e esperamos que tal situação não volte a se registar no próximo ano lectivo”.
O soba apelou que haja maior organização na distribuição dos manuais do I e II ciclos para evitar que alguns livros sejam comercializados nos mercados paralelos a preços exorbitantes. “Os responsáveis das escolas devem distribuir os manuais e cadernos nas respectivas salas”.
Já o pastor da Igreja Evangélica do município de Chipindo, Alberto Francisco, defendeu que “é necessário criar-se mecanismos para que os equipamentos tecnológicos do mundo moderno cheguem também às salas de aula das escolas das zonas mais recônditas do país”.
Segundo o pastor, os alunos do último ano do I ciclo não podem só ouvir falar da existência do computador ou da Internet, mas também tomar contacto com o próprio equipamento e, se for caso, manejar os instrumentos que o professor coloca à disposição das crianças.
“As acções do género permitem minimizar as assimetrias que afectam a nossa so­cie­dade, começando mes­mo pelas próprias escolas, onde se registam diferenças acentuadas na questão de associar a teoria à prática”, disse o pastor da Igreja Evangélica no município de Chipindo, para acrescentar que urge a necessidade de se apetrechar as escolas das áreas rurais.

Reabilitação de áreas turísticas nas prioridades do Lubango

A reabilitação dos principais monumentos da província da Huíla, nomeadamente do Cristo Rei, Fenda da Tundavala e Cascata da Huíla, são prioridade da administração municipal do Lubango, no domínio cultural, do seu programa de 2018-2022.
A acção visa estimular o turismo e, segundo o administrador Francisco Barros, quando concluída vai atrair mais turistas, quer nacionais como estrangeiros, bem como aumentar a oferta de empregos e alargar as fontes de arrecadação de receitas para o Estado.
Sem revelar o orçamento, Francisco Barros disse ser intenção dar maior aproveitamento aos espaços públicos, rentabilizando-os, sobretudo os que se encontram quase abandonados, e proporcionando aos cidadãos a sua utilidade.
No entender de Francisco Barros, não se faz turismo sem a manutenção do saneamento básico da cidade e dos locais turísticos.
“Para mantermos a nossa cidade limpa e jardins recuperados a administração municipal precisa de meios suficientes para o efeito”, disse o administrador.
Francisco Barros considerou como aposta a preservação do meio ambiente, reservas florestais e aumento das áreas arborizadas da cidade.

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