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Novas infra-estruturas sociais revitalizam a comuna

João Luhaco | Lubango

A comuna da Huíla, 20 quilómetros a sul da cidade do Lubango, muda de aspecto todos os dias com a construção de infra-estruturas sociais, disse ao Jornal de Angola a administradora comunal, Ana Paula Domingos, que destacou a edificação de cem fogos habitacionais na região.

Centenas de habitações sociais erguidas a nível da comuna da Huíla começaram a ser entregues aos seus inquilinos
Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro

Fundada em 1887, a localidade impõe-se  pelo fomento da silvicultura e avicultura, assim como pela requalificação da conhecida Cascata da Huíla, principal cartão de visitas da comuna.
O projecto de requalificação, a ser negociado com a Administração Comunal, inclui a construção de “resorts”, uma pensão e um local de festas a céu aberto.
Embora destaque as novas construções, que vêm reforçar o turismo na região, onde antes existiam apenas alguns casebres de adobe, Ana Paula Domingos refere o impacto destas infra-estruturas na vida das populações locais.
Com as novas construções e projectos de impacto social, a região ganha o necessário para melhorar a qualidade de vida e atrai cada vez mais turistas.
Do projecto de cem habitações, 37 estão já concluídas, oito estão ainda sem cobertura e cinco encontram-se na base. Disse que as casas concluídas foram distribuídas  há um mês a professores, enfermeiros e antigos combatentes.
Essas residências, do tipo T2, foram instaladas em áreas de 600 metros quadrados, com sala comum, dois quartos, cozinha, casa de banho e varanda. Além das casas, está em construção uma escola com seis salas. “A comuna cresce a cada dia que passa”, afirma. “Somos notificados sempre por vários empresários com vontade de vir investir na comuna e nós  estamos de braços abertos para isso”, acrescenta.
A administradora comunal da Huíla aponta outros projectos realizados, como a construção de sistemas de água e energia eléctrica. A Administração Comunal distribuiu 72 lotes de terrenos, a maior parte a jovens que “têm o sonho da casa própria”. As autoridades fazem o acompanhamento no âmbito do programa da construção dirigida.

Progresso alargado

O crescimento da comuna da Huíla chegou às localidades do Munhino e Hidromina, que conhecem melhorias no sector da construção. Na Missão do  Munhino, que já formou muitas pessoas nas diversas áreas do saber, foram erguidas casas de construção definitiva, escolas, postos médicos e abertas  novas ruas.
Na Hidromina está a ser erguido o laboratório regional de Geologia e Minas e um condomínio de 30 casas para atender especialistas na área.  O ministro do sector, Francisco Queiroz, disse que este laboratório começa a funcionar ainda este ano e vai conferir nova imagem à localidade.
Em 2016, foi construída uma ponte de metal que liga a comuna ao município da Chibia, com 36 metros de comprimento e quatro de largura, e capacidade para suportar até 50 toneladas.
A governante acredita que, com as novas infra-estruturas sociais , “a comuna vai trazer de volta os turistas como se fazia no passado quando a Cascata da Huíla era um centro turístico de referência”.
Ana Paula Domingos considera que tudo isto “são os frutos da paz,  porque desde que alcançamos este grande bem, são só avanços, projectos atrás de projectos, com a livre circulação de pessoas e bens e a  construção de várias infra-estruturas sociais. A paz veio  para  melhorar  mesmo a vida da população”.
 
Projectos para 2017

 
A administradora comunal da Huíla pediu ao Executivo que reforce o fornecimento de energia. “Sentir-nos-íamos alegres se tivéssemos iluminação publica” na comuna sede, afirma, sorrindo. Sugere que seja instalado um PT no quilómetro 14, perto da localidade, com 22.500 habitantes.
“Gostávamos de ter cá na comuna um hospital de referência, onde podíamos ter um laboratório de análises clínicas, centro de aconselhamento, visto que na comuna da Huíla há uma grande desistência por parte de pacientes na tomada de medicação para a HIV”, frisa.
Ana Paula Domingos prevê, para 2017, a construção de três escolas do primeiro ciclo, uma do segundo e a biblioteca. “Precisamos de muitas escolas para acudir algumas localidades desfalcadas, como, por exemplo, Utungule, Tchicue, Catala, Camongua, Hidromina e Coluvio, visto que alguns estabelecimentos escolares estão muito longe e os alunos ficam fora do sistema de ensino”, sublinhou.
 
Satisfação da população


A população da comuna da Huíla manifesta o reconhecimento do que está a ser feito e sugere que para se alcançar a excelência ainda tem de se trabalhar muito. É o caso de José António Munjimbo, que nasceu na comuna da Huíla e, no seu entender, o crescimento está a andar de forma rápida.
“Na comuna da Huíla, hoje, vê-se um maior desenvolvimento, como a construção de casas e de algumas infra-estruturas, como escolas,   posto de saúde, mercado, energia eléctrica e agua”, aponta. Jose António Munjimbo reconhece que a Comuna “não se compara com aquela Huíla do antigamente, pois hoje “já temos as novas casas entregues. Como filho desta comuna, tenho orgulho em cá viver”.
O morador, que se mostra pronto a contribuir para o desenvolvimento da terra natal, disse acreditar que a comuna  da Huíla vai crescer muito mais com a participação da população, em particular dos jovens.
“A maioria da população da Huíla é jovem e está apostada na formação, que é o que queremos para o desenvolvimento da nossa comuna”, referiu o munícipe.
José António Munjimbo queixa-se da falta de postos de trabalho e rendimentos, com vista, sobretudo, a adquirir casa própria.
O munícipe vive na comuna da Huíla há nove anos. Diz que o crescimento é de grande qualidade.
“Temos registado o surgimento de alguns empreendimentos sociais e económicos, há a atribuição de terrenos para a juventude e para aqueles que querem construir, temos o sistema de água e iluminação. A energia eléctrica já foi reabilitada e existe uma  captação e bombagem de água, que abastece a população três vezes por semana”.

Fundação da comuna   

A povoação da Huíla foi fundada em 1887 e por isso completa 130 anos de existência neste ano. As construções intactas de adobe e outras de tijolo bruto continuam a fazer história. Como referências, existem a Missão Católica da Huíla, construída há mais de 80 anos, e o cemitério ao lado da igreja e por detrás da missão, com as sepulturas dos primeiros missionários.
Os primeiros colonos madeirenses a explorar a região instalaram-se na comuna da Huíla, provenientes de Moçâmedes e só depois foram para o Lubango. A administradora comunal disseque “não se pode falar da fundação do Lubango sem mencionar a comuna da Huíla, esta é a comuna mãe”. A História refere que o nome atribuído à província da Huílla pode ter sido nascido aí, por ser tida como uma das povoações mais antigas. A comuna da  tem 640 quilómetros quadrados e perto de cem mil habitantes, na maioria na etnia Nhaneca Umbi.

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