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Novas latrinas municipais melhoram higiene pública

Domingos Mucuta| Lubango

A construção de 18 mil latrinas públicas nos municípios da Huíla está a reduzir a proliferação de doenças provocadas pelo hábito de defecar ao ar livre, declarou ontem, na cidade do Lubango, o director provincial da Energia e Águas.

Abel da Costa director provincial da Energia e Águas acredita no êxito do projecto
Fotografia: Arimateia Baptista

A construção de 18 mil latrinas públicas nos municípios da Huíla está a reduzir a proliferação de doenças provocadas pelo hábito de defecar ao ar livre, declarou ontem, na cidade do Lubango, o director provincial da Energia e Águas.
Abel da Costa disse que as latrinas, construídas com a participação das comunidades, são o resultado da execução, nos últimos três anos, do programa de “combate à defecação ao ar livre”, materializado pelo governo provincial em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
As latrinas foram construídas em aldeias, bairros, escolas e outros espaços públicos, com realce para os municípios do Lubango, Matala, Caconda e Caluquembe. O programa assenta no conceito de “saneamento básico liderado pela comunidade” e incentiva as famílias a construírem latrinas para evitar o hábito de defecar a céu aberto.
O governo da Huíla deu instruções aos organismos afectos às obras públicas para a integração de casas de banhos nos projectos de infra-estruturas escolares, hospitalares, desportivas, culturais e outros.
A direcção provincial da Energia e Águas e os parceiros sociais continuam a desenvolver palestras para sensibilizar a população sobre os cuidados a ter com as fezes, para evitar a contaminação de águas e outros produtos através das moscas.
A acção está a consciencializar crianças, jovens e adultos para esta causa e evitar a propagação de doenças e mortes.
Abel da Costa está preocupado com a contaminação dos rios Mukufi e Caculuvar pelos habitantes da Lubango, porque a jusante muitas famílias residentes nas margens utilizam esta água para vários fins.
“Este hábito é a principal causa de muitas mortes de crianças e adultos e resulta da ausência de saneamento básico. A defecação ao ar livre e a falta de higiene são causadores de doenças que matam muitas pessoas”, disse o director provincial da Energia e Águas.

Seminários locais

A materialização do programa foi antecedida da realização de seminários municipais sobre saneamento e higiene.
A ideia é promover uma abordagem sobre saneamento liderado pela comunidade, facilitando o pro­cesso participativo e de análise do meio ambiente, para gerar comportamentos e atitudes de mudança quanto à higiene.
Os habitantes definiram os seus planos de acção, com a realização nas respectivas áreas de residência de encontros sobre saneamento e higiene. Lubango acolhe este mês o próximo encontro municipal.
Cada município constituiu uma comissão, com responsabilidades específicas sobre saneamento e higiene. Estes órgãos englobam organizações da sociedade civil, autoridades tradicionais, instituições estatais e outras entidades locais.
As comissões têm a obrigação de produzir informações sobre as medidas básicas de higiene, implementar sistemas de acompanhamento e criar instrumentos de verificação do progresso a nível municipal e comunal.
As administrações municipais assumem compromissos de execução do programa, segundo um documento a que o Jornal de Angola teve acesso. As administrações disponibilizam espaços e recursos para a construção de estaleiros sanitários municipais e a criação de centros de formação e de aprendizagem.
O dossier salienta que as autoridades administrativas locais garantem a definição e execução de mecanismos adequados para aumentar a capacidade dos intervenientes no processo de saneamento e higiene e atingir os objectivos do programa “Huíla, província sem defecação ao ar livre”.
As administrações municipais devem, em paralelo com os programas de abastecimento de água, inserir e garantir as acções do saneamento e higiene, enquadrando-os no orçamento municipal.
Os órgãos locais do Estado têm encorajado e apoiado a criação de pequenos sistemas de água e saneamento nas comunidades, através do programa “Água para todos”. As administrações públicas concedem incentivos às aldeias, bairros, vilas e localidades mais empenhados no combate à defecação ao ar livre, como forma de motivação e apreciação positiva dos resultados alcançados.

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