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Novo centro de saúde salva vidas na Quilemba

Estanislau Costa | Lubango

Os habitantes das povoações de Mukuaweheke, Nonjivi, Canhongolo, arredores da comuna da Quilemba, passaram a dispor, há três meses, de assistência médica e medicamentosa em condições dignas, com a construção e apetrechamento do novo centro de saúde.

Administrador fala dos projectos em curso
Fotografia: Arimateia Baptista | Lubango

Os habitantes das povoações de Mukuaweheke, Nonjivi, Canhongolo, arredores da comuna da Quilemba, passaram a dispor, há três meses, de assistência médica e medicamentosa em condições dignas, com a construção e apetrechamento do novo centro de saúde.
Emília Kassinda é mãe de seis filhos e vive na localidade de Nonjivi, onde exerce actividade na agropecuária. Sem qualquer hesitação, afirmou ao Jornal de Angola que o centro, inaugurado em princípios de Dezembro pelo governador provincial da Huíla, Isaac Maria dos Anjos, está a evitar que pacientes e acompanhantes percorram 40 quilómetros para serem assistidos nos hospitais do Lubango.
“Agora não precisamos de recorrer à pediatria, maternidade ou ao hospital central do Lubango com os nossos doentes, para serem tratados ou para dar a luz. O nosso centro está já a fazer esses serviços e a dar conselhos sobre o aleitamento materno, prevenção da Sida e outras doenças”, disse.
Emília Kassinda acrescentou que a população da região deixou de gastar dinheiro nos táxis ou de pedir boleia para levar os doentes aos hospitais do Lubango, devido ao bom funcionamento e atendimento permanente do novo centro. “As mortes diminuiram, por termos o centro próximo da população”.
As infra-estruturas públicas construídas na comuna, com fundos do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza, mereceram também o reconhecimento das autoridades tradicionais. O soba grande da Quilemba, Camati Tchipikita, disse que “o sofrimento e fadiga de procurar e pagar o táxi para levar os doentes ao Lubango chegou ao fim”.
Kamati Tchipikita afirmou que a falta de um centro com condições na comuna fez com que “várias famílias recorressem a raízes para combater as doenças. Às vezes, os remédios usados eram impróprios ou administravam-se doses exageradas, o que provocava outras complicações aos doentes”.
O novo centro, não tem dúvidas, renova a esperança dos pacientes e familiares, por cuidar de todas as pessoas com delicadeza, atenção e paciência. O soba elogiou as autoridades da província por apetrecharem os hospitais com medicamentos, evitando a compra de fármacos em locais duvidosos.
“Já não estamos a comprar medicamentos nas praças nem a levar comida para os nossos filhos internados. O centro está a dar o essencial para as pessoas acamadas”, disse a autoridade tradicional, para acrescentar que as actuais condições incentivam os familiares a levarem os pacientes.

Combate à Pobreza

O centro comunal de saúde da Quilemba, resultante da execução do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza, custou 120 milhões de kwanzas e foi erguido por uma construtora local, em 120 dias. Dispõe de salas para consultas externas, pré-natais, parto e pós-parto, internamento com 20 camas, de rehidratação, farmácia, laboratório, uma área do Programa Alargado de Vacinação e compartimentos para os serviços administrativos.
A comuna herdou da administração colonial exíguas infra-estruturas públicas, nomeadamente o pequeno edifício da administração, duas lojas, uma casa dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes, posto de saúde e uma escola primária. O edifício da administração está caduco e incapaz de satisfazer a dinâmica da vila.
Dezenas de funcionários ligados às repartições da Educação, Saúde, Energia e Água, Serviços Comunitários e outras instituições públicas, partilham, no dia-a-dia, estas condições, fazendo com que a prestação de serviços na Quilemba continue depois da hora normal de expediente.
A concretização do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza melhorou o aspecto da comuna, com a construção e abertura ao público de imóveis de impacto socioeconómico, com destaque para os sectores da Saúde, Educação, Transportes e Energia e Águas.
O novo imóvel da administração comunal possui gabinetes para o administrador e seu adjunto, secretaria, área de serviços gerais, entre outros. A sua construção custou ao Estado 26 milhões de kwanzas. O administrador, Manuel António, afirmou que o novo imóvel “dá dignidade aos funcionários públicos”. Manuel António explicou que entre os novos imóveis erguidos na comuna constam uma moradia do tipo T2 para acomodar os professores, um campo polivalente para incentivar a prática desportiva, principalmente no seio das crianças e jovens residentes na circunscrição.
Os mais de 420 alunos que frequentam as aulas na nova escola, com seis salas, erguida com fundos do Programa de Investimentos Públicos (PIP), não possuíam um espaço para desenvolver a actividade desportiva. O campo vai ser aproveitado para o fomento de várias modalidades desportivas e descobrir talentos. As obras de impacto social que estão a ser executadas dão nova dinâmica ao progresso da localidade e tornaram mais atractiva a convivência na comuna, que tem 30.387 habitantes. O administrador de Quilemba afirma que as condições de vida da população estão a registar melhoras.

Comboio e nova centralidade

A linha-férrea, que permite a circulação do comboio do Lubango ao Namibe, passa pela vila. As obras de reconstrução e modernização dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes, em curso, já chegaram à zona da Quilemba, onde existe um local para manobras das locomotivas.
Os populares que seguem as obras, a cargo de uma construtora chinesa, têm a certeza de que a zona vai desenvolver-se mais com a circulação do comboio e com a execução do programa de expansão da cidade do Lubango, que torna a Quilemba uma nova centralidade.

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