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O saneamento é um direito humano

Arão Martins | Lubango

O representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), na região sul, Paulo Mendes, afirmou quinta-feira, no Lubango, que a higiene e o saneamento estão entre as formas mais benéficas de intervenção de saúde pública, para a redução da mortalidade infantil.

Governo Provincial da Huíla aposta no reforço do sistema de recolha de resíduos sólidos para melhorar a saúde das crianças
Fotografia: Arão Martins

Paulo Mendes, que falava no seminário provincial de Planificação e Implementação de Programas de Saneamento Total Liderado pela Comunidade, a cargo do Executivo, em parceria com a UNICEF nas províncias da Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango, garantiu que o acesso ao saneamento é um direito humano fundamental para a protecção da saúde e da dignidade humana.
No seminário, em que participaram administradores municipais e seus adjuntos, responsáveis das secções do Urbanismo e Habitação, serviços comunitários, entre outros, foram debatidos temas sobre a avaliação e monitorização dos programas de saneamento básico, metodologias a introduzir no plano de saneamento total liderado pela comunidade, recursos e equipamentos necessários para a aplicação do programa.
O representante da UNICEF disse que um ambiente limpo e o acesso à água potável beneficiam as crianças, melhorando o seu desenvolvimento físico e mental a longo prazo.
“Os benefícios estendem-se a toda a sociedade, em termos de saúde, força de trabalho e desenvolvimento económico”, disse o responsável da agência das Nações Unidas.
O saneamento é uma prática simples e chave que deve constar das prioridades de todos os governos e comunidades, para proteger as crianças e suas famílias dos inúmeros problemas de saúde relacionados com a eliminação insegura de dejectos humanos, que favorecem a transmissão de doenças diarreicas, parasitárias, atraso do crescimento dos menores e o seu enfraquecimento. Em Angola, a falta de saneamento é um sinal de pobreza e representa um dos maiores desafios para o desenvolvimento humano. Os dados disponíveis no inquérito sobre o bem-estar das populações demonstram que apenas 50 por cento da população tem acesso ao saneamento e cerca de 42 por cento continua a praticar a defecação ao ar livre, o que põe em risco a saúde e a qualidade de vida das crianças e da comunidade em geral.
O programa é um bom investimento, que pode resolver o problema da falta de saneamento em Angola. “É uma iniciativa eficaz e de baixo custo, que vai ao encontro dos aspectos fundamentais do desenvolvimento humano.”
O representante da agência das Nações Unidas felicitou o Governo Provincial da Huíla por acolher a iniciativa, numa demonstração clara do compromisso para um investimento no saneamento adequado e numa planificação com equidade e de impacto directo na melhoria da saúde das populações.

Melhorias no saneamento

 
A vice-governadora provincial da Huíla para o sector Político e Social, Maria João Chipalavela, afirmou que o país tem conhecido melhorias significativas no desenvolvimento humano. As melhorias estão patentes nas taxas de alfabetização, serviços de saúde e segurança alimentar, que são indicadores importantes dos compromissos do Desenvolvimento do Milénio. A defecação ao ar livre contribui para a poluição ambiental com microrganismos que provocam cólera, febre tifóide e outras doenças, que podem ser prevenidas com outros comportamentos de higiene e limpeza.
O Plano Nacional de Desenvolvimento 2013/2017 propõe como uma das medidas fundamentais a promoção e a construção de importantes infra-estruturas ao nível do saneamento básico na área urbana e rural.
A vice-governadora provincial disse que é importante definir estratégias claras e construtivas de participação que podem criar melhores condições de saúde e de qualidade de vida em todos os aspectos da vida dos cidadãos.

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