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Oferta de acessórios aos motoqueiros de Caluquembe

Arão Martins| Caluquembe

A ignorância do uso do capacete e a falta de conhecimento das regras de trânsito são algumas das causas do elevado número de mortes causadas por acidentes de motorizadas no município de Caluquembe, na província da Huíla.

Presidente da AJAPRAZ Bento Raimundo reconheceu o trabalho e o contributo dos mototaxistas para o bem da sociedade
Fotografia: Arão Martins| Huíla

Numa curva apertada na rua Camangando, arredores da sede municipal, deu-se uma recente colisão entre duas motorizadas de marca TVS, guiadas, respectivamente, por António Nhanga e Paulino Marcelino.
O embate espantouos peões, que prontamente acorreram ao local para socorrerem os acidentados. A fractura de António Nhanga na perna direita imobilizou-o, impedindo-o de levantar-se do chão, e Paulino Marcelino sofreu ligeiras escoriações no braço direito.
Os sinistrados foram levados para o Hospital de Caluquembe, dependente da Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA). 
Outro choque de motorizada contra um obstáculo fixo, na aldeia de Calonali, foi fatal para o cidadão Gabriel Eugénio.Um familiar da vítima, Isaac Nongue,disse à reportagem do Jornal de Angola que o consumo álcoolesteve na origem da morte de Gabriel, que deixou dois filhos. No pátio das consultas externas do Hospital de Caluquembe o silêncio é interrompido pelos gritos de familiares que se apercebem da morte de Cafuile Ngongo, em outro acidente de motorizada na localidade de Cue I. 
“Esta gritaria é frequente. Tudo isso acontece por causa do desvario de muitos jovens que conduzem motorizadas sem o mínimo conhecimento das regras de trânsito e da necessidade de uso do capacete, um dos acessórios mais importantes para prevenir a morte em caso de um acidente de motorizada”, explica o enfermeirode serviço, Nataniel José. Apesar de não ser o seu “metier”, o enfermeiro Nataniel sabe que, actualmente, conseguir obter uma motorizada em Caluquembe já é um “aspiração” para as pessoas. Antes, lembra, a batalha era possuir uma cabeça de gado. Hoje muitos preferem uma motorizada, porque passou a constituir uma fonte de rendimento.
 
Sociedade civil em acção
 

O incentivo ao uso de capacetes, para ajudar a prevenir o elevado número de acidentes de motorizadas, fez com que a Associação dos Jovens Provenientes da Zâmbia(AJAPRZ), começasse a distribuir capacetes. Na semana passada, cerca de três mil capacetes de diversos tipos foram oferecidos a mototaxistas do município de Caluquembe.
Associação organizou um acto no campo municipal de futebol, na comuna sede de Sandula, do município de Caluquembe, situado a 190 quilómetros a norte da cidade do Lubango, que foi presidido pelo presidente desta importante organização da sociedade civil angolana, Bento Raimundo.
Com isso, receberam capacetes alguns mototaxistas das comunas da Negola, Calepi e Sandula, catequistas e responsáveis de igrejas erepresentantes das autoridades tradicionais das aldeias de Etete, Calonali, Calongoti, Caloningui, Kussuka, Noni, Lomba Alto e Baixo, Calonhoha, Cue I e II, Calupele, Vionga, entre outros.Bento Raimundo, presidente da AJAPRZ, exortouos motociclistas a usarem capacete porque ele é importante para preservar a vida, em caso de acidente, e a vida é obem mais precioso do Mundo. 
 O activista cívico reconheceu o trabalho e o contributo dos mototaxistas para o bem da sociedade, proporcionando transporte, sobretudo, das mulheres que vivem no meio rural, mas lembrou que se torna difícil sair de casa e de seguida os familiares receberema notícia da ocorrência de um acidente mortal com um entre querido, por falta de capacete. “Por isso, temos que nos precaver dos acidentes”, aconselhou.
“Muitos de vocês foram militares e lutaram para que o país alcançasse a paz. Muitos ganham, neste serviço de mototáxi, o sustento para as famílias. O Executivo tem estado a fazer tudo para que os ex-militares, e não só, tenham uma vida melhor. Repudio aqueles que continuam a protagonizar actos que visam denegrir o curso das acções já realizadas pelo Governo”, notou Bento Raimundo, reafirmando a necessidade de se continuar a defender a paz, a unidade e a reconciliação nacional, porque “todos nós, como angolanos, estamos condenados a viver juntos”.

Mais vida na terra
 

O administrador municipal de Caluquembe, José Arão Nataniel, esteve presente no local da cerimónia e disse que a Administração Municipal está satisfeita com o trabalho dos mototaxistas no transporte dos produtos do campo para o centro urbano e vice-versa. 
A grande preocupação, frisou José Nataniel, é que muitas das motorizadas dos taxistas “não estão habilitadas a realizaro transporte de passageiros, mas fazem-no à revelia” das regras, o que considerou um “desafio às autoridades”.
“A circulação de uma motorizada na via rodoviária exige uma chapa de matrícula e a documentação necessária”, sublinhou o administrador municipal, para acrescentar que é nesse sentido que administração está a trabalhar para que, caso a motorizada seja roubada, a polícia tem como identificar.
Francisco Manuel, condutor de motorizada, assistiu ao acto e disse que a distribuição de capacetes de forma gratuita pela AJAPRZ é um gesto que contribui “viver mais dias” na terra. “Muitos colegas meus morreram em acidentes por falta deste acessório”, disse Francisco. “Às vezes”, acrescenta, “ter vontade de possuir um capacete não falta, mas a falta de dinheiro faz com que tal intenção seja adiada.”

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