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Perímetro das Gangelas com bons resultados

Estanislau Costa | Chibia

Mais de 50 agricultores produzem essencialmente frutas e usam fertilizantes vegetais ocupando um espaço actual de 118 hectares
Fotografia: Arimateia Baptista | Chibia

Os agricultores que exploram as terras férteis do perímetro irrigado das Gangelas, no município da Chibia, a 45 quilómetros do Lubango, consideram positivos os resultados da lavoura de hortofrutícolas e tencionam passar agora à fase de consolidação do projecto.
Aurélio Cabral possui uma parcela de 17 hectares de terras aráveis na zona irrigável do perímetro das Gangelas e está satisfeito com as safras de laranjas, mangas, limão e hortaliças, que obteve nos últimos três anos de intensa actividade agrícola. “Apostei no cultivo destes produtos por haver ainda escassez dos mesmos no mercado”, explicou.
Aurélio confessa que da prospecção de mercado efectuada, concluiu ser ainda necessário aumentar a produção de fruta e legumes. A sua lavra, além de milho e feijão em quantidades, produz ginguba e soja, por serem muito procurados no mercado, devido à sua riqueza nutricional.
Este agricultor, que já empregou mais de dois milhões de kwanzas na preparação de solos, instrumentos de trabalho, cultivo e mão-de-obra, plantou, até ao momento, 20 mil pés de abacaxi e prevê atingir 200 mil pés. “As plantas adaptaram-se ao clima e estão a desenvolver-se bem, razão que motiva o aumento da produção”.
O processo de escoamento dos produtos do campo tem suscitado preocupação aos produtores que, na maioria dos casos, exerce a dupla função de produtor e comerciante. Aurélio deu primazia aos contactos com as unidades hospitalares para abastecimento logístico e está a dar benefícios.
“Estamos a abastecer alguns centros hospitalares da província e os principais mercados paralelos com produtos hortofrutícolas”, disse, para acrescentar que é necessário que todas as empresas com prestação de serviços na área alimentar prefiram os produtos nacionais.
O tio Manuel Severino, outro empresário agrícola com sete hectares produzidos no perímetro em referência, colheu na época agrícola passada seis toneladas de milho, igual quantidade de feijão, além de apostar também na produção de frutas, como laranja e limão.
O período de estiagem que assolou vários pontos do país, afectou as culturas de milho e feijão do tio Severino. “Perdi quantidades consideráveis de feijão e milho por causa da seca. Com o início das chuvas, estou empenhado em tentar recuperar as perdas pelo menos de feijão com a plantação de cerca de quatro toneladas”, afirmou.
Manuel Severino, apesar de ter sucesso na adaptação das culturas de laranjeiras e limoeiros, está aflito com o escoamento de duas toneladas de limão. “Tenho agora o limão quase a estragar-se por falta de escoamento. No geral, são 15 toneladas do produto, incluindo as quantidades dos outros agricultores”, contou.
O problema da estiagem prolongada e a falta de escoamento de certos produtos pode comprometer o reembolso do Crédito de Campanha que contemplou vários agricultores do município da Chibia com terras no perímetro irrigado das Gangelas.
O jovem Núrio da Costa, que após concluir o curso de agronomia no Instituto Agrário do Tchivinguiro quer ser um fruticultor de renome no município da Chibia, explora uma área de cinco hectares, onde plantou 854 pés de laranjeiras, 72 de limoeiros, 69 de mangueiras e usa fertilizantes vegetais (estrume bovino).
Os agricultores Aurélio Cabral e Manuel Severino consideram os dez anos de paz muito importantes, por terem devolvido e melhorado a produção agrícola na zona de cultivo do município  da Chibia, com a reabilitação da barragem e do perímetro irrigado da Gangelas. “Hoje, temos terras aráveis, água e apoio de equipamento mecanizado para produzir ininterruptamente”, sublinharam.

Perímetro produtivo

A Sociedade de Gestão do Perímetro Irrigado das Gangelas (Sogangelas) tem a missão de promover e fomentar a produção agrícola à dimensão industrial. Os primeiros passos relativos à lavoura foram dados em 2008 e, no ano seguinte, os agricultores colheram 106 toneladas de milho, 16 de feijão e enormes quantidades de produtos hortícolas.
A administradora da área Técnica da Sogangelas, Josefa dos Santos, explicou que o perímetro possui uma área de 6.220 hectares, dos quais 1.992 agricultáveis e 1.525 com possibilidade de produzir, com o auxílio do sistema de irrigação. O perímetro produz essencialmente frutas, ocupando um espaço actual de 118 hectares, entre os quais, 73 são de laranjeiras, 12 de mangueiras e oito de limoeiros e goiabeiras. O Jornal de Angola apurou que já estão plantados e a dar frutos 26.874 árvores laranjeiras, 2.626 mangueiras, e 1.019 limoeiros.
Josefa dos Santos afirmou que exploram as áreas produtivas mais de 62 agricultores, camponeses e jovens empreendedores formados no Instituto Agrário do Tchivinguiro. “Há também um número considerável de trabalhadores que prestam serviços a vários utentes dos espaços”.
A administradora assegurou haver novos espaços para exploração agrícola para novos empreendedores da Huíla e de outros pontos do país. Para o efeito, devem contactar a gestora do perímetro, comparticipar com 25 mil kwanzas por hectare de terra por um período de cinco anos.
A inovação da direcção da Sogangelas prende-se com o arranque do processo de experimentação da produção de abacaxi, cujo estudo de viabilidade económica oferece bons indicadores e as plantas podem desenvolver-se com facilidade. Estão já plantados mais de 40 mil pés de abacaxi. Importa realçar que o Executivo investiu mais de 28 milhões de dólares na reabilitação da barragem e do canal de irrigação das Gangelas. O perímetro irrigado possui uma extensão de 23,7 quilómetros e pode levar água a cerca de 2.270 hectares de terras.

Diversificação das culturas

A experiência do cultivo de batata-doce desenvolvida pela Sogangelas, a partir do ano passado, registou a adesão considerável dos camponeses e agricultores, devido ao aumento das quantidades colhidas. A espécie do produto produzida e distribuída pelo Centro Experimental da Humpata, favoreceu a diversificação das culturas e melhorar a dieta alimentar.
A nova espécie de batata-doce foi também testada pelos camponeses que cultivam as terras aráveis, além da Chibia, dos municípios de Caluquembe, Humpata, Matala e Quipungo, visando corresponder ao projecto de Fomento da Produção e do Combate à Fome e à Pobreza.
A acção promovida pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) e outros parceiros, abrangeu 522 camponeses. Os tubérculos são 45 variedades de batata-doce, entre as quais do tipo 1, 11, 13, 15 e 17, assim como Zapalo e Mugic. Trata-se de qualidades fáceis de adaptação e com bom poder de germinação.
Um agrónomo que coordenou o projecto experimental ao longo do canal de irrigação da barragem das Gangelas disse que os ensaios feitos na zona piloto do perímetro da Chibia contribuíram para alargar o cultivo e superar a carência de alimentos nas épocas de estiagem.
As sementes foram ensaiadas numa parcela de 0,5 hectares e os resultados são positivos. “É a primeira vez que se faz a introdução da batata do tipo 15 no país e o produto pode ainda servir para o fabrico de pão e sumo”, declarou.
Os camponeses envolvidos na fase experimental, já concluída, tiveram êxito e continuam com produção do tubérculo devido à boa qualidade, aceitação e muita concorrência no mercado. A inovação vai também abranger os camponeses dos municípios de Cacula, Caconda, Cuvango e Chipindo.

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