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Pesca fluvial aumenta capturas na Huíla

Arão Martins | Lubango

Sílvio Levi, responsável do Instituto das Pescas na Huíla, informou que no ano passado houve um aumento considerável na captura de pescado nos rios e lagoas da província, com a introdução de novas embarcações e artes modernas de pesca.

Várias famílias têm na venda do pescado o seu ganha pão
Fotografia: Jornal de Angola

Sílvio Levi, responsável do Instituto das Pescas na Huíla, informou que no ano passado houve um aumento considerável na captura de pescado nos rios e lagoas da província, com a introdução de novas embarcações e artes modernas de pesca.
Os pescadores artesanais dos municípios da Matala, Cuvango, Jamba, Caconda, Chicomba, Quipungo, Lubango e Chibia capturaram durante o ano passado 262.869 toneladas e peixe. Comparativamente ao ano anterior, “foram ainda introduzidos equipamentos de protecção, processamento e manuseamento, incluindo as artes de pesca”, disse Sílvio Levi.
No âmbito do programa de combate à fome e à pobreza foram introduzidas na região 130 canoas a remos, 100 canoas motorizadas e 549 canoas tradicionais. O nível de captura que se regista na província exige meios de conservação do peixe e os pescadores têm de aprender técnicas do seu manuseamento, para valorizar o produto junto dos clientes.
Sílvio Levi disse que o Instituto das Pescas está a fazer uma investigação para definir a nomenclatura das espécies capturadas e para conhecer a biodiversidade aquática da região.
O responsável do Instituto de Pescas da Huíla referiu que no município de Kucango há um projecto de promoção da pesca desportiva e nos municípios de Chicomba, Caluquembe e Caconda foram realizadas feiras de peixe, produto apresentado como recurso local a ter em conta na dieta das populações e para aumentar os seus rendimentos. A pesca na província da Huíla é desenvolvida nos rios Cunene, Quê, Cuando, Cuvango, Cutatu, Caculuvar, Chipoponhino, Colui, Mbale, Chibalebale incluindo algumas lagos e nas barragens hidroagrícolas do Sendy, Neves, Chicungu e outras linhas de água que atravessam aglomerados populacionais no meio rural.
O fomento da pesca fluvial nas comunidades ribeirinhas da província da Huíla continua este ano e os resultados são “muito animadores”. A exploração tornou-se sustentável com a introdução de novas artes de pesca, promovendo uma prática responsável. Com o acumular de experiências, a investigação das espécies e a introdução de embarcações a motor e novas artes de pesca, as populações das zonas ribeirinhas da Huíla melhoraram substancialmente o seu nível de vida. A pesca hoje representa um factor fundamental no desenvolvimento socioeconómico das comunidades rurais porque continua a criar novas oportunidades de emprego e é uma fonte importante de rendimentos.
Na província da Huíla, a pesca fluvial tem conhecido avanços significativos e hoje há centenas de mulheres a venderem o peixe de diferentes espécies dos rios. Para regularizar a actividade, a Direcção Provincial da Agricultura e do Desenvolvimento Rural e Pescas, através do Instituto de Pesca Artesanal e Aquicultura, incluindo a equipa de investigação científica, está a impor uma pesca responsável para evitar a pesca excessiva que conduz sempre à delapidação dos recursos e põe em risco as espécies.
O representante do Instituto de Pescas da Huíla, Sílvio Levi, afirmou que a exploração e gestão dos recursos biológicos aquáticos promoveu arranjos de ordenamento das zonas piscatórias da província da Huíla.
Referiu que para a protecção e multiplicação das espécies, foram definidas as épocas de defeso. Sílvio Levi reconhece haver necessidade do enquadramento científico das épocas de pesca, harmonizando o seu ordenamento em relação às potencialidades das zonas de produção.
 
Áreas de protecção
 
Na província da Huíla existem áreas de protecção como é o caso da barragem hidroagrícola das Nganjelas no município da Chibia, Lago da Tundavala, município do Lubango e a lagoa da barragem das Neves, município da Humpata.
Na aquicultura, já existem explorações de criação de peixe. Mas nesta área são indispensáveis os apoios técnicos e de formação: “são necessidades primárias se queremos ter sucesso na aquicultura”, disse Sílvio Levi.
Tendo em vista ao melhoramento e desenvolvimento das comunidades rurais, a Direcção Provincial da Agricultura e do Desenvolvimento Rural Pescas e Ambiente da Huíla, através do Instituto de Pescas, vai desenvolver um plano para aumentar a valorização dos recursos aquáticos, promovendo um indicativo capaz de qualificar a actividade da pesca como um instrumento para eliminar a fome e reduzir a pobreza.
Sílvio Levi disse que a sua instituição trabalha na promoção de uma organização que facilite o ordenamento das zonas piscatórias e faz estudos de potencialidade piscatória para adequar a frota de pesca à disponibilidade dos recursos.
Entre as acções a desenvolver este ano, consta a divulgação e valorização da lei dos recursos biológicos aquáticos, a criação de uma rede de oportunidades como indicador de progresso de actividades e efectuar visitas às zonas piscatórias para fortalecer a colaboração com as autoridades locais.

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