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Pessoas vulneráveis aprendem técnicas

André Amaro | Lubango

Um total de 113 responsáveis de famílias vulneráveis, na província da Huíla, está a aprender técnicas e meios materiais que permitam a sua auto-subsistência e prevenir casos de abandono familiar de crianças e fuga à paternidade.

Na Huíla onde as famílias têm a agricultura como actividade primária a instituição está a ceder pequenas parcelas de terras e sementes
Fotografia: André Brandão

A iniciativa, que numa primeira fase contempla famílias de 518 crianças das comunidades do município do Lubango, está a ser desenvolvida pela Aldeia de Crianças SOS, com o objectivo de pôr fim ao fenómeno de menores de e na rua, órfãos e sem paternidade assumida.
O director da Aldeia de Crianças SOS na Huíla explicou que os projectos que a instituição está a levar a cabo visam proteger as crianças nas comunidades.
Artur Catihe esclareceu que estão a dar formação profissional nas áreas de agricultura e pequenos negócios, assim como a entregarem alguns conjuntos de materiais, que lhes permitam executar actividades ou obterem emprego para sustentar a família.
Na Huíla, onde as famílias têm a agricultura como actividade primária, a instituição está a ceder pequenas parcelas de terra e algumas sementes, para que as famílias possam cultivá-las e daí tirarem o seu sustento.
Em Benguela, onde a actividade pesqueira é a principal fonte de sustento de muitas famílias vulneráveis, foram distribuídas pequenas embarcações e alguns materiais de comercialização de peixe.Pretende-se, com este projecto, ajudar as famílias vulneráveis a auto-sustentarem-se e, desse modo, combaterem o abandono familiar, orfandade e fuga à paternidade.

Instituição de utilidade púbica

O responsável da Aldeia de Crianças SOS da Huíla aguarda o apoio do Executivo no sentido da organização ser considerada uma instituição de utilidade pública.
A concretização desse objectivo, afirma Artur Catihe, ia ajudar a reduzir a dependência que a instituição tem do exterior do país e melhorar os projectos em prol das crianças órfãs. A instituição recebe todos os anos do estrangeiro um orçamento de 200 milhões de kwanzas, para cobrir as despesas com os 129 menores órfãos.
“Este ano, devido à crise mundial e financeira, o orçamento foi cortado”, lamentou, acrescentando que a instituição necessita 70 milhões de kwanzas para repor o défice orçamental que suporta as despesas com alimentação, saúde e educação destas crianças.
Artur Catihe recordou que a SOS Crianças é uma organização humanitária sem fins lucrativos, sendo que a maior parte dos apoios vêm do estrangeiro.
Esta situação está a criar alguns embaraços, uma vez que este ano o orçamento geral sofreu um corte de 20 por cento, para cobrir as aldeias do Lubango, Benguela e Huambo. “Portanto, com este orçamento  a situação torna-se complicado”.

Bolsas de estudo

As empresas e outras instituições beneméritas da Aldeia SOS estão a conceder bolsas de estudo para o país e estrangeiro destinadas aos jovens que frequentam o ensino superior em Angola, Namíbia, África do Sul, Brasil e Suazilândia.
No ano passado, a Aldeia conseguiu algumas bolsas concedias por entidades, como o INBE e Fundação Eduardo dos Santos (FESA).

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