Províncias

Plano urbanístico do Dongo em desenvolvimento

Arão Martins| Dongo

A qualidade de vida da população da comuna de Dongo, município da Jamba, pode conhecer um progresso considerável em breve, com a elaboração de um plano urbanístico da vila e das suas povoações, prevê o administrador local, João Mbinda Tchongolola.

Vista parcial da sede comunal do Dongo onde estão em curso diversos projectos
Fotografia: Arão Martins|Edições Novembro|Dongo

O administrador comunal explicou que o projecto está a ser desenvolvido, desde finais de 2016, pela administração local do Estado, com o objectivo de privilegiar o posicionamento dos novos serviços sociais a serem criados, nos próximos tempos, no domínio da saúde, educação, arruamentos, distribuição de água potável e energia eléctrica.
João Tchongolola referiu que o programa visa ainda a implantação de projectos estruturantes, para aquela comuna situada no extremo norte do município da Jamba, na província da Huíla, com 4.669 quilómetros quadrados de extensão.
Com uma população estimada em 43.898 habitantes, distribuída em cinco grupos etnolinguísticos (nganguela, umbundo, cokwe, nhaneka humbi e um pequeno núcleo de camussequeles ‘khoisan’), a comuna limita-se geograficamente com os municípios de Chipindo, Jamba, Cuvango, Matala, Chicomba e Cassinga.
A comuna do Dongo, administrativamente, subdivide-se em seis povoações, igual número de imbanjas e 138 concentrados populacionais, com um clima tropical húmido, temperatura média anual acima dos 25 graus centígrados, considerados factores preponderantes para a produção de alimentos em grande escala.
A rede hidrográfica é dominada pelos rios Cunene, Kusso, Kussava, Colui, Ossi, Mbamba, Cuvangue, Mahiva e Mucuiu, que permitem bons índices de captura de peixe, com caudais suficientes para o aproveitamento agrícola.
O Jornal de Angola constatou que a vegetação é pródiga e supera minimamente as necessidades da população local.
De 1954 a 1975, a zona foi uma das maiores na produção e escoamento de cereais, sobretudo do milho, feijão, sorgo, gergelim e outros produtos do campo a nível da província Huíla. Neste momento, a escassez de recursos financeiros, alfaias e imputes tornam o sector menos actuante.
O administrador comunal indicou que, a nível da pecuária, o pasto é favorável, daí o gado, sobretudo o bovino, constituir uma das grandes riquezas locais. Aliás, dados de 2013 apontavam para a existência de 18 mil bovinos, seis mil caprinos, dois mil suínos e 150 ovinos, controlados por 512 criadores.
João Tchongolola disse que se notabilizam muitos apicultores, que usam técnicas tradicionais, o que dificulta, de certa maneira, a exploração adequada do produto.
Quanto à flora, disse que esta constitui uma propriedade inalienável do Estado, cuja protecção é indispensável, mas, nos últimos tempos, os inimigos do ambiente tendem a destruí-la, derrubando anarquicamente árvores, para o fabrico de madeira e confecção de carvão.
O administrador comunal lamentou o facto de a fauna passar por dias piores, uma vez que os seus recursos têm sido dizimados dia após dia, por caçadores furtivos.
O sector do Comércio conta com cerca de 33 agentes licenciados, que exercem a actividade na sede da comuna e nas suas povoações, coadjuvados pelos vendedores ambulantes, que exercem o comércio rural em todos os recantos da região.
O responsável reconheceu que a comuna do Dongo é potencialmente rica em recursos turísticos, que bem aproveitados podem ser uma mais-valia para a atracção dos turistas, destacando as paisagens dos rios acima referidos e as quedas do Katchimuti, Kaveto, Kandjivale, Lissua lya Ngumbe, as águas térmicas do Cataly, as grutas do Kawe, a lagoa da Pedreira e a Missão Católica do Matomé. A comuna tem 22 escolas do ensino primário do I ciclo e duas turmas anexas do segundo ciclo, que asseguram a escolaridade a mais 14.327 alunos matriculados. Em relação à Saúde, quatro unidades sanitárias, sendo um centro comunal, e dois postos de saúde, dos quais um construído com material local, garantem a assistência à população.

Energia e água

No sector da Energia, o administrador lamentou o facto de o gerador da sede, de 110 kva, implantado há mais de 11 anos, ter uma avaria, desde 2014. Neste momento, acrescentou, a região precisa de um equipamento maior, que disponha de mais ou menos 900 kva.
O derrube de postes de iluminação pública e de transportação de cabos, a nível da povoação do Mbeu, tem estado a dificultar o funcionamento destes equipamentos.
Quanto à água, disse observar-se melhorias substanciais na captação, tratamento e distribuição às comunidades, embora ainda haja muito por se fazer.
“Temos registados igualmente o roubo de placas solares, isso em quatro localidades, com destaque para a sede comunal, em Mbeu, Cacundo e Cabanas”, denunciou o administrador do Dongo.

Escombros ainda visíveis

No domínio habitacional, o administrador João Tchongolola realçou que pouco ou nada se fala, uma vez que “o parque imobiliário colonial foi destruído pela guerra, restando apenas escombros.”
Desde a Independência Nacional, revelou, foram construídos apenas um posto policial, seis habitações, um centro, um posto de saúde e três escolas.
A malha rodoviária da comuna compreende a estrada nacional 280. Tem ainda as estradas intermunicipais, comunais Kassinga-Chipindo-Caconda, Dongo-Chipindo, Dongo-Tchicuaganda, além de vias secundárias e terciárias.
Com excepção da estrada nacional, as demais vias rodoviárias precisam de reabilitação, assim como as pontes e pontecos.
No tocante aos Transportes, realçou o ferroviário, com o comboio do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes em viagens bi-diárias, na terça-feira, mais uma na segunda e no sábado.
Sobre os serviços rodoviários, o administrador comunal disse que a região conta apenas com o apoio do sector privado, vulgo táxis.

Sem televisão

No domínio das telecomunicações, a telefonia móvel está garantida pela operadora Unitel, mas o sistema de rádio transmissor “VHF” da administração está avariado. O mesmo acontece com o pequeno sistema da Televisão Pública de Angola (TPA).
Em resposta às preocupações locais, o governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipingue, que visitou a comuna, disse que a criação de condições infra-estruturais transversais adequadas ao desenvolvimento de uma estrutura produtiva e diversificada constitui prioridade do seu pelouro. Indicou que a construção e a conclusão de projectos nos sectores da Energia e Águas, Saúde e Educação nas aldeias, comunas, municípios e cidades vão continuar a merecer atenção do Governo.
O governador da Huíla garantiu que as autoridades estão empenhadas na promoção de um crescimento sustentável e em acabar com as assimetrias no desenvolvimento das localidades.

Tempo

Multimédia