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Plantas medicinais criadas em jardins

O terapeuta tradicional Miguel Katengue anunciou para breve a criação de jardins botânicos destinados a facilitar o controlo de plantas medicinais em vias de extinção, enriquecidos através de outras inexistentes na flora angolana, e obtidas através da troca de experiências com outros países.

As plantas medicinais em vias de extinção vão passar a ser melhor protegidas na Huíla
Fotografia: DR

Em declarações à Angop no sábado, no Lubango, a propósito desta iniciativa, considerou pertinente conhecer-se a qualidade das plantas medicinais existentes noutros continentes, para se estar melhor preparado para o tratamento terapêutico tradicional.
Miguel Katengue explicou que a flora angolana já foi catalogada, o que resultou no registo de 25 mil plantas medicinais, segundo os manuscritos indicativos das áreas de localização, mas, atendendo ao desconhecimento de algumas delas, é urgente entrar-se em contacto com os sobas para estes ajudarem na sua identificação anatómica.
A província da Huíla, acrescentou, já tem catalogadas duas mil plantas devidamente fotografadas, aguardando-se apenas pelo seu envio para a Unidade de Pesquisa (UPIMA), no Instituto Superior de Ciências e Tecnologia, para serem enquadradas no segmento de investigação científica.
O terapeuta esclareceu que se está actualmente a trabalhar neste aspecto em colaboração com o laboratório da Universidade Agostinho Neto, enquadrado no sector de Ciências e Tecnologia, sendo por isso recomendável o envio de ­amostras das plantas utilizadas nas terapias, para estas serem identificadas cientificamente.
As potencialidades das plantas medicinais angolanas são reconhecidas oficialmente, recordou Miguel Katengue, salientando que, no Conselho Consultivo Alargado do Ministério da Saúde, o Executivo enquadrou este segmento medicinal no programa de desenvolvimento sanitário.
Por isso, está a ser encorajado o aumento da plantação de medicamentos tradicionais em hortas perto de casas, para estarem em melhores condições de atender os pacientes, acções a serem acompanhadas com a edição de brochuras que, em seu entender, devem assentar em considerações de ordem científica, identificação e catalogação das plantas, enquanto se cria um arquivo patrimonial de plantas medicinais.
Sobre os jardins botânicos, disse serem locais devidamente preparados para reprodução de plantas medicinais em vias de extinção, para a sua preservação e criação de novas espécies, onde são catalogadas (com fichas) e separadas por talhões enumerados de a­cordo com a espécie.

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