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Praga devasta culturas de milho em vários municípios

Arão Martins| Lubango

Uma praga ainda por  identificar está a devastar as culturas do milho de camponeses  nos municípios da Chibia, Gambos e Matala, província da Huíla, o que pode comprometer a colheita na campanha agrícola 2016-2017, disse ontem o director provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente.

Milhares de famílias que participam na presente campanha agrícola receberam apoio para aumentar a produção nas comunidades
Fotografia: Edições Novembro

Lutero Campos explicou ao Jornal de Angola que a praga está a afectar o caule e o próprio milho e que, para a solução do problema, foi criada uma comissão integrada por técnicos da Direcção Provincial da Agricultura, do departamento dos Serviços Nacionais de Sementes, das Estações de Desenvolvimento Agrário (EDA) e do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA). Fazem ainda parte da  comissão os parceiros das ONG, da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e quadros ligados à agricultura que se encontrarem nos municípios.
Na presente campanha agrícola, acrescentou, estão a participar mais de 250.300 famílias camponesas e 441 pequenos agricultores, com o propósito de aumentar a produção,   a trabalhar mais de 605 mil hectares de terra, nos municípios de Caluquembe, Caconda, Cacula, Chibia, Chicomba, Chipindo, Chicomba, Gambos, Matala, Cuvango, Quilengues, Quipungo, Humpata e Lubango.
O director provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente anunciou que, numa primeira fase, o grito de socorro veio dos municípios dos Gambos, Chibia e Matala, mas as equipas de averiguação vão trabalhar em todos os municípios, para se determinar a generalidade da praga.Lutero Campos garantiu que foi criada uma plataforma de intervenção abrangente em todos os municípios da província da Huíla. 
Lutero Campos informou que a situação, apesar de não ser alarmante, é frequente, mas nunca é divulgada na actual dimensão que se vive na província. “Depois das queixa dos camponeses, estamos a divulgar o fenómeno, de modos a sensibilizar outros camponeses, que não estão a ser afectados.”
Lutero Campos disse que existem pragas que afectam as folhas, outras o caule do milho e algumas atacam o fruto em formação, que é a espiga.
“Muitos camponeses utilizam o esterco e normalmente nesse produto orgânico estão os ovos das borboletas, que, com a  insolação, rapidamente atingem o período de incubação e posteriormente atacam as culturas.”  O responsável tranquilizou os camponeses, pois a praga é controlável e pode ser combatida com produtos que são encontrados com facilidade no mercado huilano.
“No âmbito do Projecto Integrado de Resiliência Sul de Angola e Norte da Namíbia, denominado “Redução e gestão do risco de desastres para apoiar as comunidades afectadas pela seca recorrente e outros desastres naturais no sul de Angola e Norte da Namíbia”, foram criadas escolas do campo”, disse Lutero Campos, que acrescentou: “Estas escolas  beneficiaram de financiamento da Agência de Cooperação dos Estados Unidos da América, implementado pela Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em parceria com as direcções provinciais da Agricultura das provincias da Huíla, Namibe e Cunene.”
As comissões criadas, indicou Lutero Campos, vão aproveitar trabalhar também com as escolas de campo, com vista a sensibilizar os camponeses tradicionais a estarem atentos aos fenómenos de pragas que têm afectado as culturas locais e denunciar para que os orgãos afins tomem medidas adequadas e oportunas, de modos a evitar danos avultados.  O trabalho de sensibilização, disse Lutero Campos, vai ser abrangente às familias camponesas. Acrescentou que existem técnicos das Estações de Desenvolvimento Agrário distribuídos por municípios, comunas e aldeias. “Um técnico pode atender até dez aldeias”, garantiu. 
“Temos escolas de campo e nelas vamos também aproveitar sensibilizar o produtor. A praga está a afectar, principalmente, a produção do camponês e a situação é preocupante para o produtor, porque vai ter alguns prejuízos na ordem de 40 a 60 por cento”, calculou Lutero Campos. O coordenador dos programas de emergência da Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Matteo Tonini, disse ser importante travar o avanço da praga que está a ameaçar as culturas de milho nos municípios da Huíla, porque trata-se de uma lagarta que pode perigar a segurança e o comércio de bens agrícolas. Matteo Tonini explicou que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação encara esta acção como preocupante, porque é uma ameaça à segurança alimentar. “É necessária uma acção para prevenir perdas devastadoras das culturas.”

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