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Primeira oficina começa com duas especialidades

André Amaro | Lubango

A primeira oficina de inclusão digital versus inclusão social, da Universidade Mandume-ya-Demufayo, começou a funcionar esta semana, no bairro da Tchavola, arredores da cidade do Lubango.

A conexão dos computadores à Internet vai facilitar a troca de experiências entre os beneficiários e especialistas de diversas áreas
Fotografia: André Amaro|Lubango

Numa primeira fase, o projecto, também chamado de “alfabetização informática”, contempla 16 jovens comerciantes, professores, enfermeiros, deficientes físicos, finalistas do ensino médio e moto-taxistas.
A oficina está equipada com uma sala com 12 computadores ligados em rede e conectados à Internet, um laboratório com todas as ferramentas para as aulas de hardware e um laboratório virtual para consultas livres e vídeo-conferências.
O responsável do departamento de Sistemas Informáticos da Universidade Mandume-Ya-Ndemufayo, Hendrick Rodrigues, disse que começaram segunda-feira com 12 alunos na especialidade de informática na óptica do utilizador e quatro em manutenção de hardware.
“Estamos a ensinar os pacotes do Office, aplicativos das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), aplicativos de hardware para facilitar o intercâmbio com as universidades de Coimbra, Lisboa e Pretória, com quem temos parcerias”, sublinhou.
A conexão dos computadores à Internet, disse Hendrick Rodrigues, vai facilitar a troca de experiências entre os beneficiários e especialistas nas áreas de enfermagem, comércio, agricultura de Portugal e África do Sul. As aulas decorrem das 9h00 às 11h00 e à tarde os formandos e outros membros da comunidade podem fazer consultas, pesquisas na Internet e melhorar os conhecimentos informáticos.
A primeira fase de formação tem a duração de quatro meses e depois os formados são acompanhados durante dois anos por uma equipa de psicólogos para avaliar o impacto da inclusão digital. Elísia Cláudia, 30 anos, comerciante de bebidas no bairro da Tchavola, consta do grupo dos 16 jovens contemplados na primeira fase do projecto de oficinas de inclusão digital. Cláudia começou o curso sem conhecer o que era um rato ou teclado e elogiou o projecto da Universidade Mandume-ya-Demufayo, porque vai ajudá-la a ter noções básicas de informática para desenvolver o seu negócio.

Beneficiários aplaudem

O jovem Estêvão Cassinda teve pela primeira vez contacto com um computador. Ao Jornal de Angola disse que os primeiros três dias foram fundamentalmente dedicados ao conhecimento do teclado, rato, abertura de uma página do Word, bem como ligar e desligar o computador.
Estêvão exerce a actividade de moto-taxistas e é estudante da 10ª classe à noite, numa das escolas do Lubango. Disse que a formação é proveitosa.
O jovem Estêvão Pio está a frequentar a especialidade de hardware e espera durante os quatro meses de formação aprender a montar e desmontar computadores e fazer a manutenção em redes.
“Sempre tive o sonho de fazer um curso de electrónica e trabalhar na reparação de computadores, telemóveis, televisores, rádios e outros equipamentos e, por isso, esta formação é bem-vinda”, disse o jovem, visivelmente satisfeito.
Estêvão Pio reconheceu que o projecto de inclusão digital foi bem pensado porque vai ajudar os jovens a fazerem cursos de informática gratuitos, trocar experiência com especialistas estrangeiros em determinadas áreas e até fazer consultas médicas pela Internet.

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