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Primeiro comboio saiu de Menongue

Estanislau Costa e Domingos Mucuta| Lubango

Um comboio já circula em fase experimental entre o Lubango e Menongue, para detectar eventuais falhas e corrigi-las.

Momento em que o comboio experimental vindo da cidade de Menongue chegava à estação central do Lubango
Fotografia: Domingos Mucuta

Os trabalhos de reconstrução do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes (CFM), nos 700 quilómetros do troço Lubango-Menongue, terminam em 2011, mas as obras executadas já permitiram ligar por via-férrea as duas cidades. O comboio circula em fase experimental para detectar eventuais falhas e corrigi-las.
As duas longas linhas metálicas, fixadas em paralelo, com proficiência, numa plataforma preparada, perdem-se no horizonte. 
A chegada à estação do Lubango, às 20h00 de sexta-feira, do comboio experimental proveniente da capital do Kuando-Kubango autenticou a crença dos populares, que se posicionaram nas proximidades da linha férrea, que a viagem ferroviária Lubango-Menongue em breve deixa de ser um sonho. 
A locomotiva, que levou dois dias para atingir o Lubango, efectuou paragens nas localidades de Dongo, Xamutete, Jamba, Matala, e Quipungo, para a comitiva, chefiada pelo vice-ministro dos Transportes, José Kuvingua, averiguar os aspectos técnicos da via.
A delegação composta pelo presidente do Conselho de Administração do CFM, Daniel Kipaxe, director do Instituto Nacional dos Caminhos-de-Ferro, Júlio Bango, e outros técnicos, abordou com os administradores da Matala e de Quipungo questões relacionadas com o realojamento das famílias que vivem no espaço da via-férrea.
O vice-ministro dos Transportes recebeu das autoridades dos dois municípios a informação de que estão a ser realizadas acções para realojar as famílias o mais breve possível. Na Matala, alguns populares já estão a construir nas reservas fundiárias preparadas. No Quipungo também estão a ser criadas condições para isso.
A comitiva percorreu mais de 640 quilómetros da cidade de Menongue ao Lubango, verificando que foram concluídos, entre outros trabalhos, as obras da abertura da plataforma, colocação de brita, travessas, montagem dos carris e afinação.
Do projecto fazem também parte a construção de várias pontes e de passagens para drenagem das águas das chuvas e dos riachos. Faltam executar pequenos troços na Matala e em Quipungo porque encontram lá várias famílias a viver.
Um técnico do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes disse, ao Jornal de Angola, que o comboio já circula em fase experimental nos mais de 640 quilómetros de linha reconstruídos. Falta apenas instalar o sistema de telecomunicações, sinalização e proceder ao acabamento das estações.
No entroncamento das regiões de Dongo, Jamba e Xamutete, começam brevemente os trabalhos de colocação dos carris, atracagem e regulação. 
 
Ramal da Jamba
 
As obras do ramal Dongo-Jamba-Xamutete, na província da Huíla, começaram em Maio. O engenheiro civil da empresa fiscalizadora A1V2, Inácio Dimbadja, assegurou, ao Jornal de Angola, que os trabalhos “decorrem sem sobressaltos”.
A empreiteira China Hyway instalou no local materiais necessários e os técnicos para a realização dos trabalhos de substituição da antiga plataforma. A partir da linha principal, os desvios do Dongo à Jamba e Xamutete têm uma extensão de 16 e 95 quilómetros.
Inácio Dimbadja afirmou que a nova tarefa da construtora chinesa é melhorar as plataformas, recuperar e construir passagens hidráulicas, sistemas de drenagem e corrigir os taludes e a balastragem.
Na linha do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes estão a ser instalados carris de 30 a 50 quilogramas, travessas de monoblocos de betão armado e linhas de telecomunicações em fibra óptica.
O engenheiro Inácio Dimbadja explicou que, com a tecnologia disponível e os cerca de 40 trabalhadores chineses e angolanos destacados na via, é possível montar diariamente um quilómetro de linha.
 
Trabalho e empenho

As acções fundamentais executadas, tal como as que estão em curso, incidiram na construção da via-férrea Namibe-Lubango-Me­non­gue, com realce para a substituição de todos os carris da linha, edificação de 73 estações e abertura de 170 metros de túneis.
Consta igualmente do programa de trabalhos, entre outros trabalhos, a construção de 150 metros de sistemas de drenagem e 5.100 metros de pontes em cumprimentos acumulados.
A nova projecção técnica instalada vai permitir que circulem 15 comboios diários com uma velocidade máxima de 100 quilómetros por hora.A reconstrução e modernização do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes ficam concluídas em 2011. A partir daí, estão abertas novas perspectivas para o desenvolvimento social e económico da região sul. A província do Kuando-Kubango vai ser das mais beneficiadas, pois com o comboio a funcionar em pleno pode diminuir substancialmente o isolamento geográfico.
O transporte ferroviário vai reanimar a actividade produtiva, fortalecer as trocas comerciais, triplicar as viagens de produtores e empresários agrícolas e atrair mais investimentos favoráveis ao início da exploração mineira na zona da Jamba.
A via-férrea foi a alavanca do desenvolvimento mineiro na província da Huíla, tendo assegurado o transporte de concentrado de mineiro de ferro extraído na localidade de Cassinga, no município da Jamba.
 
Apetrechamento à vista
 
A par do programa de reconstrução e modernização em curso, o CFM vai ser apetrechado com locomotivas e carruagens modernas, tendo já sido firmado um acordo entre o Instituto Nacional do Caminho-de-Ferro e uma empresa chinesa.
O acordo, rubricado na tomada de posse do Conselho de Administração do Instituto, prevê o fornecimento de material rolante para o apetrechamento com meios apropriados para o transporte de vários tipos de carga e passageiros.
Além do material circulante resultante do protocolo rubricado, o CFM conta já com quatro locomotivas para trajectos de longo curso e manobras, comboios para pronto-socorro, unidades múltiplas a diesel, materiais de oficinas e assistência técnica e 41 carruagens para transporte de passageiros e mercadorias diversas entregues pela congénere indiana Rits, que possui larga experiência mundial no sector ferroviário e investiu 40 milhões de dólares.

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