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Produção agrícola aumenta na comuna do Hoque

Arão Martins | Lubango

O verde das hortaliças na margem do rio Vava Yela (água limpa), na comuna do Hoque, satisfaz o camponês Paulo Cavisapa que acaba de aumentar a área de cultivo, como resultado do crédito de campanha promovido pelo Executivo.

Com o crédito de campanha a meta passou a ser o aumento dos campos de cultivo e a diversificação da produção
Fotografia: Arimatéia Baptista

O verde das hortaliças na margem do rio Vava Yela (água limpa), na comuna do Hoque, satisfaz o camponês Paulo Cavisapa que acaba de aumentar a área de cultivo, como resultado do crédito de campanha promovido pelo Executivo.
Cavisapa, que faz parte da cooperativa Nova Vida, recebeu sementes de cereais e hortaliças, fertilizantes, enxadas, catanas e uma motobomba: “estou mais animado para trabalhar porque recebi aquilo que precisava”, disse ao Jornal de Angola.
Fernando Tito, outro camponês, revelou que no ano passado foi difícil sustentar a família devido às enxurradas que prejudicaram seriamente a produção de milho e massambala.
Como Cavissapa, Tito também pertence à cooperativa “Nova Vida” e não poupa elogios ao programa Crédito Campanha. Os elementos da cooperativa dizem que vão ter boas colheitas.
Nesta altura, na comuna Hoque já são visíveis extensas lavras e hortas cultivadas pelos 300 camponeses associados em cooperativas que receberam sementes, instrumentos de trabalho, fertilizantes, geradores e motobombas no âmbito do Crédito de Campanha, onde só o B anco Sol, pioneiro desta iniciativa, já emprestou 371 mil dólares. Na primeira fase do crédito de campanha foram contemplados 176 camponeses.
Tito Camuyela, porta – voz dos camponeses, afirmou que daqui para a frente a meta é o aumento dos campos de cultivo e a diversificação da produção. “Os campos estão livres de minas e agora com mais sementes, instrumentos e equipamentos, o combate à fome e à pobreza é uma realidade”, disse o camponês que não poupa elogios ao desempenho do Banco Sol, aos comités de pilotagem e ao grupo técnico criado especificamente para tratar do crédito bancário.

Camponeses associados

No Lubango, animadas com o sucesso do Hoque, as autoridades trabalham com os sobas na identificação de camponeses não associados para se agruparem e passarem a beneficiar dos apoios do Executivo.  O administrador adjunto do Lubango, Domingos Wango, pediu a todos os produtores individuais que se filiem nas cooperativas para beneficiarem de apoios.
Domingos Wango Referiu que estão em curso obras de construção de hospitais, escolas, campos desportivoss, mercados nas comunas do Hoque, Huíla e Quilemba, acções para dar aos camponeses instrumentos de trabalho, fertilizantes e sementes. Recordou que “o programa do Executivo de combate à fome e à pobreza inclui a distribuição, através de crédito agrícola, de instrumentos de trabalho, sementes e fertilizantes”.
“Para os apoios chegarem a todos é preciso que os camponeses estejam organizados”, acrescentou Domingos Wango.

Outros apoios

O presidente da Comissão Executiva do Banco Sol, Coutinho Nobre Miguel, reafirmou o compromisso da sua instituição com o programa do Executivo de apoio aos camponeses associados em cooperativas na província da Huíla.
Cumprindo a orientação do Executivo, o Banco Sol assinou uma convenção que se destina a apoiar as cooperativas agrícolas, associações de camponeses, produtores individuais e comerciantes no mundo rural: “o processo começou em 2010 e visa essencialmente ajudar os camponeses a cultivar a terra e produzir alimentos para reforço da segurança alimentar”, explicou Coutinho Nobre.
Afirmou que o Banco Sol tem fundos para apoiar os camponeses em todo o país e pediu aos camponeses da Huíla o cumprimento dos prazos de reembolso dos créditos para garantir a sustentabilidade do programa: “Só assim são dados maia apoios”, disse o presidente da Comissão Executiva do Banco Sol.
Coutinho Nobre visitou algumas áreas cultivadas pelos camponeses no Hoque e gostou do que viu: “com o aumento da produção, as populações vão ter a possibilidade de amortizar os compromissos do crédito agrícola sem dificuldades”, disse.
O delegado regional do Banco Nacional de Angola, Joaquim Dias dos Santos, referiu que o crédito está a criar oportunidades de negócio e fomentar a actividade agrícola das famílias.
“De mãos dadas vamos criar um ambiente propício ao desenvolvimento da actividade do campo. A partir do crédito, as mães, irmãs, pais e avós vão ter uma forma própria de trabalhar e ultrapassar dificuldades, por possuírem mais oportunidades”, sublinhou.
Até agora, o Banco Sol disponibilizou crédito a mais de um milhão de pessoas, sobretudo nos municípios de Chipindo, Quipungo, Chibia, Matala, Jamba, Cacula e Lubango.

Crédito de Campanha

O Crédito de Campanha na província da Huíla ganhou outra dinâmica, reconheceu o director da Agricultura e do Desenvolvimento Rural e Pescas, Lutero Campos: “o cumprimento da dinâmica, as comissões de pilotagem e grupos técnicos estão a trabalhar na mudança de estratégia para serem corrigidos os erros que resultaram da primeira fase”.
Disse que na primeira fase, o processo registou algum atraso por várias razões dificultando a aquisição de instrumentos agrícolas: “os comités de pilotagem e os grupos técnicos de acompanhamento continuam a trabalhar para resolver questões que possam constituir dificuldades no financiamento do crédito agrícola”, esclareceu.
Na província da Huíla estão envolvidos no processo do crédito agrícola o BPC, o BCI e o Banco Sol. Lutero Campos defendeu maior interacção entre a sua direcção e as Administrações Municipais na sensibilização das famílias para se agruparem em cooperativas e associações como forma de facilitar a gestão do crédito agrícola.

Camponeses sem clientes

A criação de políticas para facilitar o escoamento dos produtos agrícolas do campo para a cidade é defendida pelos camponeses da província da Huíla que beneficiaram do Crédito de Campanha.
Eles são unânimes em afirmar que com os apoios do Executivo, “os níveis de produção de hortícolas, cereais e tubérculos aumentaram, mas para evitar a sua deterioração é necessário incentivar as empresas para a sua aquisição”.
O presidente da Associação Agro-Pecuária, Comercial e Industrial da Huíla (AAPCIL), António de Lemos, referiu que o crédito serve de impulso aos camponeses para multiplicarem e diversificarem a produção por isso é indispensável a criação de mecanismos para facilitar o escoamento dos produtos para os grandes centros de consumo.
Argumentou que o crédito, para além de potenciar os camponeses com sementes, instrumentos de trabalho e fertilizantes, permite, também, a aquisição de juntas de bois, “o que é positivo na execução do programa de combate à fome e pobreza no meio rural”.

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