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Professores tirados da folha de salários por abandono injustificado do trabalho

Domingos Mucuta | Caconda

O director provincial da Educação na Huíla afirmou, em Caconca, estar desiludido com os professores que abandonam os postos de trabalho e avisou-os que correm o risco de serem retirados do sistema salarial e expulsos do sector.

Na província está aberto um “combate cerrado” aos que ingressaram no ensino não para serem docentes mas para terem um salário
Fotografia: Arimateia Baptista

O director provincial da Educação na Huíla afirmou, em Caconca, estar desiludido com os professores que abandonam os postos de trabalho e avisou-os que correm o risco de serem retirados do sistema salarial e expulsos do sector.
Américo Chicoty disse que a direcção provincial, em coordenação com as repartições municipais da Educação, continua a tomar medidas disciplinares e administrativas para punir os professores que se furtam ao cumprimento das obrigações.
 “Há a tendência dos professores rejeitarem a colocação nos municípios do interior, onde são mais são precisos”, lamentou e advertiu que um funcionário que se  ausente durante 15 dias do local de trabalho, sem qualquer justificação, é alvo de processo diciplinar.
As localidades onde há maior número de professores que abandonaram o serviço, declarou, são as de Kuvango, Chipindo, Caconda, Jamba, Caluquembe e Gambos.
O governo da Huíla, disse, desactivou, só este ano, do sistema salarial mais de 600 professores devido a ausência sem justificação do local de trabalho.
O director provincial afirmou que está aberto “um combate cerrado” aos que ingressaram no ensino não para serem professores, mas para terem um salário “sem considerarem que o ordenado é contrapartida do trabalho prestado”.
“Vamos trabalhar no sentido de combater os infractores”, disse.
Além de admissão de professores, anunciou, um dos desafios do sector para o próximo ano é rever a política da sua colocação dada a desproporção entre os que trabalham no interior, em muito menor número, e nas zonas urbanas.


Ensino superior

Os municípios de Kuvango, Caconda e Matala já têm um núcleo do Instituto Superior de Ciência de Educação (ISCED).
Américo Chicoty disse ser inconcebível que professoreis colocados naqueles municípios peçam para serem transferidos, quando podem dar sequência aos estudos e um dos motivos que evocam, a par da falta de condições de alojamento, é a necessidade de continuarem a formação.
O núcleo do Instituto Superior de Ciência de Educação (ISCED) em Caconda, que começou a funcionar no princípio deste ano, com 60 estudantes, lecciona, para já, cursos de química e de pedagogia.

Os sobas e seculos afirmaram, ao Jornal de Angola, que muitos professores admitidos, por concurso público, para trabalharem no interior do município abonaram, este ano lectivo, os alunos durante várias semanas.
As autoridades tradicionais do município e encarregados de educação enaltecem os esforços do governo da província ao construir salas nas comunidades e ao promoverem concursos públicos de admissão de professores, mas lamentaram a ausência destes.

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