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Qualidade de vida aumenta com boas condutas

Estanislau Costa | Lubango

O incumprimento de condutas favoráveis à manutenção da saúde dos cidadãos está a provocar várias complicações no seio de jovens e adultos da província da Huíla e do país em geral, segundo os pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Mandume ya Ndemufayo.

Especialistas afirmam que as pessoas estão mais preocupadas com o que comer esquecendo em muitos casos a saúde da coluna vertebral
Fotografia: Estanislau Costa | Edições Novembro - Huíla

Os paramédicos concluíram, num estudo realizado em instituições públicas e privadas da cidade do Lubango, que há alterações posturais, com consequências graves, de funcionários, devido a hábitos incorrectos de se sentar, levantar-se da cama e outras manias do ser humano.
Indicaram também as práticas incorrectas dos motoristas, pilotos e passageiros de penetrar em veículos ou aviões, sentar ou posicionar-se ao volante, assim como o desconforto de certos acentos. “Quando assim se procede, prejudica-se a posição natural da coluna vertebral”, disseram.
O especialista Joaquim Jiji afirmou que a maior parte das pessoas está mais preocupada com o que comer, vestir e beber, esquecendo em muitos casos a saúde da coluna vertebral. “Urge sermos rigorosos na forma de sentar ou de posicionar, sobretudo nos locais onde se permanece mais de três horas sem movimentar os membros inferiores.”
Joaquim Jiji esclareceu que “caso a conduta postural seja inexacta, uma das consequências graves que pode surgir é a deformidade postural, razão pela qual é necessário alertar as pessoas que permanecem numa única posição por várias horas, através da promoção de campanhas de sensibilização”. E acrescentou: “Promovendo a educação postural na sociedade são poupados avultados recursos, visto que em qualquer parte do mundo a busca pela especialidade da vértebra envolve altos custos e nem todos os países oferecem condições para o devido tratamento”.
Joaquim Jiji explicou que nos cinco meses de pesquisa e elaboração do projecto, foram raros os casos em que bancários, estudantes e motoristas tiveram a preocupação de acomodar convenientemente a coluna vertebral, mantendo ela recta, cotovelos apoiados na secretária e mãos a manejar qualquer tipo de equipamento. Os pesquisadores averiguaram também que a maioria dos trabalhadores das agências bancárias, motoristas, designers, artesãos, jornalistas e professores  têm a tendência de inclinar muito a cabeça ao escrever à mão ou no dispositivo electrónico, forçando assim o pescoço e as vértebras.
“Tais atitudes impróprias dos humanos podem causar doenças como hiperlordose, cifose e escoliose”, revelaram, para aconselhar que há um tempo limitado para se posicionar quer de pé quer sentado, sendo que um indivíduo no escritório ou na sala de aulas deve permanecer sentado não mais de três horas.
Após isso, os estudantes da Faculdade de Medicina aconselham que cada funcionário deve levantar-se por alguns minutos para descontrair o corpo, desfazer-se da fadiga, modelar a circulação sanguínea, evitado que a cintura suporte por muito tempo todo o peso da área pélvica. Em viagens de longo curso, recomendaram, os automobilistas e passageiros devem também parar por uns instantes para recompor as sinergias, movimentar os músculos e poder colocar a coluna e a cabeça na posição recta por alguns minutos. Já nos voos, cada um, de forma ordeira, deve pôr-se de pé por pouco tempo.
Os pesquisadores, que aguardam por mais subsídios de outros especialistas, valorizaram a prática de exercícios físicos com a prévia orientação de um especialista, realização de consultas de rotina com o propósito de apurar o estado da coluna vertebral e a necessidade de cada um seguir as orientações médicas.
Reconheceram a preservação da saúde sustentável através de boas práticas e a continuidade da pesquisa das características da cirrose hepática em pacientes hospitalizados, comportamento do abandono do aleitamento materno, causas do absentismo hospitalar e outros.

Reconhecimento

A decana da Faculdade de Medicina da Universidade Mandume ya Ndemufayo, Ana Gerardo, disse que a instituição prima pela qualidade na formação médica e investigação científica dos estudantes, para melhorar cada vez mais o atendimento de pacientes e corresponder com eficácia ao Plano Nacional de Formação de Quadros.
Ana Gerardo considerou importante o processo de investigação nas empresas e nas unidades hospitalares, por ser uma via útil de levar a universidade ao encontro dos problemas da sociedade. “Acções do género promovem a saúde e previnem doenças”, concluiu.

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