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Reabilitação da via tem início este mês

Estanislau Costa | Lubango

Mais de 105 quilómetros do troço que liga a sede do Kuvango e a comuna de Galangue começam a ser reabilitados no final deste mês pela empresa de construção civil Savana. Na pauta está a melhoria da circulação de pessoas e mercadorias e a intenção de dar outra dinâmica à vida das duas localidades.

O troço já terraplanado da comuna de Galangue está a facilitar as trocas comerciais com as zonas urbanas
Fotografia: Arimateia Baptista

 

Mais de 105 quilómetros do troço que liga a sede do Kuvango e a comuna de Galangue começam a ser reabilitados no final deste mês pela empresa de construção civil Savana. Na pauta está a melhoria da circulação de pessoas e mercadorias e a intenção de dar outra dinâmica à vida das duas localidades.
A construtora está, neste momento, a concentrar o equipamento para o efeito. Assim que as chuvas terminarem, apurou o Jornal de Angola, iniciam os trabalhos de limpeza e terraplanagem da via.
O administrador do município do Kuvango, João Hilifilwa, disse que a terraplanagem da estrada secundária vai tornar mais próxima a comuna do Galangue à sede do município e incentivar os homens de negócios a expandir as suas actividades. “A melhoria das estradas visa impulsionar as trocas comerciais entre o campo e a cidade”, sublinhou.
“Temos constatado reclamações de empresários, professores e camponeses sobre o mau estado das vias secundárias e terciárias que ligam a sede do município às demais povoações potencialmente agrícolas”, disse, para acrescentar que o primeiro passo está dado com a reabilitação do troço de Galangue. João Hilifilwa afirmou, por outro lado, que o município do Kuvango regista mudanças significativas com o acabamento das obras de reabilitação e construção das estruturas adjacentes à estrada nacional Matala/Menongue.
“O comércio rural está agora mais dinâmico, com a entrada e saída diária de comerciantes oriundos de vários pontos das províncias da Huíla, Kuando-Kubango, Cunene e Namibe, permitindo suprir a necessidade de sal, açúcar, óleo vegetal e outros alimentos industriais”, afirmou.
Para permitir que o comércio se desenvolva nas zonas mais recônditas do município, referiu, a administração municipal vai continuar a apostar na melhoria do acesso a todas as comunas. Nesse âmbito, o troço de acesso a Vicungo vai ser reparado em breve.
O administrador municipal, João Hilifilwa, informou, ainda, que constam das suas prioridades a recuperação das estradas e pontes sobre os rios Cubango, Ávila, Kanhana, Vilambalamba e Tchissamba.
Para atrair mais quadros e empresários para o Kuvango está em curso a construção de casas e a demarcação de fazendas agrícolas.
Os produtores que se dedicam à agro-pecuária nas comunas de Galangue e Vicungo e nas povoações, estão satisfeitos com as autoridades por reabilitarem a estrada interprovincial Lubango-Menongue e terraplanarem os troços secundários e terciários. As vias melhoradas estão a “cativar” muitos clientes e a tornar mais eficiente o escoamento de produtos.
João Cahamba produziu, na campanha agrícola 2009/2010, mais de 30 toneladas de milho, cinco de feijão, duas de ginguba e outros alimentos em quantidades variáveis. “Quando se atingia a época das safras, enfrentávamos muitas dificuldades para escoar os produtos para outros pontos”, disse.
A falta de estradas em condições, acrescentou, condicionava a venda rápida dos produtos, “porque eram poucos os clientes que chegavam até ao município do Kuvango ou às zonas mais recônditas onde havia êxitos no cultivo”.
Para não perderem os alimentos, explicou que eram obrigados a conservá-los em locais seguros, sem humidade, até as chuvas cessarem. Daí, transportavam os produtos, em carroças, para o mercado mais próximo da sede.
João Cahamba recordou que havia períodos em que ficavam quase dez dias sem que aparecessem clientes provenientes do Lubango, a capital da província. Actualmente não há um único dia que não surjam clientes provenientes da grande cidade do Lubango.
Um camião de marca Scania, carregado de milho e feijão, estava prestes a trilhar os 150 quilómetros de estrada asfaltada até a sede da Matala. Os pneus quase estoiravam devido ao notório excesso de carga. O motorista Carlos Capumo, 40 anos, defendeu-se, argumentando que faltava “calibrar mais um pouco os pneus”.
Carlos Capumo exibe no corpo as cicatrizes dos vários acidentes sofridos nas estradas do país e da Namíbia. Conta que agora faz apenas seis horas do Kuvango a Matala. “Afrouxo a velocidade do camião nesta estrada boa para não me prejudicar ou causar prejuízos aos proprietários das mercadorias. Um camionista responsável conquista os clientes”, referiu. Capumo também é de opinião que os camponeses tinham muitas dificuldades em escoar os seus produtos por escassez de viaturas. “Os camionistas evitavam atingir a sede do Kuvango por causa da estrada, que estava péssima. Hoje, as coisas melhoraram”, disse.
A facilidade de escoamento dos produtos do campo para as zonas urbanas, revelou Carlos Capumo, fez com que os agricultores alargassem os campos, para cultivar uma maior quantidade de produtos. “Há uma grande diferença entre a colheita do ano passado e deste ano. Há muito milho, feijão, ginguba e batata-doce”.

Preços compensam

A crescente procura de cereais e outros produtos do campo, que se regista nos mercados informais do Kuvango, satisfaz os anseios dos agricultores, que vêem valorizados os preços dos seus produtos, podendo assim augurar acumular algum capital financeiro.
O ancião António Gonçalves explicou que, por dificuldade de escoamento dos produtos, por causa das más condições das principais vias de acesso, os preços antes praticados eram “muito baixos e irreais”.
“Havia pressa em vender, principalmente os produtos que se deterioram com facilidade. Os camponeses tinham de baixar os preços e às vezes a proposta do cliente é que vingava. Hoje, isto já não se observa. Vendemos as mercadorias a preços reais”, sublinhou, sem esconder o tom de orgulho na voz.
António Gonçalves acredita que haverá melhorias substanciais na produção e escoamento quando se apostar na reabilitação de todos os troços secundários e terciários das várias povoações agro-pecuárias.
“As condições devem ser criadas para propiciar a separação de tarefas. O agricultor tem a missão exclusiva de trabalhar a terra, plantar e colher. O escoamento e venda de produtos do campo devem ser feitos por outros”, disse.
Acrescentou que “actualmente faz-se o contrário. O agricultor tem de se preocupar com a lavoura, tratamento das plantas, colheita e, ainda por cima, escolher os mercados para melhor escoar os seus produtos”.
João Santos, da União Nacional dos Camponeses (UNACA), considera a construção de silos, numa primeira fase nos municípios de Caconda, Quipungo, Caluquembe e Matala, como “um passo importante para solução dos problemas de escoamento de cereais e outros bens”.
Dados em posse do Jornal de Angola dão conta que o Governo da província da Huíla vai investir 110 milhões de kwanzas na criação das bases e instalação de silos, para incentivar o aumento da produção de cereais e conservar melhor os alimentos produzidos pelos camponeses.

 * COM JOÃO KATOMBELA

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