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Rega gota-a-gota galvaniza camponeses na Huíla

Domingos Mucuta | Gambos

A instalação do sistema de rega gota-a-gota está a galvanizar os agricultores do perímetro irrigado do Chiange, no município dos Gambos, uma das circunscrições da província da Huíla mais afectadas, nos últimos anos, pelas estiagens cíclicas.

No espaço que está a ser preparado para o cultivo de diversos produtos vão ser colhidas várias toneladas no âmbito do programa de combate à fome
Fotografia: Domingos Mucuta | Huíla| Edições Novembro

O projecto-piloto, que arranca nos próximos dias, numa área de três hectares, é resultado da estratégia de combate à fome e à pobreza. A iniciativa é da Administração Municipal dos Gambos e financiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Alimentação (FAO).
Para constatar os trabalhos iniciais do projecto, que envolve 194 famílias camponesas, em posse de pequenas parcelas de terras, o ministro da Assistência e Reinserção Social, Gonçalves Muandumba, visitou o campo de ensaio.
No espaço, os camponeses a­prendem também as novas técnicas agrícolas no sentido de servir de réplicas para outras áreas. Aqui, o ministro Muandumba encontrou camponeses empenhados em a­prender, no campo experimental, as técnicas de rega gota a gota e animados em produzir alimentos, sobretudo hortícolas e tubérculos.
O projecto é executado pela Associação de Camponeses da Tunda de Chiange. É uma espécie de escola de campo, onde os camponeses aprendem e levam os conhecimentos para outras pessoas nas zonas de origem.
Desde 2012, registou-se a introdução de culturas que não faziam parte dos hábitos e costumes deste povo, como explicou Elias Sova, administrador municipal dos Gambos. Os camponeses estão apostados em explorar os metros disponíveis para produzir o máximo de alimentos possíveis, para o consumo próprio e comercialização do excedente.
O director municipal da Agricultura dos Gambos, João Lucros, explicou que o perímetro irrigado de Chiange dispõe de mais de 400 hectares aráveis, mas a escassez de água condiciona o aproveitamento total do espaço agrícola. João Lucros disse que, neste momento, os camponeses contam com um furo que capta água a cerca de 28 metros de profundidade e bombeia através do sistema de energia solar para os reservatórios disponíveis. Depois tudo é feito por gravidade.
O director da Agricultura afirmou que o perímetro precisa de mais investimentos, nos sistemas de captação de água e de rega gota a gota, para aumentar a área agrícola e consequentemente a produção de alimentos para as famílias do município. O projecto experimental de agricultura, no perímetro irrigado de Chiange, iniciou em 2012. As autoridades locais lembram que o lugar tem sido palco de ensaio de cultura de maior resistência, como a mandioca e a batata-doce, uma nova prática que precisa de estímulo para produzir melhores resultados.

Construção de barragem


O administrador municipal dos Gambos, Elias Sova, afirmou que a solução definitiva para o problema da escassez de água na região passa pela construção de barragens de no rio Caluvar, no sentido de aproveitar o potencial hídrico no tempo chuvoso.
Prevista para a localidade de Nongelo, a mini hídrica dos Gambos, com cerca de 16 metros de altura, vai ser construída numa área de 11 hectares e acumular cerca de 400 milhões de metros cúbicos de água.
O Governo da província da Huíla prevê investir cerca de 472,5 milhões de kwanzas, na construção desse projecto, inserido no programa de construção de três mini hídricas nas localidades da Chibia e Arimba (Lubango).

Apoio às famílias

Gonçalves Muandumba fez a entrega de vários produtos alimentares às famílias afectadas pela estiagem, no município do Gambos, e aos estudantes do lar da Missão Quihita.
O ministro entregou quantidades de sacos de fuba, arroz, feijão, caixas de óleo, conservas, sabão, além de alfaias agrícolas, para minimizar a carência de alimentos no seio das famílias que abandonam as localidades de residência em busca de socorro noutras partes.
As autoridades administrativas informaram que mais de seis mil pessoas, correspondendo a 1.890 famílias, estão afectadas pelo fenómeno, sobretudo das localidades de Taca, Chitongotongo e Chipeyo.
A irregularidade das chuvas registada este ano agravou a situação das famílias, o que provocou que grande parte das culturas ficassem destruídas quer pela estiagem, quer pelas pragas.

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