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Registadas dezenas de abusos sexuais

ARÃO MARTINS | Lubango

Mais de 60 casos de abusos sexuais em menores com idades compreendidas entre os dois e 14 anos foram registados no período de Janeiro a Outubro deste ano, na Huíla, revelou no sábado o director provincial do Instituto Nacional da Criança (INAC).

Casos registados deram entrada nos tribunais
Fotografia: Arão Martins | Lubango

Abel Joaquim, que fazia o balanço da “Semana de Reflexão Sobre os Direitos da Criança”, que decorreu de 7 a 14 de Outubro, disse que mais de 60 homens estão a contas com a justiça, por actos sexuais com crianças.
O director provincial do INAC disse que os casos ocorreram nos 14 municípios da Huíla e tiveram lugar no âmbito da família, entre vizinhos, nos mercados informais e noutras situações. Abel Joaquim salientou que os casos foram esclarecidos e deram entrada nos tribunais municipais da Matala e de Caconda, assim como no Tribunal Provincial da Huíla. No mesmo período, foram notificados 70 casos de fuga à paternidade e outros de falta de prestação de alimentos.
Para contornar tais situações, o director provincial esclareceu que o INAC tem estado a trabalhar em acções de esclarecimento da população, com vista a alertar para as consequências dos abusos sexuais contra menores. Abel Joaquim disse que a campanha de esclarecimento sobre os direitos da criança decorre desde o princípio do ano, com palestras e seminários, em colaboração com escolas, igrejas e autoridades tradicionais, e já abrangeram cerca de 280 mil pessoas nos 14 municípios da Huíla.
O director provincial do INAC adiantou que as acções de esclarecimento continuam. “Vamos estender este trabalho até Dezembro, por forma a que a mensagem seja disseminada com sucesso”, frisou.
Outras actividades devem recair sobre o combate à violência física, psicológica e ao trabalho infantil, anunciou Abel Joaquim, para quem as causas estão identificadas a nível da província, sendo que muitas delas têm a ver com a feitiçaria.

SOS Criança

A província da Huíla vai, nos próximos tempos, contar com os serviços SOS Criança, para permitir a denúncia mais célere dos casos de violência contra menores, anunciou Abel Joaquim. O director provincial do INAC disse que, além do serviço SOS Criança, que vai estar baseado na cidade do Lubango, está igualmente em curso a instalação de uma equipa de activistas, composta por sociólogos, psicólogos, agentes da Polícia Nacional, quadros dos ministérios da Educação e da Família e Promoção da Mulher.
Os referidos especialistas vão trabalhar em escolas, mercados e nas comunidades, para levar a cabo acções de prevenção de casamentos e gravidezes precoces.

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