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Regresso dos animais está a repovoar o Bicuar

Estanislau Costa | Lubango

Um número considerável de animais diversos com realce para elefantes, palancas, javalis, zebras, búfalos, leões, está a regressar ao Parque Nacional do Bicuar, na Huíla, fruto do estabelecimento de melhores condições de segurança, clima favorável ao habitat e reprodução das espécies.

Aumento e diversificação das espécies também se deve à redução da caça furtiva que criava intranquilidade e afungentava os animais
Fotografia: Jornal de Angola


Os dados estatísticos da direcção do parque indicam que, neste momento, estão contabilizados mil elefantes organizados em várias manadas, 17 zebras e igual número de palancas, assim como quantidades de bambis, impalas e leões. Os tipos de manadas são diferenciados pelas lutas durante o reencontro no pasto ou caça.
O administrador do Parque Nacional do Bicuar, José Maria, informou que os pontos principais de entrada de animais são Manquete, presumindo que os animais surgem da Namíbia e passam pela Mupa, região de Kassoko e Lumanha cuja proveniência é Botswana, atravessando o Dirico e Mavinga.
“O movimento actual de animais no parque está acima da média e já não é necessário muito esforço para se ver elefantes, palancas, bambis, hienas e rastos de búfalos, leões, entre outros”, disse, para acrescentar que a reprodução das espécies decorre sem sobressalto.
O aumento e diversificação das espécies deve-se em parte da redução em 95 por cento da caça furtiva, que criava intranquilidade e afugentava os animais.
Os 11 anos de paz e a desminagem de vários campos estão também na base do regresso animal. José Maria afirmou que o controlo efectuado pelos 75 guardas florestais, nos 7.900 quilómetro quadrados de extensão territorial do parque, permitiu a recolha de 68 armas em posse dos caçadores e entregues à Polícia Nacional. Dois caçadores renitentes do município da Matala encontram-se a contas com a justiça. Regularmente são realizadas campanhas de mobilização e sensibilização nas comunidades próximas ao Parque Nacional do Bicuar para educar a população a evitar o abate de animais, denunciar os caçadores furtivos e informar sobre as eventuais anomalias de algum animal.

Infra-estruturas recuperadas


As infra-estruturas construídas e reabilitadas no perímetro do Parque Nacional do Bicuar impulsionou o patrulhamento e fiscalização da reserva. O Executivo investiu quatro mil milhões de kwanzas na construção de 12 casas T2, reabilitação das instalações da administração, colocação de portões nos pontos principais de acesso ao recinto e outros.
O administrador do Parque Nacional do Bicuar disse que os guardas florestais estão melhor acomodados, com a construção de casas próximo dos portões que dão acesso ao parque. O projecto incluiu a montagem de cinco acampamentos em vários pontos para acolher investigadores e estudiosos. O administrador José Maria afirmou que o programa de recuperação das estruturas do parque contemplou a terraplanagem de mais de 380 quilómetros de picadas e a vedação de cerca de 150 quilómetros. “O processo de vedação deu prioridade, na primeira fase, às zonas situadas a Norte e Sul, para impedir que a população ocupe os espaços da reserva.”, explicou.
O abastecimento de energia e água é assegurado por dois grupos termoeléctricos e uma estação de captação e distribuição de água potável. Os animais, além dos riachos, têm à disposição cinco lagoas em vários pontos, totalmente recuperadas, que servem de  bebedouros e encurtam as distâncias.
O administrador considera que para tornar eficaz a fiscalização e o patrulhamento do parque, é necessário instalar uma central de comunicações, três veículos adaptados a todo-o-terreno e prosseguir com a abertura e terraplanagem das picadas. “Com estas condições, podia-se fazer melhor o rastreio de animais e controlá-los mais”, argumentou.
Os projectos da administração incluem a definição de um itinerário no parque para cobrir todas as áreas de concentração de animais, até agora de difícil acesso, com destaque para Vicussuque e Viquequeni.
Para a recepção de turistas no Bicuar aguarda-se a existência de uma legislação apropriada. José Maria explicou que o Ministério do Ambiente trabalha numa lei que estabelece as regras de uso da reserva e incremento de projectos destinados à construção de um aldeamento turístico.

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