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Relançamento da produção de café aumenta rendimentos das famílias

Arão Martins | Lubango

O relançamento da produção familiar de café nos municípios de Caluquembe e Caconda, a norte da Huíla, é uma das grandes apostas do governo provincial para resolver o problema da pobreza das famílias.

O governo trabalhou com a Associação para a Promoção do Desenvolvimento Comunitário no projecto Fomento da Cafeicultura
Fotografia: Jornal de Angola

O relançamento da produção familiar de café nos municípios de Caluquembe e Caconda, a norte da Huíla, é uma das grandes apostas do governo provincial para resolver o problema da pobreza das famílias.
O vice-governador da Huíla para o sector Político e Social, José Arão Nataniel, disse que para garantir uma maior rentabilidade, o governo trabalhou, em 2011, com a Associação para a Promoção do Desenvolvimento Comunitário no projecto Fomento da Cafeicultura no meio familiar.
Depois de terem sido obtidos resultados positivos em Caluquembe, o programa foi relançado em Caconda, num trabalho considerado como tendo sido um importante contributo para a resolução da fome, através, também, da diversificação das fontes do rendimento familiar.
No município de Caconda, o projecto permitiu às famílias começarem por plantar 10.935 pés nos lugares definitivos, resultando em mais de 205.418 novos viveiros, em 2011. Foram criadas pequenas irrigações com a distribuição de 10 motobombas com mil metros de tubagem em benefício de 205 camponeses que também se dedicam à produção de hortícolas e cereais diversos.

Comercialização do café

A produção, e consequente comercialização, do café mudou a vida de muitos camponeses de Calepi e Calonhoha, no município de Caluquembe. Um exemplo disso é o do cafeicultor Óscar Benjamin, 78 anos, que adquiriu motorizadas e gado bovino que agora servem para lavrar os seus três hectares de terreno. Segundo explicou, o cultivo de café é rentável, apesar de obedecer a um longo período para a colheita. No entanto, o “bago vermelho” modificou o seu nível de vida e o da sua família.
Um quilo de café custa 200 kwanzas, o que é algo de significativo numa região com pouca tradição de cultura desse produto e cujo principal comprador é o centro comercial Acajobel, no Lubango.
O fazendeiro Henrique Hequele, que colheu café nos seus quatro hectares de terreno nos arredores de Sandula, mostrou-se motivado devido à atenção especial que agora recebe do governo provincial.
Esclareceu que os níveis da colheita, em 2011, foram bons, sobretudo com a injecção de fertilizantes que recebeu da direcção da agricultura, no âmbito do crédito de campanha.
O único problema, segundo ele, reside no estado em que se encontram as vias de acesso às áreas de produção cafeícola, o que dificulta o escoamento do produto. “Os camponeses estão empenhados na produção do café em diversas localidades do município, mas é imperioso o governo ajudar-nos a vender o produto, não só no Lubango, mas também noutras áreas”.
A recente visita realizada pelo governador Isaac dos Anjos aos campos do cultivo de café em Caluquembe serviu para animar os camponeses.“Trabalhamos a terra com juntas de bois e nem sempre os níveis de desbravamento da terra são os que pretendemos. Por isso, pedimos tractores para aumentar e diversificar a produção”, acrescentou Henrique Hequel.
Na produção do café em Caluquembe estão envolvidas 15 famílias que lavraram 105 hectares das 356 áreas consideradas propícias ao cultivo do bago vermelho, nas localidades de Calonhoha, Ndondelo, Tchavola, Kaissaka e Kuando Geremias.O responsável da Agricultura em Caluquembe, Joaquim Tchikulumula, explicou que para o sucesso da produção de café no município, os camponeses recebem do governo enxadas, carrinhos de mão, charruas, limas, catanas e fertilizantes com o apoio da Organização Não-Governamental Mafiku.
“Para diversificar a produção de café, os camponeses receberam também sementes de café do tipo arábico, borbom-vermelho, sumatra, variedades que se adaptam mais facilmente ao clima da região”, acrescentou. A coordenadora-geral da Mafiku na região sul, Domingas Chilombo, disse que foram disponibilizados cinco mil dólares às 15 famílias, para a revitalização do cultivo de café no município, e mostrou-se satisfeita com os resultados obtidos pelo programa de revitalização da produção do café, lançado há dois anos.
O vice-governador Arão Nataniel afirmou que as autoridades locais estão optimistas quanto ao futuro da produção do café e já pensam na exportação para países como Alemanha e Itália.
As autoridades da Huíla estão a ajudar os produtores do município a também produzirem abacaxi, tendo sido preparados 105 hectares para o efeito, nas áreas da Tchavola e Calepi. Aí os camponeses já receberam instrumentos de trabalho e fertilizantes esperando-se uma boa safra este ano.
A produção da soja está a ser revitalizada com o envolvimento de famílias das localidades de Calongoti, Tchitupi, Calupele e Tchavola.

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