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Sarna mata gado bovino no Mulondo

Domingos Mucuta | Mulondo

A peste de sarna que assola, há dois meses, o gado bovino na comuna do Mulondo, município da Matala, já provocou a morte de mais de 90 cabeças de criadores tradicionais e fazendeiros da sede comunal, anunciou ontem o administrador da localidade.

Administrador diz que a situação é alarmante pelo número de criadores que diariamente pedem a intervenção dos serviços veterinários
Fotografia: Arimateia Baptista|Lubango

A peste de sarna que assola, há dois meses, o gado bovino na comuna do Mulondo, município da Matala, já provocou a morte de mais de 90 cabeças de criadores tradicionais e fazendeiros da sede comunal, anunciou ontem o administrador da localidade.
Zeca Mupinga ao Jornal de Angola que os dados disponíveis são resultado do levantamento feito junto dos criadores de gado da sede comunal, por falta de meios e vias de acesso para o diagnóstico da situação real em localidades recônditas.
“Há muita mortalidade de gado. Só no mês de Janeiro registámos a morte de 50 cabeças na sede. Desconhecemos os dados exactos dos sectores, aldeias e bairros do interior. Os animais úteis para a produção de carne e agricultura estão a morrer devido ao surto de sarna”, alertou.
O administrador comunal disse que a situação é alarmante pelo número de criadores que diariamente pedem a intervenção dos serviços veterinários, para evitar o risco de alastramento da doença, que dizima a principal riqueza da população local. “Estamos preocupados com a peste de sarna que está a dizimar várias cabeças de gado bovino.
Estamos a lançar um apelo às autoridades para o envio de uma equipa de veterinários para uma intervenção. Os proprietários de gado temem o risco de contágio geral”.
Zeca Mupinga disse que é a primeira vez que a sarna mata tantas cabeças de gado bovino na comuna do Mulondo, e apontou a falta de medicamentos para o combate à doença e o reduzido número de tanques, para o banho por imersão, como as principais causas. O tangue banheiro da sede, o único reabilitado, é um dos quatro existentes desde o tempo colonial.
Por outro lado, a falta de chuvas, que comprometeu as principais culturas na época agrícola passada, na comuna do Mulondo, está na base da escassez de produtos alimentares na localidade, com várias famílias a passar fome, referiu o administrador. Zeca Mupinga afirmou, sem revelar dados, que como consequência da falta de alimentos, muitas famílias estão a passar fome, por não terem o mínimo para sobreviver, o que faz com que muitas delas recorram à administração para solicitar alimentos. “É preocupante o estado de carência em que muitos cidadãos vivem nos últimos dias.
Muitas famílias recorrem à administração comunal em busca de mantimentos, mas infelizmente não temos capacidade de resposta”, disse o administrador, pedindo o apoio das autoridades provinciais.

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