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Seca prolongada ameaça colheita

Arão Martins | Lubango

A colheita de cereais, como milho, massango e massambala, produzidos na campanha agrícola 2011/2012, pode estar comprometida, em consequência da estiagem prolongada na Huíla.

Técnicos do Instituto de Desenvolvimento Agrário estiveram reunidos no Lubango para avaliar os danos causados pela seca na Huíla
Fotografia: Arão Martins | Lubango

A colheita de cereais, como milho, massango e massambala, produzidos na campanha agrícola 2011/2012, pode estar comprometida, em consequência da estiagem prolongada na Huíla.
Para analisar os estragos que a seca prolongada está a causar nos 14 municípios que compõem a província, o Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) reuniu, na cidade do Lubango, os seus responsáveis municipais.
O chefe de departamento da Agricultura na Huíla, Jesus Capenda da Rosa, afirmou que, caso a estiagem se prolongue por mais dias, os estragos vão ser maiores. A província regista uma estiagem de 60 dias, sendo os municípios mais afectados os de Quilengues, Cacula, Lubango, Humpata, Chibia, Matala, Jamba, Gambos e Quipungo, por serem típicos de sequeiros. A situação também é preocupante nos municípios de Chicomba, Caluquembe, Caconda, Chipindo e Cuvang, mas se chover dentro de 10 dias, ainda há esperança de recuperar as culturas.
Durante a primeira época da campanha agrícola 2011/2012, na província da Huíla, os agricultores semearam uma área de 375.225 hectares, dos 606.657 planificados, dos quais 4.262 através de recursos mecanizados e os outros com tracção animal. Foram ainda cultivados manualmente 19.456 hectares.
Jesus Capenda da Rosa adiantou que a previsão de colheita foi estimada em 318.328 toneladas de cereais, na campanha agrícola 2011/2012. Ao todo, foram distribuídas em todos os municípios 219 toneladas de sementes de milho, 7,7 de feijão, 60 de massambala, 30 de massango, 47,75 de batata rena, 330 toneladas de fertilizante 12-24-12 e 240 toneladas de fertilizante sulfato de amónio.
Relativamente aos equipamentos agrícolas e instrumentos de trabalho, foram distribuídas 500 charruas, 22.696 enxadas europeias, 18.225 enxadas tradicionais, 24.150 catanas, 24.450 limas e nove motobombas.
O director-geral do Instituto de Desenvolvimento Agrário, Nguinaman Luzayawo, assegurou que o quadro é preocupante, mas admitiu que nos municípios do norte as culturas ainda podem ser recuperadas.
“É preocupante. Estamos a seguir o desenvolvimento das culturas a nível da província. Não vamos alarmar-nos. Vamos ter fé que as condições vão melhorar”, encorajou. O que está a acontecer na Huíla é uma estiagem intercalada que ocorre desde Dezembro do ano passado, até finais da primeira quinzena de Fevereiro, explicou Nguinaman Luzayawo. Nos municípios do norte, que fazem parte do Planalto Central, a partir de Cacula para Caluquembe, Caconda e Chipindo, as culturas ainda são recuperáveis, em termos de cereais.
“Se daqui a 15 dias chover, podemos ter uma colheita razoável. Porém, se não chover, realmente os resultados vão ser negativos”, alertou.

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