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Serra da Leba pede obras para receber turistas

Estanislau Costa |

A serra da Leba é um dos pontos turísticos mais visitados do país. A sua imponente estrada encanta turistas nacionais e estrangeiros. Partes da via, com uma extensão de 15 quilómetros, foi severamente afectada pelo deslizamento de rochas em consequência das enxurradas passadas, clamando por recuperação urgente.

Florêncio Teófilo director do INEA
Fotografia: Estanislau Costa | Lubango

A serra da Leba é um dos pontos turísticos mais visitados do país. A sua imponente estrada encanta turistas nacionais e estrangeiros. Partes da via, com uma extensão de 15 quilómetros, foi severamente afectada pelo deslizamento de rochas em consequência das enxurradas passadas, clamando por recuperação urgente.
 Os cursos de água que escorrem do topo da serra da Leba, ensopando as valas de drenagem da estrada, surpreendem Miguel Fela e Domingos Manuel, oriundos do Bié.
 Ao trilhar os 15 quilómetros, com paragem no pequeno mercado informal das Mangueiras, os dois jovens apuraram que as enxurradas não foram capazes de eliminar a estrada da serra Leba.
 Miguel Fela e Domingos Manuel ficaram estupefactos com os prejuízos causados na via, pontes e valas de drenagem, em consequência do deslizamento e aluimento de pedras, terra e arbustos, que chegaram ao ponto de cortar a circulação entre as cidades do Lubango e Namibe.
Os dois jovens elogiaram o empenho do Ministério do Urbanismo e Construção e das empresas de construção civil especializadas, nomeadamente Omatapalo e Odebrecht, na execução dos trabalhos de remoção das pedras e entulhos, assim como na reparação rápida das pontes destruídas e abertura de novas valas de drenagem.
 As acções realizadas com urgência pelas empreiteiras na estrada da Leba e a criação de uma via alternativa, face à destruição da ponte sobre o rio Giraúl, permitiram a reposição da circulação de veículos ligeiros e pesados entre as cidades do Lubango e Namibe.
 Miguel e Domingos disseram que é fascinante observar a serra com novos fios de água a escorrer em vários sítios e o aumento do caudal dos riachos.
 As pessoas da Huíla, Namibe assim como turistas nacionais e estrangeiros, quando atingem a zona da serra da Leba, estão mais preocupados em observar com algum receio o pico e arredores da montanha e localizar a parte afectada do troço.
 Dona Altina Ananaz quase todos os fins-de-semana desloca-se ao miradouro, situado 50 quilómetros a oeste da cidade do Lubango, para apreciar a beleza natural e a estupenda estrada, que a torna num dos melhores pontos turísticos da província da Huíla.
 Dona Altina reconheceu que as quedas pluviais da época passada caíram com exagero na região sul e noutros pontos do país, provocando desgraças a um número considerável de famílias e infra-estruturas públicas, a maioria reconstruída pelo Executivo com o alcance da paz.
 Este processo de reabilitação contemplou também a estrada nacional nº 280, com 180 quilómetros, onde está o famoso troço da Leba, caracterizado por curvas arrumadas pelos em forma de escadas, que permitem aos veículos pesados e ligeiros subir e descer para atingir a cidade do Lubango ou Namibe.
 É por isso que o soba António Sousa considera premente a reabilitação imediata dos 15 quilómetros de estrada da serra da Leba, nesta estação de cacimbo, para evitar que “os prejuízos causados pelas chuvas passadas se agravem na próxima época. As obras devem abranger o troço Caraculo-Desvio da Bibala, para eliminar os vários buracos”.
 A autoridade tradicional, depois das chuvas cessarem, já esteve na zona turística da serra da Leba seis vezes consecutivas. Descreve: “O local está mais arejado e agradável devido ao verde dos arbustos, da estrada com curvas apertadas e das cachoeiras”.O Executivo, disse o soba, deve criar com urgência as condições para reparar as partes do troço da Leba danificadas. “É preciso consertar a estrada, agora que estamos na estação seca, se não os buracos vão aumentar devido à circulação de camiões”.
 
Troços danificados
 
Uma equipa de técnicos do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) está a percorrer vários pontos da região sul, com destaque para o troço da serra da Leba, para avaliar a dimensão dos estragos causados pelas enxurradas e definir as estratégias de intervenção.
 O director provincial do INEA na Huíla, Florêncio Teófilo, informou que em relação à estrada da Leba “a equipa orientou para encetar contactos com as empresas de construção civil especializadas em estradas a nível local, para preparação de projectos de reparação do troço”. “A direcção central orientou-nos para manter a estrada da Leba sempre em dia, sem problemas de circulação de todo tipo de veículos”, explicou o director, para acrescentar que estão também a ser traçados programas para a criação de uma via alternativa.
 A intervenção imediata do INEA no troço da serra e noutros locais com vestígios de degradação visa essencialmente conter o alastramento dos danos provocados pelas quedas pluviais.O camionista Rafael Cardoso percorre a estrada nacional nº 280 desde 1994.
 Naquela época, o acesso para atingir as zonas do interior estavam intransitáveis devido à elevada degradação das vias e falta de segurança, com o recrudescer da guerra pós-eleitoral de 1992.
 O troço Lubango-Namibe, explicou, foi um dos primeiros a beneficiar de obras de restauro e melhoria das condições de segurança para passageiros e viaturas. As deslocações passaram a ser cómodas e os veículos livres de desgastes acentuados.
Os problemas de circulação só surgiram agora por causa das enxurradas e inundações. A opção do Executivo, afirmou Rafael, em criar uma via alternativa é a mais certa, por evitar que o trajecto de veículos seja suspenso. “A alternância que entra em obras na zona do rio Giraúl e a ser criada nos arredores da serra da Leba vai acabar com os receios de privar a circulação”, disse.
 O Executivo vai empregar mais de 32 milhões de dólares nas obras da estrada alternativa que dá acesso à cidade do Namibe.
 A empreiteira desenvolve acções de limpeza, remoção e colocação de solo argiloso, terraplenagem, abertura de valas de drenagem e colocação de asfalto.O novo troço, além de ligar as províncias da Huíla e Benguela, vai dar também acesso à zona turística da Baía das Pipas, localizada nas terras da Welwitchia. A estrada alternativa da zona próxima ao rio Giraúl, província do Namibe, possui uma extensão de 45 quilómetros.
 Os trabalhos de construção civil vão conferir à via uma faixa de rodagem de sete metros de largura e bermas de dois metros.
 Ao todo, 500 postos de trabalho são criados com o início das obras, agendado para meados de Junho, com previsões de durarem 18 meses.

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