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Sobas satisfeitos com o acesso das crianças ao ensino

Estanislau Costa| Lubango

A construção de escolas nos 14 municípios da província da Huíla permitiu o acesso de milhares de crianças ao ensino. A ampliação da rede escolar mereceu o reconhecimento por parte das autoridades tradicionais.

A construção de infra-estruturas escolares na província da Huíla está a permitir ingresso de mais crianças no sistema de ensino
Fotografia: Arimateia baptista| Chibia

A construção de escolas nos 14 municípios da província da Huíla permitiu o acesso de milhares de crianças ao ensino. A ampliação da rede escolar mereceu o reconhecimento por parte das autoridades tradicionais. O soba grande da Huíla, Joaquim Huleipo pediu aos pais e encarregados de educação das zonas rurais da província para levarem os filhos à escola e impedirem o abandono escolar. E reconheceu: “a materialização do programa do sector da Educação está a ocupar cada vez mais crianças”.
As escolas estão cada vez mais próximas das comunidades, o que também serve de incentivo às próprias crianças e pais: “o surgimento de escolas fez aumentar, neste ano lectivo, o número de crianças. Queremos que as coisas continuem assim”, salientou Joaquim Huleipo. O soba grande defende que é chegado o momento “das crianças em idade escolar trocarem o pastoreio dos animais e a lavoura pela casa da instrução e educação. Todos os que têm mais de cinco anos não devem cuidar mais dos bois ou das lavras, durante o horário escolar. Primeiro, devem ir às aulas e depois fazer outras coisas”.
As autoridades tradicionais da província da Huíla levam a cabo campanhas de sensibilização para a importância da escola nas comunidades, a formação das crianças, jovens e adultos no crescimento e desenvolvimento do país.
O soba grande do município do Cuvango, Adão Cambinda, afirmou que “estamos a esclarecer os pais que as crianças devem estudar. A escola é uma casa de passagem obrigatória de todas as crianças e jovens. Quando os pais e alunos ganharem novas atitudes sobre o ensino e aprendizagem, a afluência vai ser maior e o abandono escolar Adão Cambinda congratulou-se com a distribuição gratuita de livros para o ensino básico e pede aos contemplados e às famílias para conservarem bem os livros, porque além de servirem de meio de consulta, pode ser utilizados mais tarde por outros alunos.
“Os livros e cadernos foram distribuídos pelo Ministério da Educação, para a formação das crianças. Por isso, é preciso dedicar especial atenção para chegarem às nossas mãos a custo zero em vez de irem para a candonga. O pai deve controlar o material quando o filho vai e volta da escola”, acentuou o soba grande do município do Cuvango.
Os resultados do ingresso de alunos no ensino primário e secundário, no presente ano lectivo, na província da Huíla, são positivos. O relatório da Direcção da Educação ao qual Jornal de Angola teve acesso, refere 724 mil alunos matriculados.
Comparativamente ao ano lectivo passado, há um aumento de 70.710 alunos. Este crescimento tem a ver com a construção de 6.254 novas salas. O director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia, Américo Chicoti, revelou que as aulas são asseguradas por 21.000 professores. O processo de ensino e aprendizagem é impulsionado, no presente ano, pela entrega de merenda escolar às crianças do ensino primário. O Governo Provincial da Huíla vai disponibilizar a cada município um montante de 40 milhões de kwanzas.
 O governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, afirmou que a materialização do programa de merenda escolar nas zonas rurais visa reduzir o índice de desistência escolar e melhorar o aproveitamento dos alunos.
O programa de merenda escolar vai abranger, numa primeira fase, as escolas implantadas em zonas com necessidades especiais, nomeadamente Gambos, Chibia, Quilengues e outros municípios onde as populações se confrontam com as consequências provocadas pela estiagem.
“Nos Gambos, a situação crítica criada pela ausência de chuvas motivou as autoridades a definir o programa de merenda escolar como imprescindível para atenuar a carência das comunidades”, disse Marcelino Tyipinge, acrescentando que esta é uma forma de estimular os pais a enviarem as crianças à escola.
Este ano, o programa de merenda escolar vai abranger pelo menos 5.000 alunos de cada município, mais 1.000 em relação ao ano passado. O objectivo é aumentar o número de beneficiários nas novas épocas lectivas.

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