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Terapeutas devem prevenir intoxicações

Estanislau Costa| Lubango

O Presidente do Fórum de Medicina Tradicional pediu ontem, no Lubango, o estreitamento das relações entre os terapeutas tradicionais e o pessoal ligado à medicina convencional, para serem acautelados casos de intoxicação por uso inadequado de medicamentos.

Terapeuta considerou importante a inclusão da medicina tradicional no plano de desenvolvimento sanitário do Sistema Nacional de Saúde
Fotografia: Jornal de Angola

Kitoko Mayavangua, que elogiou as condições de atendimento, internamento e capacidade tecnológica do hospital central Dr. Agostinho Neto, afirmou que os três casos de pacientes internados naquela unidade se devem à fraca informação de familiares e doentes.
“Os pais devem ter mais cuidado com as crianças e não se automedicarem com remédios tradicionais ou fármacos modernos”, disse, considerando ser um risco a automedicação por se ignorar, nalguns casos, as quantidades ou doses que devem ser dadas a determinadas horas.
O Presidente do Fórum de Medicina Tradicional informou que está em curso um processo destinado a controlar o número exacto de terapeutas tradicionais e o conhecimento que possuem sobre as plantas medicinais existentes em vários pontos do país e submetê-los a cursos de actualização. “Angola dispõe de um potencial natural rico para solucionar problemas de saúde, mas para o uso das plantas, raízes, argilas e outros, é necessário conhecê-las bem e diagnosticar com precisão a doença, suas causas e origem”, alertou.
Os terapeutas tradicionais associados ao fórum estão, segundo ele, informados que se o resultado do diagnóstico for algo que transcende a medicina tradicional, o paciente deve ser imediatamente evacuado para uma unidade hospitalar, sem se recorrer aos remédios naturais.
 Kitoko Mayavangua considerou importante a inclusão da medicina tradicional no plano de desenvolvimento sanitário do Sistema Nacional de Saúde. Por isso, garantiu que vai envidar esforços para incluir as línguas nacionais nas campanhas de sensibilização e mobilização sobre prevenção de doenças que passam nos órgãos de comunicação social. “Muitas pessoas das zonas rurais escutam rádio e lêem o jornal. Nós, os utilizadores de plantas naturais, temos de aproveitar determinados espaços desses órgãos de comunicação para passarmos a mensagem de como se deve proceder quanto ao uso dos medicamentos e quais as patologias que podem ser tratadas por nós”, afirmou.
O terapeuta está satisfeito com a ideia do Governo Provincial da Huíla de estabelecer parcerias entre os técnicos que manuseiam as plantas medicinais e os especialistas do departamento científico do Instituto Superior de Ciências da Educação do Lubango (ISCED), para se melhorar a qualidade dos fármacos e tirar-se mais proveito dos tratamentos.
Para o director provincial do Fórum de Medicina Tradicional na Huíla, Miguel Catengue, as mães e avós devem deixar de introduzir determinados medicamentos no ânus das crianças, com o objectivo de curar oxiúro ou maculo.
 O mau procedimento das pessoas que exercem estas práticas têm consequências graves para o futuro dos jovens.
O fórum agrega, neste momento, na Huíla, mais de quatro mil pessoas que exercem medicina tradicional, incluindo aqueles que se dedicam à comercialização de fármacos nos mercados formais e informais.

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