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Tráfego ferroviário é incompatível com o movimento de pessoas e bens

Arão Martins | Tchamutete

A demanda crescente na circulação de pessoas e bens carece de um aumento da frequência semanal do comboio, no traço Cassinga/Tchamutete, na província da Huíla, segundo defende o administrador comunal local, Galiano Ntyamba.

Semanalmente apenas uma locomotiva com cinco carruagens faz o trajecto Cassinga/Tchamutete na província da Huíla
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

Em entrevista ao Jornal de Angola naquela localidade, o responsável revelou  que a periodicidade semanal do comboio, com uma locomotiva de apenas cinco carruagens, está longe de satisfazer a procura, numa altura em que há muitas pessoas interessadas em viajar, além da elevada quantidade de mercadorias por escoar.
Por essa razão, Galiano Ntyamba sustenta que o aludido aumento seria bastante proveitoso tanto para a população, quanto para a arrecadação de receitas do próprio Caminho de Ferro de Moçamedes. 
A frequência do comboio à Tchamutete, de acordo com o calendário semanal estabelecido pelo Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro de Moçamedes (CFM), é insuficiente para garantir um fluxo regular da circulação de pessoas e das actividades comerciais da localidade, condicionando, deste modo, um maior desenvolvimento da região.
O administrador revelou que o comboio vai à Tchamutete na segunda-feira, com partida na comuna do Dongo, passando pela sede municipal da Jamba, antes de chegar à comuna de Tchamutete. O regresso acontece no mesmo dia, em direcção ao Lubango.
Na quinta-feira, o CFM disponibiliza novo serviço, com o comboio  a realizar o percurso Lubango-Jamba, tendo igualmente como destino a comuna de Tchamutete, de onde regressa, no mesmo dia, para estacionar na localidade de Calilila, no Dongo.  Vinte e quatro horas depois, a composição recolhe passageiros e mercadorias na Jamba, seguindo para Tchamutete e voltando a  descarregar, no mesmo dia, na Calilila-Dongo. Este comboio recebe passageiros que vêm da província do Cuando Cubango e Lubango, recolhendo igualmente  passageiros que vêm de Menongue e Lubango para Tchamutete.
Galiano Ntyamba referiu que mais de 500 pessoas viajam no comboio dos caminhos de Ferro de Moçamedes, na localidade.
 
Regularização da venda dos bilhetes
Outra preocupação manifestada pelo administrador comunal de Tchamutete é a regularização da venda dos bilhetes para os passageiros do comboio. A preocupação foi tema de reunião recente dos responsáveis comunais, com os encarregados da Estação de Comboios, face a inexistência de áreas específicas para comercialização dos bilhetes, nas estações da comuna.
 “Nas viagens que normalmente fazemos no comboio, concluímos que a eventual demora na solução do problema da venda de bilhetes, pode conduzir à situações propícias a causar danos nas locomotivas. Isto acontece porque quando se processa a venda de bilhetes de embarque, nas portas das composições que já têm passageiros a bordo, a população depois de longa espera, se impacienta”, explicou.
“É nesta azáfama de esperar, descer e subir, com todos apressados, já que o comboio tem o tempo de paragem cronometrado, que se gera muita confusão”, concluiu. Para colmatar esta situação, Galiano Ntyamba revelou que “foi feita uma proposta e será redigido um documento que vai ser encaminhado à direcção do CFM, com conhecimento da administração municipal, para ver o que se pode corrigir e melhorar em relação a essa questão”.
 Recentemente registaram-se  danos nas dobradiças de uma das portas da estação, por causa da agitação, na altura do embarque e desembarque de passageiros.
“Numa viagem feita de comboio à Jamba, constatamos que se continuar esse sistema, poderão danificar até as portas da estação. No actual sistema de venda, os passageiros esperaram os vendedores de bilhete de embarque, vindos no mesmo comboio. Para adquirir o ingresso, a população espera até que o comboio chegue”, descreveu o administrador.

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