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Transportes públicos melhoram circulação

Estanislau Costa |Lubango

A entrega de 250 autocarros pelo ministério dos Transportes ao governo da província da Huíla, em Junho passado, impulsionou o transporte de passageiros e mercadorias nos centros urbanos e no espaço rural.

Os autocarros circulam até às 22 horas e diariamente transportam milhares de pessoas
Fotografia: Estanislau Costa

A entrega de 250 autocarros pelo ministério dos Transportes ao governo da província da Huíla, em Junho passado, impulsionou o transporte de passageiros e mercadorias nos centros urbanos e no espaço rural.
Outrora dominados por táxis privados, os transportes de pessoas e mercadorias eram feitos com limitações e riscos, com realce para a falta de conforto, excesso de velocidade e nalguns casos preços especulativos.
Transcorridos seis meses da circulação dos transportes públicos, os utentes enaltecem o empenho do Governo em reactivar a circulação dos autocarros nas cisades e vilas e nas rotas provinciais e municipais.
Da cidade do Lubango as pessoas já podem viajar de autocarro para os municípios da Jamba Mineira, Cuvango, Cacula, Humpata, Quipungo, Chibia, cujos preços estão ao alcance de todas as bolsas.
No centro da cidade do Lubango, o trajecto custa 25 Kwanzas. Para os municípios e outras províncias a pessoa desembolsa 50 a 500 Kwanzas consoante a distância. Estas tarifas fazem com que haja muita afluência de passageiros diariamente.
O ministro dos transportes, Augusto Tomás, reafirmou que o lançamento do programa de transportes colectivos interurbanos, intermunicipais e provinciais “é uma iniciativa do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que está preocupado com a mobilidade dos cidadãos”. A execução do programa, particularmente na província da Huíla, permitiu empregar 500 pessoas, entre motoristas e cobradores. Melhorou também a ligação entre o campo e a cidade.
João Gaspar, motorista colocado numa empresa privada que gere uma das frotas de autocarros, diz que o emprego está a facilitar a organização da sua vida familiar. “Já consigo pagar a renda da casa, onde vivo com a mulher e dois filhos”.
Contou ao Jornal de Angola que trata o autocarro como se fosse seu. Começa a transportar passageiros a partir das seis da manhã. Faz a roda aeroporto da Mukanka- Nossa Senhora do Monte, levando maioritariamente trabalhadores e estudantes.
“Todos os dias, antes de partir, faço uma pequena manutenção no autocarro. Verifico os níveis de óleo, reaperto os pneus e ponho ambiente para proporcionar uma viagem agradável aos passageiros”, disse.
           
Preferência aos autocarros
           
Maria Ngueve vive no bairro do Nambambe, há 45 anos. Na década de 80 usou sempre a carreira da ETP para se deslocar à zona industrial, local do seu trabalho, numa fábrica de plásticos.
De meados dos anos 90 até 2008 trocou o autocarro pelos táxis. Também mudou de emprego, passando a trabalhar numa escola situada no bairro da Nossa Senhora do Monte. Diz que é difícil aturar as peripécias dos taxistas, na sua maioria jovens. Está satisfeita por voltar a fazer o seu habitual trajecto de autocarro e agora os carros são mais confortáveis
e modernos.
“Já me sento em condições, não receio um assalto, nem de um acidente devido ao excesso de velocidade dos taxistas”.
Maria Ngueve sublinhou que os preços são baixos e é bom que o último autocarro circule às 22h00. “Pagamos barato e não temos pressa de apanhar rápido o autocarro porque há muitos a circular e só param às 22h”. O jovem Fernando Camolo diz que a mãe gastava anualmente mais de 40 mil Kwanzas de táxi de ida e volta à escola. Com o transporte colectivo estão a poupar mais por pagar apenas 50 Kwanzas por dia.
“Agora não preciso estar cedo na paragem para ficar à espera de táxi e suportar as constantes paragens. O autocarro têm horas próprias de chegada e partida assim como paragens previamente estabelecidas”, disse.

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