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Vigilância epidemiológica foi defendida no Lubango

Domingos Mucuta | Lubango

A instalação de um sistema de vigilância epidemiológica, que lance alertas rápidos sobre a possibilidade de ocorrências de surto de doenças, pode evitar pânico e permitir uma intervenção eficaz das autoridades sanitárias, disse a vice-governadora da Huíla para o sector Social, Político e Económico.

Jornadas científicas da Faculdade de Medicina abordaram vários assuntos ligados à saúde
Fotografia: Domingos Mucuta | Edições Novembro | Huíla

Maria João Chipalavela defendeu esta proposta na abertura das X Jornadas Científicas da Faculdade de Medicina do Lubango, afecta à Universidade Mandume ya Ndemofayo, que decorreram de 17 a 18 do corrente mês, sob o lema “Vivenciar o ensino, dinamizando a pesquisa, para servir a comunidade com qualidade”.
A vice-governadora disse que o sistema de vigilância epidemiológica pode ser instalado pela Faculdade de Medicina do Lubango, em parceria com as instituições de saúde pública. “Ganharíamos muito mais se estivéssemos preparados para não ter tantos casos de morte por cólera ou febre-amarela”, disse.  
Maria João Chipalavela exortou a Faculdade de Medicina a “sair da zona de conforto”, para investir na institucionalização e reforço do sistema de vigilância epidemiológico, visando assegurar o fluxo de informações e evitar pânico e permitir uma intervenção mais eficaz em caso de epidemias.
Maria João Chipalavela pediu a aposta na formação em saúde comunitária, por considerar uma condição fundamental para o fortalecimento das famílias e, ao mesmo tempo, de criação de capacidade de resistência à doenças.
“Precisamos de trabalhar as questões de desenvolvimento comunitário e reforçar o envolvimento das Organizações Comunitárias de Base (OBS), para que possam participar como elementos activos do processo de melhoria dos indicadores de qualidade de saúde”, pediu.
A vice-governadora entende que o Governo gasta muito dinheiro nos medicamentos, quando os montantes avultados poderiam ser canalizados para a investigação científica e para outras áreas de saúde, se a prevenção fosse a tónica dominante das instituições de saúde na província.
“As comunidades estão expostas a doenças preveníveis. Teríamos outro encaminhamento se se fortalecesse o projecto dos médicos de família. Isso não deveria ser uma responsabilidade apenas da Faculdade de Medicina do Lubango, mas uma abordagem multidisciplinar para o fortalecimento das famílias, para ter resiliência às epidemias”, argumentou Maria João Chipalavela.
A valorização do conhecimento já produzido para tornar-se útil às comunidades é uma das teses defendidas pela vice-governadora da Huíla, que quer uma atenção especial para as competências científicas, habilidades e capacidades dos estudantes e para o projecto de escola, promovendo e consolidando a ligação entre as escola e/ou universidade e a comunidade. “Universidade deve ser da comunidade e vice-versa”, concluiu a vice-governadora.
O reitor da Universidade Mandume ya Ndemofayo, Orlando da Mata, sublinhou que as X Jornadas Científicas da Faculdade de Medicina evidenciam que esta unidade orgânica se mantém firme na tradição de idealizar e materializar várias iniciativas, dentro dos seus objectivos estratégicos e do Executivo.
“A realização destas jornadas deixa mais uma vez em evidência o compromisso que a Faculdade de Medicina, bem como as demais Unidades Orgânicas da Instituição, têm para com a sociedade, pois é desta forma que demonstramos aos nossos parceiros os resultados palpáveis das nossas actividades académicas, científicas e de extensão universitária”, afirmou Orlando da Mata.

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