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Zonas de risco na cidade do Lubango estão a ser abandonadas voluntariamente

André Amaro | Lubango

Famílias que habitam nas margens do rio Mucufi, tidas como zona de risco do centro da cidade do Lubango, estão a abandonar voluntariamente o local, mesmo antes do início do processo de transferência para áreas mais seguras, marcado para o próximo dia 29.

Casas ao longo do rio Mucufi estão a ser demolidas porque a zona fica inundada quando chove pondo em risco a vida das pessoas
Fotografia: Arimateia Baptista|lubango

Famílias que habitam nas margens do rio Mucufi, tidas como zona de risco do centro da cidade do Lubango, estão a abandonar voluntariamente o local, mesmo antes do início do processo de transferência para áreas mais seguras, marcado para o próximo dia 29.
A maioria das famílias já não quer esperar pelo dia marcado, devido à entrega, pelo governo da província da Huíla, de mil metros quadrados de terreno para a auto-construção dirigida, na zona urbanizada da comuna da Quilemba, e pelo facto de temerem as consequências da época chuvosa que se avizinha.
Na Quilemba vão ser realojadas 1.381 famílias, cujos casebres estão implantados ao longo do rio Mucufi. Os populares nesta situação começaram a receber os mil metros quadrados de terreno no mês de Junho, através de um processo de registo efectuado pela administração municipal do Lubango e a direcção provincial do Ordenamento do Território, Urbanismo e Habitação.
Nos locais de risco, que foram inundados pelas enxurradas na passada estação das chuvas, os populares removem as chapas de zinco, barrotes, portas, cabos eléctricos e mobiliários diverso, com o propósito de serem aproveitados nos novos terrenos.
O director provincial do Ordenamento do Território, Urbanismo e Habitação, Nuno Barnabé, garantiu que todas as famílias que construíram as suas casas ao longo do rio já receberem os seus terrenos. De acordo com ele, os populares estão sensibilizados, uma vez que aderiram em massa ao processo de registo, entrega dos terrenos e agora à retirada dos haveres e abandono das estruturas.
Esclareceu que a primeira fase abrange 1.381 casas situadas na praça João Paulo II, passando pelos bairros A Luta Continua (Lucrécia), Comercial, 14 de Abril (Benfica) e estende-se até ao aeroporto internacional da Munkanka, numa distância de 15 quilómetros. Para a segunda fase estão cadastradas 616 moradias, situadas na zona da ponte da praça João Paulo II até ao bairro Doutor António Agostinho Neto (Laje), com três quilómetros de percurso, informou Nuno Barnabé.
 
Requalificação da zona

Além de garantir segurança às populações, as autoridades pretendem fazer o aproveitamento do rio Mucufi, ladeando-o com duas ruas, com 18 quilómetros, jardins e espaços de lazer.
Nuno Barnabé disse que o desalojamento vai permitir urbanizar uma área de 700 hectares e aumentar a rede viária. De acordo com ele, o projecto de requalificação já está elaborado e a sua implementação vai permitir a ligação com a cidade velha, aproveitando o leito do rio.

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