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Jornalistas da região Sul reunidos em seminário

Domingos Mucuta e Domingos Calucipa| Lubango

Os jornalistas angolanos decidiram seguir à letra o ditado popular – "Mais vale prevenir do que remediar" – e, há quatros meses, uniram esforços numa Rede Nacional Contra a Malária e Grandes Endemias.

Sessão de abertura do primeiro seminário regional sobre malária dirigido aos jornalistas das províncias do Sul do país
Fotografia: Domingos Mucuta

Os jornalistas angolanos decidiram seguir à letra o ditado popular – "Mais vale prevenir do que remediar" – e, há quatros meses, uniram esforços numa Rede Nacional Contra a Malária e Grandes Endemias.
A Rede Nacional de Jornalistas assume o estatuto de parceiro do Ministério da Saúde, “fortemente empenhada” nas acções tendentes à redução da mortalidade por malária, como a formação dos seus elementos e a sensibilização da população para adopção de medidas preventivas.
A rede promove, de terça-feira até hoje, na cidade do Lubango, o primeiro seminário regional sul dirigido aos jornalistas dos órgãos de comunicação social das províncias da Huíla, Namíbe, Cunene, Huambo, Kwanza-Sul e Kuando-Kubango.
O coordenador da Rede Nacional de Jornalistas, Jaime Molossande, disse que o projecto, “embora tenha surgido na mente e nas almas dos jornalistas”, é abrangente.
"O nosso olhar é para o bem-estar da população", sublinhou.
Jaime Molossande lembrou que, “apesar do trabalho desenvolvimento para o controlo e prevenção das doenças, pelo Ministério da Saúde, a malária continua a ser a primeira causa de morte em Angola”.
Os jornalistas, referiu, aderiram ao projecto com o objectivo de contribuir nesta causa nobre de combate à doença, pelo papel que podem exercer por terem um instrumento poderoso que leva a informação a milhões de pessoas.
 “São várias as iniciativas de entidades singulares ou colectivas que se têm juntado aos esforços do Ministério da Saúde na busca de soluções para se pôr termo ao quadro actual”, declarou, frisando:
“Nós, jornalistas, não podemos ficar alheios a este mal que assola o país”.
Jaime Molossande disse acreditar que os jornalistas vão sair do seminário munidos de conhecimentos para ajudar a informar, educar e prevenir a população contra a doença, com enfoque para as mulheres grávidas e crianças. 
A Rede Nacional de Jornalistas contra a Malária e Grandes Endemias dividiu o país em três regiões para a extensão combinada de acções de formação. O próximo seminário da região Centro acontece, ainda este ano, e posteriormente o da zona Norte. 
 
 Huíla contra a doença

O vice-governador para esfera social da Huíla disse que o governo provincial tem mobilizado “enormes esforços” para aumentar a cobertura sanitária com novas unidades hospitalares em toda a província.
Sérgio Cunha Velho afirmou que a Huíla tem 244 unidades sanitárias estatais, contra 184 até o ano passado.
“Houve também um aumento na formação de quadros, na captação de recursos financeiros e abastecimento regular de medicamentos para o combate a esta doença que continua a ceifar muitas vidas”, referiu.    O Seminário Regional da Rede Nacional de Jornalistas Contra a Malária e Grandes Endemias, sublinhou, vai reforçar os trabalhos que o governo da Huíla realiza neste domínio.
O país, recordou, está envolvido na redução da morbi-mortalidade e no impacto socioeconómico da malária, no âmbito da Declaração de Abudja, Nigéria, e dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).
“Este seminário regional vem potenciar o trabalho do Ministério da Saúde e dos seus parceiros. É importante agora a participação activa dos meios de comunicação social para, com spots, debates, entrevistas, reportagens e noticias, conseguirmos reduzir a mortalidade”.
Sérgio Cunha Velho disse que são vários os componentes contra malária que devem merecer a abordagem dos jornalistas e citou, como exemplos, o diagnóstico atempado, o tratamento correcto de casos, a prevenção com redes de mosquiteiros, o combate ao vector no seu estado larval e adulto, vacina à mulher grávida e o saneamento básico. Sérgio da Cunha Velho afirmou que o trabalho de prevenção dos jornalistas vai contribuir para a mudança de comportamento e a consequente adopção de práticas positivas no combate às grandes endemias.
“Os objectivos da actividade garantem que teremos um plano local da comunicação social contra a malária, jornalistas preparados e população informada sobre a doença”, referiu, adiantando que seminário é também uma oportunidade de defender um maior envolvimento da sociedade nas acções do Governo.
 
Apoio e metas

O Governo dos Estados Unidos aumentou o financiamento para o reforço das acções do Programa Nacional de Luta Contra a Malária de 18 para 32 milhões de dólares anuais.
Os dados foram revelados pelo segundo secretário da Embaixada daquele país em Angola, Jason Smith, quando intervinha no Lubango, na abertura do Seminário Regional Sul da Rede de Jornalistas Contra a Malária e Grandes Endemias. Angola, salientou, é apenas um dos beneficiários do pacote, de 63 mil milhões de dólares, dirigido a 15 país africanos para a luta contra as grandes endemias nos próximos cinco anos.
Jason Smith declarou que os programas dos Estados Unidos, em parceria com o Governo angolano, distribuem mosquiteiros tratados com insecticida, fornecem milhões de doses de medicamentos para crianças e mulheres grávidas e efectuam campanhas de pulverização intra domiciliar.
 O secretário da Embaixada norte-americana referiu que a meta é reduzir, até ao fim do ano, em 50 por cento as mortes relacionadas com a malária, através de um maior envolvimento dos meios de informação.
“Pelo acesso a milhões de angolanos, através da rádio, televisão e imprensa, podem ensinar as medidas que cada um deve tomar para prevenir a malária e difundirem o conhecimento científico evolutivo de como diagnosticar e tratar a doença correctamente”, afirmou.
Smith lembrou que é através dos meios de comunicação social que hoje mais mulheres grávidas e crianças vulneráveis dormem já sob o mosquiteiro.
Com a veiculação, em massa, da informação mais pessoas vão sobreviver à doença, disse.    
           
Esforços do Governo

 
Jason Smith reconhceu os resultados positivos que o Governo angolano tem alcançado na redução das mortes de crianças por malária, com o incremento das medidas de prevenção, construção de mais hospitais de referência, formação de técnicos e aquisição de medicamentos eficazes.
“Louvamos Angola por continuar a reforçar o sistema de saúde para garantir que os medicamentos necessários estejam sempre disponíveis em todo o país”, acentuou.
O secretário da Embaixada norte-americana reconheceu também que em momentos chaves da história, a comunicação social sempre ajudaram a salvar e a prevenir perdas desnecessárias de vidas por flagelos de doenças como o HIV/Sida, a malária, a pandemia da gripe, a pólio.

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