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Administração encerra cemitérios ilegais

Carlos Paulino | Menongue

A Administração Municipal de Menongue iniciou contactos junto das autoridades tradicionais, no sentido de se encontrar uma solução urgente para se acabar com os funerais em cemitérios ilegais, que devem ser encerrados antes do final do ano em curso.

Muitos funerais em Menongue são realizados sem conhecimento das autoridades administrativas daquele município do Cuando Cubango
Fotografia: Lourenço Bule | Menongue

Esta foi a solução encontrada pela Administração Municipal depois de se ter constatado mais um caso de vandalização de uma cova por desconhecidos, no cemitério ilegal de Mupambala, situado a cerca de sete quilómetros da cidade de Menongue, de onde supostamente tinha desaparecido um cadáver.
O director municipal do Saneamento Público e Espaços Verdes, Augusto Manuel Ndala, disse ontem que a Administração de Menongue já identificou dezenas de cemitérios que devem ser encerrados nos próximos tempos, com realce para os de Sacampoco, Mupambala, São José, São Paulo, Tucuve, Cambumbe e Lumeta, nos arredores da cidade de Menongue, onde a população, de forma persistente, continua a enterrar os seus entes queridos.
Augusto Manuel Ndala disse que não há razões que motivem a população a comportar-se desta forma, porque o Governo da província construiu, em 2014, um cemitério municipal moderno, onde qualquer cidadão, incluindo o de baixa renda, está em condições de enterrar o seu familiar, porque para sepultar o corpo de uma criança paga-se apenas mil kwanzas e de adulto dois mil kwanzas.
Esta infra-estrutura, cujas obras custaram aos cofres do Estado 452 milhões de kwanzas, tem capacidade para 7.820 campas e conta com uma capela para realização de missa de corpo presente, três salas para velórios, área para serviços gerais e uma loja para venda de flores. “Não há motivos para as pessoas enterrarem os seus entes queridos em locais impróprios, pois, acima de tudo, constitui falta de amor e de respeito ao próximo”, disse, acrescentando que muitos destes lugares são reservas fundiárias, onde a Administração Municipal pretende futuramente construir importantes infra-estruturas sociais, com realce para escolas, unidades sanitárias e habitação.

Cadáver encontrado
/>Uma equipa multissectorial integrada por técnicos da Administração Municipal de Menongue, autoridades tradicionais, Saúde Pública e dos Serviços de Investigação Criminal (SIC), trabalhou nos últimos dias no cemitério da Mupambala para constatar “in loco” as informações postas a circular, segundo as quais o cadáver de um cidadão, que em vida se chamou José Mário, de 43 anos, tinha desaparecido.
No local, os especialistas do SIC fizeram a perícia e concluíram que a campa tinha sido aberta por descuido, por elementos que pretendiam enterrar um ente querido seu e ao depararem-se com uma urna no fundo do buraco deixaram a cova a céu aberto, situação que provocou vários alaridos, porque os cidadãos pensaram que o corpo tinha sido removido para práticas de feitiçaria. O director adjunto do Serviço de Investigação Criminal, superintendente-chefe Job de Almeida, descartou a possibilidade de existir qualquer intenção de profanação ou retirada do corpo do buraco, mas sim desorganização de uma família que queria enterrar o seu parente num sítio onde já havia outro cadáver.
Excepto a terra que foi tirada da cova, o corpo e o caixão estavam conservados. Realçou que é a primeira vez que a sua instituição registou tal situação e por este facto apelou à Administração Municipal de Menongue no sentido de encerrar o mais breve possível todos os cemitérios ilegais, para que casos do género não aconteçam novamente na região. O director municipal da Saúde, João Chinhinga, disse que a realização de enterros em cemitérios ilegais ou em locais inapropriados constitui um grande atentado à saúde pública, pois pode provocar doenças respiratórias e diarreicas agudas, devido à poluição do meio ambiente.

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