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Agricultura de conservação garante boa colheita

Weza Pascoal | Menongue

Um programa piloto denominado “Agricultura de conservação”, que visa a produção de alimentos com fartura e proteger a biodiversidade dos parques nacionais de Mavinga-Luengue e Luiana, está a ser implementado, desde o ano passado no Cuando Cubango e é financiado pelo Banco de Desenvolvimento Alemão (KFW) em 627 mil euros.

Implementação do projecto permite aos agricultores ou camponeses produzirem alimentos no mesmo lugar durante 15 ou mais anos
Fotografia: Edições Novembro

O representante da Associação de Conservação do Ambiente e Desenvolvimento Rural Integrado (ACADIR), António Chipita, disse ao Jornal de Angola tratar-se de um programa da responsabilidade dos ministérios do Ambiente e da Hotelaria e Turismo. António Chipita  sublinhou que tal agricultura há anos que é praticada na República vizinha da Zâmbia e tem obtido bons resultados, daí a necessidade da aposta nesta actividade, evitando, com isso, que a população que vive dentro e ao redor dos parques nacionais de Mavinga-Luengue e Luiana destruam as florestas ou um outro ser que integra a vida selvagem.
O responsável admitiu ser uma novidade para a província do Cuando Cubango a agricultura de conservação, afirmando que tal permite ao agricultor ou camponês produzir alimentos no mesmo lugar durante 15 ou mais anos, através de técnicas avançadas de preparação de terras, que consistem na aplicação de adubo orgânico, a partir de excrementos do gado bovino e caprino. Neste sentido, disse que a primeira experiência piloto está a ser executada na comuna de Luiana, no município de Rivungo, onde foram já desbravados cerca de 110 hectares de terras aráveis para a plantação de sementes.
Entre as plantações lançadas à terra, consta o milho, massango, massambala, feijão-frade, batata rena e hortícolas diversas, que são alimentos com alto teor nutritivo que, numa única safra, podem sustentar muitas famílias. ACADIR tem a responsabilidade de executar e acompanhar permanentemente os resultados obtidos da agricultura de conservação para depois executar o mesmo tipo de projecto junto das comunidades que residem no perímetro dos parques nacionais de Mavinga e Luengue. O representante a Associação de Conservação do Ambiente e Desenvolvimento Rural Integrado, António Chipita,  esclareceu que o projecto-piloto sobre agricultura de conservação surge como resultado de um estudo preliminar que permitiu identificar, em primeira instância, as comunidades que residem dentro e ao redor do Parque Nacional do Luiana, mobilização dos equipamentos e treino das pessoas para que fosse possível atingir os resultados desejados.
Desde Novembro de 2016, data do início do projecto, foram criadas três cooperativas compostas por 90 agricultores, que estão a ser formados em agricultura de conservação para posteriormente implementar as técnicas nos seus campos de cultivo.O projecto tem a duração de três anos e prevê abranger, até Outubro de 2019, pouco mais 510 agricultores.
Cada agricultor vai beneficiar de dois hectares para o cultivo. Neste momento, foram já adquiridas quatro charruas e 100 enxadas, apropriadas para este tipo de agricultura. Dispõe ainda de três motorizadas de quatro rodas para apoiar os monitores desta actividade e cerca de arame que vai servir para vedar os 110 hectares.
António Chipita disse ter sido criada igualmente uma lavra modelo, onde os agricultores recebem aulas teóricas e práticas sobre a agricultura de conservação. Acrescentou que estes, por sua vez, vão implementar o que aprenderam nas suas lavras, de modo a permitir que os camponeses estejam num patamar mais elevado e evitar a sua deslocação de um campo para o outro em busca de solos virgens.
A ACADIR é uma associação de conservação do ambiente e de desenvolvimento rural integrado, que tem estado a trabalhar no desenvolvimento das comunidades rurais na província do Cuando Cubango e na área de gestão transfronteiriça da bacia do rio Kuvango.

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